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Números e tática: A inteligência do Bayern ao engolir o Barça

Antes de a bola começar a rolar na Allianz Arena, a posse se apresentava como fator-chave para o confronto entre Bayern Munique e Barcelona. Os únicos dois clubes das grandes ligas europeias com mais de 60% de controle da bola e 530 passes por partida, em média. Sobretudo, com estilos parecidos ao cadenciarem o jogo e sufocarem os adversários até abrirem diferença no placar.

Nesta queda de braço, os catalães levaram ampla vantagem sobre os bávaros. A equipe de Tito Vilanova teve 63% da posse de bola e deu 621 passes, mais que o dobro dos 278 efetuados pelos comandados de Jupp Heynckes. Uma imposição territorial totalmente inútil. Afinal, o Bayern soube se adaptar à situação e explorar outras armas exibidas ao longo da temporada para engolir o Barça. Uma irrepreensível vitória por 4 a 0.

A defesa intransponível

A primeira característica decisiva para os alemães foi a solidez defensiva. Com média de apenas 0,55 gols sofridos por partida nesta temporada, a equipe soube muito bem como compactar a marcação para anular os blaugranes. Os visitantes só deram quatro chutes em 90 minutos, um deles bloqueado. Ficaram presos na intermediária – ainda com mais dificuldades no toque, por conta gramado encharcado – e deram apenas dez toques na bola dentro da área adversária, a menor quantidade em uma partida de LC desde 2010.

Mapa de calor do Barcelona, preso na intermediária
Mapa de calor do Barcelona, preso na intermediária

Para tanto, o meio-campo foi impecável na proteção. Bastian Schweinsteiger e Javi Martínez pareciam instransponíveis na cabeça de área, com 13 desarmes e sete interceptações. Não à toa, Xavi esteve muito longe da liberdade costumeira. Foram 87 passes do armador, 64% de sua média nas partidas anteriores da Champions, que era de 136,4. As únicas jogadas criadas pelo camisa 6 que acabaram em finalização aconteceram a partir de bolas paradas.

Da mesma forma, Arjen Robben e Franck Ribéry também se empenharam defensivamente e fecharam muito bem as subidas dos laterais rivais. O holandês somou quatro desarmes, um a mais que o francês. Os quatro defensores do time, juntos, somaram três roubadas de bola.

Um trabalho que evitou a sobrecarga em cima da defesa. Dante foi o único a trabalhar com um pouco mais de intensidade, anulando Lionel Messi. O brasileiro cortou uma bola que vinha em ótimas condições ao camisa 10 e bloqueou seu único chute. Enjaulado entre as linhas de marcação e longe da melhor forma física, o argentino mal conseguiu buscar jogo.

O ataque inteligente

Já na frente, o Bayern aproveitou sua qualidade – e as deficiências do Barcelona – no jogo aéreo para abrir o caminho à vitória. Em média, os bávaros são os que mais realizam cruzamentos na Liga dos Campeões. E foi assim nesta terça. Com 11 escanteios a favor, a equipe levantou a bola na área 21 vezes. Ganhou 11 dos 14 duelos aéreos, três deles com Müller, o melhor no fundamento. Marcou seus dois primeiros gols graças a bolas escoradas de cabeça, letais contra a fragilizada defesa blaugrana.

A nova formação do Bayern para o fim do jogo
A nova formação do Bayern para o fim do jogo

Já nos 20 minutos finais, com o Barcelona se adiantando mais em campo, foi a vez de Jupp Heynckes dar outro golpe de mestre. Trocou Mario Gómez por Luiz Gustavo, o 4-2-3-1 pelo 4-3-3, ganhando maior proteção à cabeça de área. Deu maior liberdade a Bastian Schweinsteiger e aos pontas. E o meio-campista começou as jogadas dos dois últimos tentos, construídas a partir da velocidade pelos lados do campo. Para ajudá-lo, Thomas Müller e Arjen Robben foram decisivos.

Saber o que fazer com a bola no pé nos diferentes momentos da partida foi vital ao Bayern. Os bávaros aproveitaram os espaços nas laterais do campo, calibraram o pé e foram objetivos em suas ações ofensivas. Com 46,7% de aproveitamento nas finalizações, o time de Jupp Heynckes precisou de 18,5 passes a cada chute a gol. Oito vezes menos que os 155,2 executados pelo Barcelona, cuja média na LC é de 49,5. Uma diferença numérica brutal, que ajuda a escancarar ainda mais o valor dos 4 a 0 registrados no placar.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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