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Na individualidade, Barcelona transforma o PSG no pesadelo dos líderes

Depois de seis duras rodadas na fase de grupos da Champions League, oito equipes aguardariam o sorteio das oitavas de final na próxima segunda-feira mais tranquilas que a outra metade da chave. Fizeram o melhor que poderiam, lideraram os seus grupos e enfrentam os segundos colocados. Mas desta vez, pelo menos duas equipes tiram o sono dos líderes: o Manchester City e o Paris Saint-Germain, renegado ao segundo lugar depois de perder por 3 a 1 para o Barcelona, no Camp Nou, nesta quarta-feira.

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A partida definiria qual seria o clube mais indesejado do segundo pote. A briga com o City é acirrada, mas não se sabe nem as condições físicas de Agüero em fevereiro. O título dessa disputa fica com o Paris Saint-Germain, bicampeão francês, mais calejado que os ingleses no mata-mata da Liga dos Campeões, e com um craque incontestável na figura de Zlatan Ibrahimovic. Pode ser o adversário de Atlético de Madrid, Borussia Dortmund, Bayern de Munique, Chelsea, Porto e Real Madrid.

O Barcelona seria ainda mais difícil. Não porque tenha um time melhor do que o do PSG, porque isso do ponto de vista coletivo pode ser discutido, mas pelos talentos individuais. Qualquer equipe com Messi, Suárez e Neymar no ataque é assustadora. Quando os três resolvem ser decisivos, como na vitória contra o PSG, com um gol de cada, a tarefa para o adversário fica ainda mais complicada, apesar da organização do time ainda estar capenga.

Em 21 partidas, Luis Enrique ainda não repetiu a escalação, mas desta vez mudou até o esquema tático. Alinhou três zagueiros na defesa, abriu Pedro à direita do meio-campo, Iniesta à esquerda, com dois volantes no miolo: Mascherano e Busquets. No ataque, o trio dos sonhos. Mathieu não convence como zagueiro. Como lateral esquerdo, menos ainda. Quando tenta realizar as duas funções, o seu processador interno trava e é possível até ouvir o barulhinho de erro. No gol do PSG, ele deu um latifúndio para Lucas cruzar. A bola chegou a área, onde todos os jogadores do time francês estavam marcados, menos um, justamente o mais letal. Ibrahimovic, livre, fuzilou.

Os erros defensivos eram gritantes, mas o mais simbólico era a forma como a equipe se espalhava pelo gramado, sem a compactação característica dos últimos anos. Os triângulos para a troca de passe, que ficaram famosos com Guardiola, formavam-se apenas no terço final do gramado. Houve lapsos de genialidade coletiva, memória muscular é coisa séria, mas nada sistematizado.

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A situação catalã manteve-se periclitante até os talentos aparecerem. Dinheiro não é garantia de time forte, mas é uma rota interessante para fugir das enrrascadas. Mascherano ignorou o rótulo de zagueiro que não consegue acertar um passe de três metros e acertou um lançamento de vinte. Suárez chegou à linha de fundo antes da bola, tocou para trás, e Messi engatou a sétima marcha para empatar. Fez seu 76º gol em competições europeias e igualou a marca de Raúl.

O empate ainda daria a liderança ao Paris Saint-Germain, mas o momento de êxtase viria a seguir. Neymar arrancou da ponta esquerda do Barcelona, já estabelecida como o seu habitat natural, e acelerou em direção à área. A expectativa pelo que faria era grande, tanto que cinco jogadores do PSG formaram uma rodinha para observá-lo. Quando esboçaram mudar de ideia, e de fato tentar atrapalhá-lo, o arremate saiu artístico. Uma curva para fugir dos dedos de Sirigu e morrer onde a rede encontra a junção das duas traves terrestres:

A dinâmica do jogo mudou no segundo tempo, assim como o esquema tático da defesa catalã. Mascherano recuou para fazer companhia a Piqué, Bartra fechou a lateral direita, e Mathieu fixou-se na esquerda. O que não significou solidez, nem segurança. O PSG seguiu perigoso, mas o Barcelona também tem dentes. Em um contra-ataque, deu a mordida definitiva, com um chute colocado de Neymar, que Sirigu espalmou para o meio da área. Em outro lance no qual David Luiz preferiu acompanhar a jogada apenas com os olhos, Suárez pegou o rebote e conferiu.

O Paris Saint-Germain fez uma campanha digna de aplausos na fase de grupos. O único tropeço foi o empate com o Ajax na primeira rodada. Mesmo se o resultado fosse diferente, perderia o primeiro lugar no confronto direto. Porque no final do dia, no jogo derradeiro, a qualidade individual do Barcelona fez a diferença, embora a questão coletiva ainda seja um problema. Luis Enrique acerta na necessidade de rodar os jogadores, especialmente no Campeonato Espanhol, mas precisa definir 11 titulares para os grandes duelos. A certeza inabalável é que Messi, Suárez e Neymar precisam estar entre eles.

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Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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