Espanha

Modus operandi madridista

“Modus operandi é uma expressão em latim que significa ‘modo de operação’. É alguém ou algo que usa o mesmo jeito e aplicação em todas as coisas que realiza, faz tudo do mesmo jeito de uma mesma forma, de maneira que se identifique por quem foi feito aquele determinado trabalho”. A explicação da expressão modus operandi, retirada da Wikipédia, explica bem o mundo em que vive o Real Madrid.

Lo que pasa es lo siguiente: a equipe madridista contratou Klaas-Jan Huntelaar e Lassana Diarra como principais reforços da pausa de inverno. No entanto, apesar de negar agora, não consultou devidamente o regulamento da Liga dos Campeões. Os artigos 17.17 e 17.18 tratam das inscrições de jogadores após o fim da fase de grupos. Neles está o grande problema do Real.

Pelas regras vigentes e aprovadas da competição, pode-se inscrever três novos jogadores no elenco. No entanto, estes não podem já ter disputado a LC, nesta temporada, por outro clube. Até aí, nenhuma surpresa. No entanto, há outro porém: se o atleta tiver jogado a outros torneios interclubes da Uefa nesta temporada, somente um poderá ser inscrito. Aí vive o problema, já que Huntelaar, pelo Ajax, e Diarra, pelo Portsmouth, já atuaram no torneio. Assim, somente um pode defender o Real nas oitavas-de-final, diante do Liverpool.

Para saciar as dúvidas dos leitores, vamos aos itens, traduzidos de forma literal (a pontuação é da Uefa…):

Artigo 17.17 – Para todas as partidas desde as oitavas-de-final um clube pode inscrever um máximo de três novos jogadores elegíveis para as partidas restantes da atual competição. Esta inscrição deve ser feita antes de 1 de fevereiro de 2009 no máximo. Essa data não pode ser prorrogada.

Artigo17.18 – Um jogador da cota de três mencionada acima, que tenha jogado uma competição interclubes da Uefa nesta temporada para outro clube, pode ser inscrito excepcionalmente sempre que não tenha sido escalado:
– na mesma competição, por outro clube.
– em outro clube que esteja jogando atualmente a mesma competição.

Ramón Calderón, presidente do Real Madrid, já adiantou que vai conversar com Michel Platini, mandatário máximo da Uefa, para conversar sobre o assunto, mas disse que o clube sabia desses artigos anteriormente às contratações. Também mobilizou o corpo jurídico do clube para tratar do assunto. E nesta semana sentenciou: “vamos inscrever os dois”. Ou seja, nada além do modus operandi madridista, de quem acha que pode passar por cima de tudo e de todos. Simplesmente se acha o dono do poder por ser o Real Madrid.

Internamente, pelo que o diário Marca revelou, Calderón ficou perplexo com a notícia. Ele imaginava que poderia inscrever Huntelaar e Diarra na LC, ao contrário do que tentou passar ao público e imprensa, em um comunicado oficial. Sobraram críticas para Pedja Mijatovic e Carlos Bucero, diretores do departamento de futebol.

Agora os merengues buscam alternativas jurídicas na interpretação do texto. Alegam que o objetivo dos artigos é evitar que um jogador atue pela Liga dos Campeões por uma equipe e depois se transfira para outra e volte a jogar a LC. E não que alguém que jogue na Copa Uefa não possa depois atuar na LC. Vão insistir nisso até o final.

De qualquer modo, o regulamento está aí para ser cumprido. Não acho que haja interpretações, uma vez que está bem claro que o artigo 17.18 se refere às outras competições interclubes da Uefa. O que o Real Madrid tenta fazer é se impor pela força e tradição do clube. Se Platini ceder, será um erro.

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Equipe Trivela

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