Torcedor do Mallorca é punido por racismo contra Vinícius, mas numa sanção branda da comissão esportiva da Espanha
Um dos tantos indivíduos que atacaram Vinícius Júnior no Mallorca x Real Madrid pagará somente €4 mil e não poderá frequentar recintos esportivos por um ano
A Comissão Estatal contra a Violência, o Racismo, a Xenofobia e a Intolerância no Esporte, organismo que funciona dentro do Conselho Superior de Esportes do governo da Espanha, anunciou a pena para um torcedor do Mallorca identificado por proferir insultos racistas contra Vinícius Júnior em partida por La Liga. E a impressão é de que a punição para o racista ficou bem barata. O agressor precisará pagar uma multa de €4 mil, enquanto está proibido de visitar recintos esportivos nos próximos 12 meses. Como a tal Comissão Estatal cuida apenas de assuntos na esfera esportiva, o indivíduo ainda pode ser imputado criminalmente.
Vinícius Júnior recebeu diversos ataques durante a partida contra o Mallorca em Son Moix, inclusive de jogadores que o provocaram, como Antonio Raíllo e Pablo Maffeo. Já nas arquibancadas, além dos insultos, também ocorreram gritos de “macaco” contra o brasileiro. Ele também foi vítima de racismo quando dava autógrafos na saída do estádio. A identificação de apenas um indivíduo já parece defasada em relação a tudo o que ocorreu na ocasião. E nem assim a pena foi exemplar.
A punição foi anunciada ao lado de outras sanções, envolvendo diversos eventos esportivos na Espanha. O racista do Mallorca pagará apenas €1 mil a mais que o aplicado ao Getafe por permitir um “cartaz de grandes dimensões sem a necessária autorização prévia” e também €1 mil a mais que o aplicado sobre o Sporting de Gijón por “não impedir a entrada de uma garrafa de vidro de 700 ml com bebida alcoólica”.
Cabe dizer ainda que o indivíduo que atacou Vinícius Júnior não foi o único racista a receber uma punição irrisória de €4 mil, mais a proibição de 12 meses. A mesma sanção foi aplicada a um racista num jogo de vôlei e a um nazista que fez saudações num jogo das divisões de acesso. Agressões e ataques a funcionários dos estádios receberam a mesma pena, não tão maior que as aplicadas a torcedores retirados das arquibancadas por embriaguez ou por acenderem sinalizadores – €1,5 mil, mais quatro meses de sanção.
Tal lista de sanções só mostra como ocorrências graves não possuem tratamento sério na Espanha, enquanto questões banais, como o uso de fogos de artifício, são tratadas com rigor exagerado. Enquanto permanecer tal permissividade das autoridades esportivas, dificilmente haverá uma mudança no cenário. Enquanto isso, a polícia e a justiça local também precisam agir. Os racistas identificados pelos organismos esportivos precisam responder por seus crimes e, sobretudo, pagar por eles, na esfera criminal.
Outro clube que agiu em relação aos ataques racistas contra Vinícius Júnior foi o Valladolid. O clube levou algumas semanas, mas identificou dez torcedores responsáveis pelos ataques racistas e os suspendeu preventivamente, enquanto ocorrem os procedimentos internos. Os indivíduos também tiveram suas identidades apresentadas à polícia espanhola.



