Representantes dos 209 membros da Fifa reúnem-se na próxima semana, na Cidade do México, e terão uma decisão importante para tomar. A Corte Arbitral do Esporte determinou que o congresso da entidade mundial do esporte aceite a federação de Gibraltar como um dos seus membros, o que encerraria uma demanda de quase 20 anos da pequena colônia britânica de 30 mil habitantes situada no sul da Espanha.
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Embora seja a sétima federação de futebol mais velha da Europa, fundada no final do século 19, Gibraltar pediu filiação à Fifa pela primeira vez apenas em 1997. João Havelange passou a batata quente para a Uefa, que aceitou os gibraltinos apenas muitos anos depois, em maio de 2013. A seleção de Gibraltar já até participou das Eliminatórias da Eurocopa da França, que será disputada este ano. Foi lanterna do Grupo D perdendo todos os dez jogos.
O país tentou aderir à Fifa a tempo de disputar o classificatório para a Copa do Mundo da Rússia, mas em setembro de 2014, uma reunião do comitê executivo da entidade voltou a fechar a porta na sua cara. Ainda sob a presidência de Joseph Blatter, alegou que Gibraltar não havia atingido os requisitos necessários e que a demanda não seria levada ao Congresso. A justificativa foi que o território britânico não é uma nação independente.
No entanto, Gibraltar apelou ao Tribunal Arbitral, a corte máxima do esporte no mundo, e conseguiu o que queria. “O painel ordenou, de maneira unanime, que o Congresso da Fifa tome todas medidas necessárias para admitir Gibraltar como um membro pleno da Fifa assim que possível, dentro dos limites do estatuto da Fifa”, afirmou o TAS em um comunicado. Gibraltar conquistou uma vitória parecida no CAS antes de entrar na Uefa, em 2013.
Quem mais bloqueia o sonho de reconhecimento dos gibraltinos são os espanhóis, que reivindicam jurisdição no território e principalmente temem que outros povos, como os bascos e os catalães, tentem filiações próprias nas entidades administrativas do futebol. Dentro do comitê executivo da entidade, o espanhol Angel Maria Villar Llona exerce influência desde 1998, mas as chances de a nação em um colégio eleitoral muito maior como o congresso geral, com 208 membros, é muito maior.
Caso a decisão seja tomada no México, a Fifa poderia facilmente introduzir Gibraltar em um dos dois grupos com cinco seleções que disputam as Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018.



