La Liga

Voando no momento certo, Ronaldo decide de novo, e Real só precisa de um empate

Cristiano Ronaldo, apaixonado por números, não faz sua melhor temporada nesse quesito. Marcou apenas 39 vezes, números excelentes, mas abaixo da sua produção em anos anteriores. Mas trocou quantidade por qualidade. O atacante português cresceu na reta final e tem sido decisivo nas partidas mais importantes do Real Madrid, como a desta quarta-feira, contra o Celta de Vigo. Fez os dois primeiros gols da vitória por 4 a 1 que permite aos merengues empatarem com o Málaga, no próximo final de semana, para conquistarem o primeiro título espanhol em cinco anos sem depender do resultado do Barcelona contra o Eibar.

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Ronaldo não é mais um garoto. Tem 32 anos, e apresentou problemas físicos no último mês das temporadas passadas. Tanto que não estava perfeitamente em forma na Copa do Mundo de 2014 e na Eurocopa de dois anos seguintes, imediatamente depois de seus dois títulos de Champions League pelo Real Madrid. Saiu machucado da final da Euro conquistada por Portugal e ficou fora dos primeiros jogos pelo clube. Demorou um pouco para engrenar: dois gols nas nove primeiras rodadas de La Liga.

Foi parecido na Champions League. Foi às redes nas duas primeiras rodadas da fase de grupos e voltou a marcar apenas nas quartas de final. No entanto, quando chegou a hora de a onça beber água, estava na ponta dos cascos para decidir: cinco gols nos dois jogos contra o Bayern, três contra o Atlético de Madrid e mais uma final europeia. Mesma coisa no Campeonato Espanhol: desde a 30ª  rodada, Ronaldo foi poupado dos jogos fora de casa. Jogou apenas no Santiago Bernabéu, contra Atlético de Madrid, Barcelona, Valencia e Sevilla.

Abriu o placar contra o Valencia e marcou duas vezes no Sevila, seis pontos essenciais na corrida pelo título. Nesta quarta-feira, em sua primeira partida fora de casa pela liga espanhola desde o meio de março, contra o Athletic Bilbao, recebeu a bola na entrada da área, após belo passe de Marcelo para Isco, arrumou à perna esquerda e soltou uma bomba, indefensável para Sergio Álvarez, aos 10 minutos do primeiro tempo.

O Celta de Vigo mandou no restante da etapa inicial, mas sem criar grandes chances. A melhor foi em uma cobrança de falta que explodiu em cima de Keylor Navas. No começo do segundo tempo, outro contra-ataque preciso: Isco deu uma arrancada espetacular e deixou o passe perfeito para Ronaldo tocar no canto e fazer 2 a 0. O jogo parecia resolvido, até Guidetti contar com a sorte e ver seu chute desviar em Sergio Ramos antes de enganar Navas. Final nervoso? Nada disso: um minuto depois, Marcelo foi à linha de fundo e cruzou para Benzema fazer 3 a 1. Toni Kroos fechou o placar, no finzinho da partida.

Cristiano Ronaldo entendeu que não precisa jogar todas as partidas e atingir números estratosféricos para ser um dos melhores do mundo – ou o melhor. Aceitou ser poupado para jogos cruciais e tem correspondido nos momentos certos. Com 24 gols, não será artilheiro do Campeonato Espanhol, já que Suárez (28) e Messi (35) marcaram mais vezes. Mas provavelmente será campeão.

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Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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