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Mourinho: “Após o Real, sigo minha carreira na Inglaterra”

José Mourinho é o único técnico da história a ter conquistado três ligas nacionais de primeiro nível, com Chelsea, Internazionale e Real Madrid. Também pode se tornar o primeiro a levantar a Liga dos Campeões por três clubes diferentes. Contudo, apesar das glórias, o português não está contente com sua vida pessoal. Em entrevista à CNN, o treinador afirmou que o fato de ser uma figura pública tem um impacto negativo em seu cotidiano.

“Eu odeio minha vida social. Eu odeio não ser um pai normal, que vai com a um jogo de futebol do filho e fica ao lado de outros 20 pais assistindo à partida. Estou em um jogo de crianças e tenho que estar ali. As pessoas vem pedir fotos, outros vêm para me insultar. Algumas pessoas vão até o gol onde está meu filho e insultam um garoto de 12 anos”, declarou.

Além disso, o treinador de 49 anos sinalizou que quer seguir trabalhando com futebol por mais duas décadas: “Eu  adoraria estar com minha família nas ruas e não posso. Então, sou uma pessoa completamente diferente na minha privada. Um dia, quando minha carreira se encerrar, espero que tenha mais alguns anos para ser uma pessoa normal. Espero encerrar minha carreira com 70 ou 75 anos”.

Dono de passagem marcante pelo Chelsea, Mourinho apontou seu desejo de retornar um dia ao futebol inglês, além da boa relação com Sir Alex Ferguson. Apesar da vontade, porém, o português reiterou seu compromisso e seus objetivos com o Real Madrid.

“Eu chamo Ferguson de ‘boss’ porque ele é o chefe dos técnicos. Espero que, quando eu voltar um dia ao futebol inglês, ele continue comandando o Manchester United. Eu não penso sobre isso, porque ainda tenho quatro anos de contrato com o Real Madrid e não penso em outro clube. Só digo que, depois desse projeto, o próximo passo estará na Inglaterra, por várias razões. Só não sei quando”, disse.

Por fim, Mourinho se queixou da forma como veem sua postura à beira do campo: “As pessoas dizem que me conhecem, mas não é verdade. As pessoas conhecem o técnico, especialmente durante os 90 minutos das partidas. E, durante este tempo, eu não me divirto. Diversão é uma consequência”.

“Estou lá pelo meu trabalho, para vencer. Eu vivo um jogo como se fosse o último de minha carreira. Depois, nas coletivas, ainda há uma partida para jogar. As pessoas não me conhecem como amigo, como um homem de família, como um técnico dentro do clube. Então, eu não reclamo e não digo que as pessoas estão erradas. Elas estão me olhando de uma maneira errada”, completou.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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