Espanha

Neymar está adaptado ao Barça e não é só o gol que indica isso

Neymar disputou sua primeira partida para valer pelo Barcelona nesta quarta. Antes, o camisa 11 até entrou em campo nos amistosos de pré-temporada e no massacre contra o Levante, quando os blaugranas já goleavam por 6 a 0. No Vicente Calderón, pela primeira vez, o atacante era colocado em xeque no novo clube, no jogo de ida da Supercopa da Espanha contra o Atlético de Madrid. E a torcida catalã não pode reclamar de seu desempenho. Neymar garantiu o empate por 1 a 1 e mostrou sua adaptação ao estilo de jogo do Barça.

Neymar marcou o gol no primeiro arremate que deu na partida, após grande tabela entre Daniel Alves e Xavi na lateral direita. O camisa 22 fez o cruzamento e, em diagonal, o atacante surgiu para arrematar de cabeça. Um protagonismo que se espera do novo contratado, considerado a ausência de Lionel Messi, substituído no intervalo após sentir uma lesão, e a ótima atuação defensiva do Atlético, que tinha saído em vantagem no placar com o golaço de David Villa.

Tão notável quanto a preponderância no resultado foi a postura de Neymar. O atacante permaneceu em campo por 34 minutos, recebendo a bola em 33 oportunidades. Média de 0,97 toques por minuto, menos ativo apenas que outros quatro jogadores que estiveram em campo – todos volantes ou defensores, onde é natural receber mais a bola.

E, por mais que tenha chamado a responsabilidade, Neymar não foi individualista. O camisa 11 efetuou 24 passes e um lançamento, jogando para os companheiros em 75% das vezes em que teve a bola – na Copa das Confederações, por exemplo, este percentual foi de 71%. Não completou nem um drible, foi desarmado só uma vez e sofreu uma falta. Um jogo coletivo que também refletiu no empenho na marcação, com um desarme e duas faltas cometidas.

A amostra é pequena, mas já indica algo. Se Johan Cruyff e outros temiam que “dois galos não cantariam no mesmo terreiro”, Neymar mostrou que pode ser um jogador bem mais coletivo do que de costume no Santos e na Seleção. Afinal, se há um ponto em que os craques se diferenciam, este é na adaptabilidade. E, neste ponto, o camisa 11 demonstrou que está aclimatado e mesmo assim pode continuar se destacando.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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