Morata: ‘Poderia ter contribuído na Copa, mas para De la Fuente era mais fácil se eu não estivesse’
Aos 33 anos, atacante admite que gostaria de ter participado da conquista da Espanha, mas diz compreender decisão do treinador e elogia companheiros.
Álvaro Morata falou pela primeira vez sobre a ausência na seleção espanhola que conquistou a Copa do Mundo 2026. Em entrevista ao programa “El Larguero”, o atacante, que recentemente se transferiu para o Leganés, da segunda divisão espanhola, comentou a decisão de Luis de la Fuente e a campanha dos companheiros no Mundial desse ano.
O título teve um significado especial para Morata. Afinal, muitos dos jogadores que levantaram a taça haviam iniciado a trajetória internacional ao lado dele. Por isso, embora tenha acompanhado a competição de Nova York, o atacante não escondeu que gostaria de ter feito parte do grupo. A ausência, porém, não foi tratada como uma mágoa em relação ao treinador.
— Eu tinha muita vontade de estar na Copa do Mundo. Mas viajei para Nova York como se fizesse parte da vitória, porque vi muitos jogadores que começaram sua trajetória internacional comigo. Somos todos humanos e, no fim das contas, sempre existe uma parte de você que espera ser convocada, a esperança está sempre presente — disse.
A declaração resume a maneira como Morata procurou lidar com uma situação que, naturalmente, também envolvia expectativa pessoal. O atacante reconheceu que a esperança de ser convocado permaneceu até o fim, mas preferiu destacar a conquista da seleção e o vínculo com os companheiros. Para ele, a possibilidade de ajudar existia, ainda que a decisão final tenha sido outra.
Uma ausência que, segundo Morata, facilitou a decisão do treinador
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Aos 33 anos, Morata também reconheceu que a expectativa de ser convocado não desapareceu, mesmo diante da proximidade do torneio. O atacante afirmou que poderia ter contribuído para o grupo, mas avaliou que sua presença talvez criasse uma situação mais difícil para De la Fuente, especialmente diante das perguntas sobre sua convocação.
— Acredito que eu poderia ter contribuído para o grupo e criado uma boa dinâmica, mas as coisas ficaram mais fáceis para o treinador na minha ausência. Imagine começar uma Copa do Mundo com todo mundo perguntando o que eu estava fazendo ali. Foi melhor evitar todo esse barulho.
Morata também relembrou o momento em que recebeu a notícia de que não faria parte da lista. Em tom descontraído, contou que chegou a brincar com De la Fuente sobre uma promessa feita pelo treinador antes da competição. A lembrança reforça o tom da entrevista: apesar da frustração pessoal, o atacante procurou tratar o assunto sem ressentimento.
— Acho que isso foi até antes do anúncio da lista preliminar. Disse a ele que compreendia perfeitamente e que lhes desejava toda a sorte do mundo. A única coisa é que ele não cumpriu a promessa que me fez, porque disse que, se vencesse o torneio, sairia montado em um cavalo com a taça na mão. Mas ainda tem tempo para fazer isso.
A conquista também serviu para Morata destacar o desempenho dos atacantes que ocuparam o espaço que poderia ter sido dele. O espanhol citou Borja Iglesias, Ferran Torres e, especialmente, Mikel Oyarzabal, nomes que, em sua avaliação, mereciam estar no Mundial.
Oyarzabal, o centroavante que se encaixa no plano de De la Fuente
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A escolha de Oyarzabal para a posição que Morata poderia ter ocupado não se resume à ausência de um nome conhecido. O atacante da Espanha foi o artilheiro da seleção na Copa do Mundo 2026, um desempenho que reforçou sua importância para o esquema de De la Fuente. Sua capacidade de participar da construção das jogadas, ocupar espaços e aparecer na área fez dele uma peça central na campanha do título.
Morata, que conhece bem as exigências da posição, reconheceu o nível apresentado pelo companheiro. Em vez de questionar a escolha, ele destacou a qualidade de Oyarzabal e a contribuição de Ferran Torres, autor do gol que Morata gostaria de ter marcado.
— Sempre falei sobre o nível de Mikel Oyarzabal, assim como de Ferran Torres; ele marcou o gol que eu gostaria de ter marcado, e fiquei muito feliz por ele.
A boa Copa de Oyarzabal confirmou que ele oferece características que combinam com a ideia de jogo de De la Fuente. O atacante da Real Sociedad consegue atuar como referência, mas também se movimenta para participar da circulação da bola, aproximar-se dos companheiros e abrir espaços para quem chega de trás. Essa versatilidade ajuda a explicar por que sua presença é tão importante para a Fúria.
O fato de ter terminado o Mundial como artilheiro da Espanha também reforça a escolha. Oyarzabal não precisou apenas cumprir uma função tática: entregou gols em uma competição de alto nível. A combinação entre mobilidade, entendimento do jogo e eficiência ofensiva faz dele o homem certo para a posição, sobretudo em uma equipe que valoriza a participação dos atacantes na construção das jogadas.