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Na Espanha, clubes negociaram dívidas com o governo e já conseguem bons resultados

No momento em que os clubes brasileiros renegociam suas dívidas com o governo brasileiro, a liga espanhola tem ótimos resultados para apresentar, dois anos depois de ter feito a mesma coisa. O futebol profissional do país devia € 647 milhões de euros à Fazenda ao final da temporada 2012/13. Agora, deve apenas € 482 milhões. Uma queda de € 165 milhões.

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Em abril de 2012, em meio à crise profunda da economia espanhola, o ministério da Educação, Cultura e Esporte sentou para conversar com os clubes e dar um jeito na situação financeira terrível pela qual eles passavam. A ideia foi regulamentar o pagamento e traçar um plano para que, em 2017, as dívidas gerais de todos os clubes de futebol estivessem abaixo dos € 2 bilhões.

O protocolo estabelece alguns pontos interessantes. O dinheiro dos direitos de televisão seria utilizado como garantia, não haveria nenhuma ajuda do governo – “a dívida do futebol será paga pelo futebol” -, o Conselho Superior de Esportes poderia, em última instância, proibir a inscrição de clubes que não cumprissem com suas obrigações e caso algum deles aumentasse as suas dívidas com o fisco, uma comissão formada pela Liga, o Conselho e os clubes poderia aceitar propostas pelos jogadores que o irresponsável mantém com contrato.

Tudo está correndo bem, com algumas exceções. O Zaragoza tinha até 25 de julho do para depositar € 8,1 milhões e, depois de muitas incertezas, acabou cedido pelo presidente do clube a um grupo de empresários, encabeçado pelo presidente da Telefónica, César Alierta, que já depositou mais de € 6 milhões para aliviar os problemas com o fisco, jogadores e credores. A movimentação que agradou a LFP.

Os dois casos mais importantes são do Racing Santander e do Real Murcia. O primeiro tem apenas mais um dia para pagar € 6,5 milhões à Fazenda e pede um adiamento até 5 de agosto, o que deve ser concedido. As negociações envolveram o prefeito de Santander, Iñigo de la Serna e o governador de Cantabria, Ignacio Diego, porque deveria estar absolutamente estabelecido que nenhum dinheiro público seria emprestado ao clube. O Murcia, por sua vez, precisa desembolsar € 14 milhões e afirma que tem um acordo com a Agência Estatal de Administração Tributária para pagar em cinco parcelas, sendo a primeira de € 1,8 milhão, mas a AEAT não confirma a negociação e cobra o valor integral. Um caso que ainda precisa ser resolvido.

As negociações dos clubes brasileiros com o governo federal caminham por um caminho parecido. A ideia é pagar toda a dívida pública nos próximos 25 anos, sob a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte. Os clubes que não cumprissem o combinado estariam sujeitos a sanções esportivas, como a perda de pontos. Poderiam olhar para a Espanha, longe de ser exemplo em muitos aspectos do futebol e da economia, mas que por enquanto vai honrando os seus compromissos.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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