Mesmo que a Espanha não empolgue: Que privilégio é ver Iniesta jogando

Por tudo o que fez em 2012, Andrés Iniesta possui um lugar especial na Eurocopa. Ao longo da competição, o espanhol vinha dividindo as opiniões com Andrea Pirlo na preferência sobre quem seria craque do torneio. No entanto, a atuação fabulosa na final pesou para Don Andrés. O camisa 6 orquestrou a Fúria na goleada por 4 a 0 sobre a Azzurra. Acabou ganhando não apenas a Bola de Ouro da Euro 2012, como também recebeu o prêmio de melhor jogador europeu naquela temporada.
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Quatro anos se passaram desde então. Aquela Espanha dominante, hoje, parece mais fruto do passado. Mas a maestria de Iniesta permanece intacta. Sua influência sobre o time aumentou. Liderança clara, ele é o motor que faz a engrenagem de Vicente del Bosque funcionar. Sua grandeza esteve claríssima na estreia da seleção na Euro 2016. Que a Fúria não tenha sido brilhante na vitória por 1 a 0 sobre a República Tcheca, Iniesta foi. E os três pontos entram muito na conta de tudo aquilo que o meio-campista jogou em Toulouse.
Sem contar com jogos tão bons nesta primeira rodada, a Eurocopa vê muitos de seus principais meio-campistas voando. Os primeiros dias tiveram desempenhos notáveis de Kanté, Xhaka, Hamsik e Krychowiak. Já os companheiros Toni Kroos e Modric (juntamente com o ponta Dimitri Payet) largam na frente como melhores do torneio, depois de jogarem demais neste domingo. Mas não dá para negar o lugar de Iniesta nesta corrida, até pela forma como a Espanha girou em seu entorno.
Em uma equipe que segue dependendo da posse, a bola sempre procurava Iniesta. O camisa 6 ia distribuindo passes e, mais do que isso, ocupando os espaços para dar continuidade às jogadas. O estilo enfadonho ganhava mais vida em seus pés, também pelas arrancadas e pelos giros que proporcionava. E se não acertou sempre, não deixou de se esforçar nunca. As bolas perdidas sempre se seguiam ao esforço por recuperá-las. Ao lado de David Silva, sobrava em campo.
À medida que o tempo ia passando, a Espanha parecia precisar ainda mais de Iniesta. Por mais que o camisa 6 visse o jogo além das limitações impostas pela forte defesa da República Tcheca, seus companheiros tinham dificuldades para completar os lances. Até que, enfim, alguém aproveitou uma criação do armador. Antes tarde do que nunca. O cruzamento perfeito na cabeça de Piqué seguiu de encontro às redes de Petr Cech.
Não é de hoje que Iniesta costuma crescer nos momentos decisivos. O meio-campista regular dos pontos corridos se transforma em um monstro nos jogos grandes. E, sem ser o cara da definição (mesmo que o momento mais inesquecível de sua carreira tenha vindo assim), a criatividade do camisa 6 é algo raro de se encontrar. Não à toa, já foi eleito o melhor em campo nas finais mais importantes, com o clube e com a seleção. Neste momento de tantas dúvidas sobre a Espanha, certamente Don Andrés tem noção de como sua participação a cada partida será valiosa. Que a Fúria não se coloque entre as favoritas, é possível se esperar outra grande Euro do craque – aliás, ela já começou.



