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Mourinho quer ser querido. E não é assim no Real Madrid

A novela sobre a permanência de José Mourinho como técnico do Real Madrid continua. Após o jogo que marcou a eliminação do time contra o Borussia Dortmund nesta terça-feira, o “Special One” foi enigmático. Vai continuar no Madrid, José? “Talvez não. Quero estar onde me queiram”. Uma frase forte. E que deixa aberta a possibilidade de sair do clube.

O trabalho de Mourinho não é ruim, ao contrário. Conseguiu algumas vitórias importantes contra o Barcelona histórico, embora tenha perdido mais do que ganhado. Mas chegou em três semifinais de Liga dos Campeões, o que não é pouco. Nas três vezes, perdeu. Primeiro para o Barcelona. Na temporada passada, a derrota foi para o Bayern. Desta vez, o algoz foi o Dortmund. Ganhou uma liga, na temporada passada, e a Copa do Rei na temporada anterior. Nesta, o título espanhol será do Barcelona, a Liga dos Campeões escapou. A Copa do Rei é o que resta. O time é finalista contra o Atlético de Madrid.

O problema é que os métodos de Mourinho são desgastantes. Ele se indispôs com os jogadores, os dirigentes, com todo mundo. Criou disputas de poder em um elenco que normalmente já seria difícil de lidar, pelo grande número de estrelas. As brigas com Özil, Sergio Ramos e, mais recentemente, Casillas tornaram o treinador uma presença não muito querida. Se muitas vezes Mourinho consegue que os jogadores joguem por ele – como Eto’o ao se sacrificar jogando na ponta e marcando lateral -, em outras cria conflitos que não se resolvem facilmente.

A sua ânsia por um poder muito maior do que o Real Madrid concede, já que no clube merengue há política, não um dono, é outro problema. Na Inglaterra, o papel de técnico como “manager” é mais amplo, tem mais poderes e trabalhando em clubes com donos a questão política é menos presente. É uma relação mais direta – como foi com Roman Abramovich.

Apesar do discurso, Mourinho sabe que ganhar a Liga dos Campeões era o maior objetivo do Real Madrid quando ele assumiu. Chegar às semifinais é importante e mostra força, mas um clube devorador de técnicos, isso é pouco. É preciso ir além.

“Não é importante que eu esteja aqui, o importante é que o Real Madrid consiga a décima”, disse. “O Real Madrid recuperou sua credibilidade na competição com três semifinais seguidas, mas esta equipe não vive do quase, nem tampouco essa é a minha filosofia”, declarou ainda o treinador.

Mourinho lamentou não chegar à final, mas se recusou a rotular como um fracasso. “Tenho jogadores que estavam no Real Madrid e não haviam jogado as semifinais. Temos estado no quase, quase, quase, espero que em um futuro próximo do quase possamos chegar à final”, afirmou o português.

A saída parece encaminhada e iminente. A questão é saber quem o Real Madrid gostaria de ver no seu lugar. E onde Mourinho gostaria de estar.  Além, é claro, de quem fará propostas para ele. O Chelsea é o destino mais falado e mais provável, já que ficará sem técnico ao final da temporada. Mourinho é querido por lá e pode ter o poder que deseja. Mas terá um problema parecido com o Real Madrid: precisará de resultados logo.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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