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Mathieu ainda é um zagueiro questionável, mas virou herói unânime ao definir contra o Celta

Nada de Messi, Neymar ou Suárez. Quem terminou a noite como herói do Barcelona, outra vez, foi Jérémy Mathieu. O zagueiro, que já tinha feito um dos gols no último clássico, decidiu o jogo duríssimo no Estádio de Balaídos. Afinal, nenhuma outra equipe no Campeonato Espanhol parece saber melhor como anular o ataque blaugrana do que o Celta, que vencera o duelo do primeiro turno dentro do Camp Nou. E em uma partida na qual viram os anfitriões dominarem as situações durante boa parte do tempo, o jeito foi buscar os três pontos graças à bola parada. Pouco para o que se espera do Barça, mas suficiente para os três pontos.

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Mathieu chegou ao Camp Nou sob muitas desconfianças. Era um zagueiro rodado, de 31 anos, e com o preço elevado (€ 20 milhões) para o que exibia no Valencia. Entretanto, o francês mostrou a diferença que a autoconfiança pode fazer nas atuações de qualquer atleta. Por mais que cometa seus erros, especialmente na cobertura e no mano a mano, se encaixou na equipe titular do Barcelona. Tornou-se importante principalmente pela qualidade no jogo aéreo, tanto para sanar uma carência defensiva quanto para ajudar no ataque. E é subindo à área adversária que vai realmente fazendo a diferença.

O ataque do Barcelona apareceu poucas vezes, diante da boa marcação do Barcelona. Durante o primeiro tempo, a grande chance veio dos pés de Messi, que parou em um milagre do goleiro Sergio Álvarez – que já tinha pegado tudo na vitória no Camp Nou. Neymar e Suárez também tiveram a chance, mas erraram o alvo. Enquanto isso, o Celta trabalhava bem a bola e exerceu uma pressão danada pouco antes do intervalo, mas errava demais na hora de concluir. Mathieu, inclusive, era um dos que mais tomava baile.

Na volta para o segundo tempo, o Celta seguia mais consistente, ainda que sem ameaçar tanto Claudio Bravo. Já o Barcelona dava o bote em lances pontuais. Neymar chegou a balançar as redes em uma finalização sensacional, mas o árbitro anulou por impedimento, em lance duvidoso. A torcida da casa era puro orgulho, ajudando também na imposição do time de Vigo. E sem renegar os seus ídolos, como no momento bacana em que ovacionou o substituído Rafinha, que defendera o clube na temporada passada por empréstimo.

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Contudo, a esperança de surpreender de novo o Barça se esvaiu aos 28 minutos. Xavi saiu do banco para cobrar falta lateral com maestria, mandando a bola na cabeça de Mathieu. O zagueiro se esticou e mandou a bola no canto, para tocar a trave e entrar. O lance que definiu a partida. O Celta até tentou buscar o empate, mas os visitantes se fecharam na defesa e a expulsão de Orellana, por jogar um tufo de grama em Busquets, terminou de complicar. Por tudo o que jogaram, os anfitriões mereciam mais sorte. No entanto, os três pontos ficaram com o Barça.

Independente da goleada histórica do Real Madrid, o Barcelona continua quatro pontos à frente na liderança do Campeonato Espanhol. Um resultado fundamental, já que sua tabela nas próximas nove rodadas tende a ser mais difícil que a dos merengues. Enquanto isso, Mathieu cai de vez nas graças dos catalães. Se na defesa ele continua sob riscos de comprometer pelo chão, no ataque ele anotou pelo alto dois dos gols mais importantes da campanha. Se o título vier, merece uma lembrança especial pela participação.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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