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Xavi: “Não podemos falhar, temos que trabalhar muito e transmitir aos jogadores que somos o Barça”

Em sua apresentação como novo técnico do Barcelona, Xavi falou sobre suas ideias e foi recepcionado por 10 mil torcedores

Xavi Hernández voltou, depois de seis anos, a pisar no gramado do Camp Nou. O maestro de grandes esquadrões, agora, assume o papel de treinador do Barcelona. O momento é bastante delicado, não apenas pelos problemas esportivos, mas também pelo caos financeiro e institucional vivenciado na Catalunha. E, apesar da falta de experiência no cargo, o ex-meio-campista retorna como uma espécie de salvador da pátria. Não possui credenciais suficientes como técnico, mas é à identidade fiel da lenda junto ao barcelonismo que os fãs se agarram. Não à toa, a recepção de Xavi contou com a presença de 10 mil torcedores nas arquibancadas.

Abaixo, destacamos os principais trechos da primeira coletiva de Xavi. O treinador fala sobre o que pretende fazer, suas ideias de jogo e também seus planos para o elenco. Confira:

O retorno ao Camp Nou

“A recepção da torcida me marcará muito. Não podemos falhar. Temos que trabalhar muito a partir de amanhã e transmitir aos jogadores que somos o Barça. A torcida me arrepiou. Venho com uma ideia muito clara, com regras, para trabalhar duro. Temos que tentar convencer os jogadores para chegar aos êxitos. Seremos julgados pelos resultados, mas vamos tentar jogar bem para que os resultados cheguem”.

A ideia de jogo

“Queremos ser intensos, agressivos, recuperando a bola no campo adversário. Uma equipe que deixará a alma em campo. Recuperaremos os jogadores em uma ou duas semanas, quero jogar com pontas. Temos que fazer variantes para usar sistemas diferentes. A ideia é recuperar os jogadores e fazer com que se sintam como uma equipe, mas temos que incutir isso”.

O meio de arrumar a casa

“Não é preciso ser duro, é preciso colocar normas e cumprir. Quando eu tinha regras nos vestiários, fomos bem. Quando não tinha, fomos mal. Não é disciplina, é ordem. Não posso falar sobre os últimos trabalhos, que não participei. Temos que ser mais profissionais que nunca, temos que melhorar essas coisas. Temos que obter resultados com essas regras”.

O mercado de janeiro

“Vamos avaliar com o clube e vamos decidir. É em breve, mas vamos trabalhar para fortalecer a equipe, sempre é uma oportunidade. Para mim, o trabalho é claro, temos que recuperar a exigência e que o jogador tenha claro o que deve fazer a cada momento do jogo. Cheguei há dois dias, estamos falando de muitas coisas e uma delas é o mercado. Temos pontas de bom nível, temos que recuperar os lesionados”

Os medalhões do elenco

“O plano para os veteranos é o mesmo dos outros, os que conheço são os que vou exigir mais. Conheço, sei como fazem, vejo uma vantagem. Conheço Piqué, Busquets, Alba, Ter Stegen e Sergi Roberto, eles devem puxar o carro. São um a mais e partem do zero. Tenho uma relação muito boa com eles e devem ajudar os jovens com sua liderança. Daremos mais poder nos vestiários”.

A situação de Dembélé

“Para mim, Dembélé pode ser o melhor jogador do mundo em sua posição, mas é necessário trabalhar com ele e exigir. Depende dele, de sua mentalidade, que se lesione pouco, que tenha rendimento. Como vamos cuidar dele? As lesões vão acontecer, como em toda a vida, mas é preciso treinar bem, prevenir, trabalhar melhor. Vamos nos exigir e temos que exigir dos jogadores”.

Propostas anteriores

“As duas primeiras vezes que o Barcelona falou comigo foi em janeiro de 2020. Não sentia que era a hora, tanto eu mesmo quanto minha família, eu precisava de mais margem. Logo veio o verão, as eleições aconteceram e havia muita incerteza, não era o momento. Logo Joan Laporta me ligou, sempre disse que é o melhor presidente da história do Barça, um cara que vai de cara. Agora era o momento, não tive muitas dúvidas. Só a nível familiar, porque tenho dois filhos, mas decidimos que era o momento”.

Chance de treinar o Brasil

“É verdade que cheguei a conversar com a CBF. Me ligaram para oferecer o cargo de assistente do Tite. Depois da Copa do Mundo assumiria a equipe. Recebi a proposta com muito orgulho, mas o meu sonho sempre foi treinar o Barcelona. Estou de volta ao clube e sinto que é o momento certo de executar um bom trabalho aqui”.

Outros ídolos que viraram treinadores

“Tenho muita vantagem, conheço o clube, os jogadores. O Barça é o clube mais difícil do mundo, porque é preciso jogar bem e ganhar, não vale ganhar com 1 a 0. Vamos tentar, mas espero estar no grupo de Pep, Zidane e companhia, não de outros. Que me comparem com Guardiola já é um êxito”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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