
O Barcelona tratou o duelo contra o Sevilla com a seriedade que se pedia. Mas apenas antes de a bola rolar. Durante boa parte do jogo, não respeitou o adversário como ele merecia. E acabou pagando caro. Depois de abrir dois gols de vantagem no Estádio Ramón Sanchez-Pizjuan, onde os rojiblancos não perdem há mais de um ano, os blaugranas permitiram o empate por 2 a 2. Um resultado que sai amargo não apenas pela chance desperdiçada, mas também pelo risco que põe sobre a liderança do time no Campeonato Espanhol. Com o tropeço, o Barça diminui para apenas dois pontos a folga sobre o Real Madrid na primeira colocação. E com uma tabela mais difícil que a dos merengues.
A escalação do Barcelona dava bastante dimensão do peso do jogo. Mesmo com o compromisso com o Paris Saint-Germain no meio de semana, pela Liga dos Campeões, nada de poupar os craques do elenco. Luís Enrique escalou os seus principais nomes à disposição, incluindo o trio de ataque formado por Neymar, Luis Suárez e Messi. Serviu para intimidar o Sevilla, que permaneceu mais contido ao campo de defesa durante o início do jogo. No entanto, também deu brechas para que os catalães relaxassem demais.
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Ainda que o Barça não fizesse uma partida tão exuberante, criava muito mais chances de gol. Em meia hora de jogo, vencia por 2 a 0 graças ao talento incrível de Messi e Neymar nas finalizações. Após passe do brasileiro, o camisa 10 abriu o placar, ao fintar a marcação e chutar cruzado dentro da área. Sem quase desgrudar o pé da bola, não deu tempo de reação ao goleiro, e ainda acertou o canto. Já aos 31 minutos, foi a vez de Neymar fazer um golaço de falta. O camisa 11 mandou a bola no ângulo de Sergio Rico, sem qualquer chance de defesa.
A segurança do Barcelona, porém, se tornou sua perdição. Éver Banega diminuiu a diferença ainda no primeiro tempo, em uma bomba de fora da área que Claudio Bravo aceitou, mesmo tocando na bola. Enquanto perdoavam no ataque, os blaugranas também cediam espaços atrás para que o Sevilla se soltasse. O que transformou os rumos da partida, especialmente no segundo tempo.
Messi aparecia pouco, enquanto Suárez ia desperdiçando um caminhão de chances – uma delas, até com o goleiro fora da meta, batendo por cima do travessão. Neymar era quem mais chamava a responsabilidade no ataque, mas acabou sacado por Luis Enrique aos 29 minutos, dando lugar a Xavi. O atacante não gostou, assim como os blaugranas, que viram a alteração como inútil. O Barcelona não aumentou a sua capacidade ofensiva para ampliar e nem aumentou a proteção na defesa. Pagou caro dez minutos depois.
Uma saída de bola errada foi a chave para o Sevilla anotar o gol do empate – que valeu como uma vitória para o Real Madrid. Piqué falhou e ainda não acompanhou Kevin Gameiro, que apareceu livre na área para completar o cruzamento de Aleix Vidal. Depois disso, o Barcelona até tentou recuperar a vantagem perdida, mas não havia tempo. A entrada de Pedro foi inútil, enquanto Suárez seguia em uma noite muito abaixo do esperado.
A liderança segue com o Barcelona, que só desperdiçou pontos em duas das últimas 22 rodadas, mas o Real Madrid começa a recuperar o moral. Dois pontos é uma diferença ínfima, especialmente pensando nos últimos sete compromissos, que incluem Valencia e Atlético de Madrid. Antes de esquentar a cabeça, especialmente com Luis Enrique, o clube catalão agora precisa se concentrar no Paris Saint-Germain. A concentração que não teve na Andaluzia. E torcer para que os rojiblancos possam fazer o mesmo papel no começo de maio, quando será a vez dos merengues visitarem o temido Ramón Sanchez-Pizjuan.



