A disputa entre Messi e Cristiano Ronaldo pelo topo já está na história. Dois craques de talento extraordinário, duelando em rivais ferrenhos. Ícones que ajudaram a impulsionar Barcelona e Real Madrid nos últimos anos. E, por consequência, o Campeonato Espanhol. Afinal, boa parte dos recordes absurdos e dos lances espetaculares acontece na competição. O que, de certa forma, também gera temores aos espanhóis. Como será quando não houver mais Messi versus Cristiano Ronaldo? Um futuro ao qual La Liga tenta se preparar.
Obviamente, o Campeonato Espanhol é muito maior do que os dois gênios. A tradição de blaugranas e merengues também é bem mais profunda do que menos de uma década de talento. No entanto, não dá para negar que a liga se vende também através do argentino e do português. Um cenário que não será eterno, e ao qual os dirigentes do país estão tentando contornar. É o que afirma Javier Tebas, presidente da Liga de Fútbol Profesional, entidade responsável pelas duas primeiras divisões na Espanha.
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“Messi e Cristiano Ronaldo podem deixar o campeonato em três anos, e temos que estar preparados para isso. La Liga precisa ser mais do que os dois. Nós estamos vendendo este duelo para o mundo, mas precisamos vender também diferentes conceitos. Precisamos vender nosso próprio campeonato como uma marca internacional”, declarou Tebas, em evento na Inglaterra.
Por isso mesmo, La Liga se prepara fincando bases além da Europa. Os espanhóis estão abrindo escritórios em quatro cidades fora do continente: Pequim, Dubai, Nova York e Joanesburgo. “Precisamos estar presentes onde os nossos grupos de torcedores estão. Nós teremos diferentes estratégias para diferentes partes do mundo. Por exemplo, o esporte não é vivido na Ásia da mesma maneira como é na Europa, mas temos uma base forte de futebol que é comum a todos”, complementa.
A necessidade do Campeonato Espanhol não é apenas superar o momento, se estruturar além da realidade na qual vive hoje. Tebas também tem consciência que a concorrência é pesada, em especial com as outras ligas nacionais da Europa. Por isso mesmo, vê o fortalecimento dos clubes além de Barcelona e Real Madrid como o caminho mais seguro, através da redistribuição dos direitos de TV.
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“Não estamos competindo apenas com a Premier League, mas até mesmo com outros esportes. Se as ligas não souberem competir, a Inglaterra contará com a NBA do futebol. A Premier League será uma Ferrari e La Liga apenas um Dacia. Entretanto, a nova divisão de TV fortalecerá a estrutura financeira dos clubes espanhóis. Agora temos um acordo mais sustentável, que fortalecerá a competição. Significa um novo futuro para o futebol nacional”, comentou.
Por fim, o dirigente vislumbra o caminho para se expandir: a tecnologia. “Um dos meus desafios é descobrir para onde o marketing audiovisual está indo. O digital é importante, mas precisamos estar bem situados sobre a maneira como o futebol estará sendo consumido no futuro. Até dois anos atrás, nossos torcedores viam futebol na TV, mas agora eles querem sentir mais, com redes sociais e estatísticas”.
No futebol atual, em que as cifras valem tanto, visão de mercado é essencial. E os espanhóis demonstram ter consciência do que está por vir. Resta saber se a firmeza das palavras de Tebas realmente ajudará a sustentabilidade de La Liga. Diante do crescimento da Premier League e também da Bundesliga, apenas Barcelona e Real Madrid não bastam.



