Espanha

Não levanta mais na temporada

O ano de 2008 até que começou bem para o Levante. Depois de uma primeira metade de temporada abaixo da crítica, até que pintaram alguns resultados. Nas primeiras nove partidas dos levantistas no ano pela liga, foram três vitórias, três empates e três derrotas. Um desempenho fraco, mas que poderia deixar o time no limite da luta contra o rebaixamento. Considerando que a herança do turno era péssima, o returno podia garantir, ao menos, que a pontuação final não fosse humilhante e que a distância para o vice-lanterna tivesse um mínimo de dignidade.

Pois mesmo essa esperança parece estar acabando. Nas últimas quatro rodadas, o levante não fez nenhum ponto. Somando isso à ligeira recuperação de Murcia, Betis e Deportivo de La Coruña, a situação dos azulgranas é crítica. A ponto de o próprio clube já pensar em como montar o time para disputar a segunda divisão na próxima temporada.

A matemática justifica o pessimismo. O Levante teria de recuperar os 14 pontos de desvantagem para Zaragoza e Recreativo de Huelva (times que estão no limite entre rebaixamento e salvação) em oito jogos (ou seja, 24 pontos em disputa). Se vencesse todas as partidas que restam, o segundo clube de Valencia talvez escapasse. Mas isso contaria uma vitória sobre o Real Madrid no Santiago Bernabéu.

De fato, é mais prudente pensar no futuro. Se mantiver a série de resultados ruins, os levantistas estariam rebaixados com quatro ou cinco rodadas de antecipação. Se o clube aproveitar desde já para iniciar o planejamento, pode ter um projeto mais sólido em setembro. Até porque poderá colocar alguns garotos para ganhar experiência, antecipar a dispensa de alguns jogadores mais caros e até pensar no técnico que comandaria a equipe.

O modelo em Orriols é o Numancia. O time de Soria montou um elenco barato e determinado, sem estrelas e com equilíbrio entre os setores. É o modelo básico de clubes com poucos recursos e sem grandes pretensões fazem quando estão em uma divisão inferior. Não há grandes novidades, mas dá certo às vezes. Como ocorreu com o Numancia, líder isolado da Segundona e virtualmente promovido à elite.

Mas há algumas diferenças na proposta levantista. O clube quer manter parte de sua base, que, a bem da verdade, não é tão ruim quanto a pontuação sugere. Além disso, pretende trazer de volta alguns jogadores que estão emprestados e ter um grupo já entrosado e com alguma experiência para disputar a Segundona.

Se a idéia de antecipar o planejamento for realmente efetivada, o Levante mostra que aprendeu a lição. Na temporada passada, o clube fez uma campanha decente, escapando do rebaixamento com alguma tranqüilidade. No entanto, vendeu alguns dos destaques e montou uma base nova. Pior, com nomes de alto risco.

Havia um viés italiano nos reforços, sobretudo o razoável goleiro Storari e o atacante Riganò. Em princípio, eles teriam condições de carregar o time para um lugar no meio da tabela. No entanto, a dificuldade de adaptação foi mais forte e os jogadores não renderam o esperado. No meio do campeonato, a diretoria mudou tudo, se desfez de ambos e tentou mudar o caminho. Até melhorou, mas o tempo perdido havia sido fatal.

Acordo próximo

Como previsto, acabou em pizza a disputa entre RFEF e Fifa contra o governo espanhol (para entender o caso, clique aqui). A seleção da Espanha não foi excluída da Eurocopa e as eleições presidenciais da federação espanhola foram mantida para o final do ano, mas o governo teve a compensação de ver a RFEF aceitar mudar um pouco suas atitudes como modo de parecer que houve concessões dos dois lados.

O principal argumento da RFEF é que ela está em uma condição especial em relação a outras federações esportivas espanholas que também estão fora dos Jogos Olímpicos. Em todas elas, a ausência de Pequim significa que não há grandes competições ou eventos em um futuro próximo, o que torna recomendável a antecipação do novo ciclo. No futebol, é diferente. A federação não mandará time à China, mas terá de organizar a participação espanhola na Eurocopa, um torneio mais importante que as Olimpíadas (em relação ao futebol).

Outra medida adotada pela federação de futebol foi mudar seu estatuto para se desvincular do ordenamento jurídico espanhol em relação a questões que entram em conflito com a Fifa. Desse modo, Ángel María Villar seguiria no comando da RFEF até novembro, quando ocorreriam as eleições.

Mas ainda há outras possibilidades. Na Espanha, se especula a possibilidade de Villar assumir o papel de representante do país em Uefa e Fifa. Desse modo, deixaria as funções diretivas na RFEF e abriria caminho para a antecipação de eleições. Um jeito de agradar a todos sem que ninguém tenha de dr o braço a torcer publicamente.

Ainda que existam algumas arestas a serem aparadas, o que inclui negociar com Jaime Lissavetzky, secretário de esportes do país e principal adversário de Villar na disputa entre governo e federação, a solução parece próxima. Os detalhes que faltam acertar são mais políticos do que práticos, ou seja, nada que um “jeitinho” não acerte. E a vida segue.

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Equipe Trivela

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