La Liga

Willian José não deu o salto esperado na carreira, mas pode contribuir bastante no Betis

Willian José estava sem espaço na Real Sociedad e assinou com o Betis por empréstimo

Willian José construiu uma bonita história na Real Sociedad, mas não quis perder o bonde quando surgiu a oportunidade de sair. O centroavante recebeu sondagens de clubes como Barcelona e Tottenham, mas os valores não atingiram a pedida dos bascos. E exatamente no momento em que buscava sua negociação, o brasileiro perdeu espaço no time para Alexander Isak. Na segunda metade da temporada passada, Willian José finalmente conseguiu sair, mas iria a um patamar mais baixo com o Wolverhampton e não se deu bem no empréstimo. Agora, o atacante de novo segue emprestado e tentará reconstruir seu nome na Espanha. Será uma das novas peças do Betis, que disputará a próxima edição da Liga Europa.

Willian José mereceu a reputação construída na Espanha. Se muita gente não dava valor ao centroavante no Brasil, ele faria seu nome a partir da segunda divisão. Chegou ao país pelo Real Madrid, mas precisou militar no Castilla. Depois, se destacou no Zaragoza, que não conquistou o acesso, mas rendeu a transferência à elite para o Las Palmas. E o brasileiro apareceu muito bem nas Ilhas Canárias. Marcou nove gols e brilhou principalmente nos duelos contra os grandes. Ficou por lá durante um ano, antes de ser levado pela Real Sociedad.

Willian José foi adorado na Real Sociedad por três temporadas e meia. Balançava as redes, mas também contribuía com seu trabalho sem a bola para abrir espaços. Nos quatro primeiros anos em Anoeta, o brasileiro registrou sempre dois dígitos em gols por La Liga, chegando ao ápice com os 15 tentos de 2017/18. Não à toa, passou a ser cortejado pelas potências de La Liga e também por clubes da Premier League. O problema é que os interessados não atingiam a oferta pedida pela Real. Isso acabou gerando um desgaste, até pela maneira como o centroavante passou a pressionar por sua venda.

A gota d’água aconteceu em janeiro de 2020, quando Willian José tinha boas sondagens de Barcelona e Tottenham, mas não um acordo. O centroavante chegou a ser sacado do time por conta disso e, quando voltou, Isak estava voando. Com isso, não recuperou mais a titularidade absoluta e se queimou com a torcida, precisando de um pedido de desculpas públicas. Na primeira metade da temporada passada, o brasileiro foi pouco aproveitado pelo técnico Imanol Alguacil e acabaria emprestado para o Wolverhampton. Na Inglaterra, não preencheu nem mesmo a lacuna com a ausência de Raúl Jiménez, marcou apenas um gol na Premier League e sua permanência seria descartada.

De volta à Real Sociedad neste início de temporada, Willian José também não seria aproveitado, com uma relação mais desgastada. Além da ascensão de Isak, o clube ainda trouxe por empréstimo Alexander Sörloth. Era o sinal claro de que o brasileiro deixaria novamente Anoeta. Vai para o Betis, o que garante a oportunidade de ainda brilhar na Espanha, onde exibiu seu melhor futebol. E deve ser bem aproveitado por Manuel Pellegrini, considerando que os verdiblancos conciliarão La Liga com a Liga Europa. A tendência é que o brasileiro se reveze no comando de ataque com Borja Iglesias, uma das principais peças dos beticos, já que Loren seguiu emprestado ao Espanyol. Se der certo, a opção de compra de Willian José custará €8 milhões aos andaluzes.

Mesmo com a classificação à Liga Europa, o Betis se mexeu pouco neste mercado. Os principais reforços tinham vindo para a defesa, com as contratações de Rui Silva, Germán Pezzella, Juan Miranda e Youssouf Sabaly. Willian José aumenta os recursos ofensivos de um forte setor dos verdiblancos, podendo ser municiado por Joaquín, Nabil Fekir, Sergio Canales e outros destaques. Aos 29 anos, o centroavante parece viver um recomeço. O salto a clubes de ponta não se concretizou, mas ele tem capacidade de seguir escrevendo sua história com camisas tradicionais na Espanha.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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