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Ter Stegen se agigantou, Raphinha marcou mais um e o Barça saiu de San Mamés com um triunfo dificílimo

O Athletic Bilbao fez um jogo muito duro contra o Barcelona e merecia sair pelo menos com o empate, mas o Barça segurou o bombardeio para ficar com a vitória mínima

A campanha excelente do Barcelona em La Liga se explica não por um ataque exuberante, mas pela segurança da defesa. Os blaugranas sofreram apenas oito gols em 25 rodadas. Enquanto muitos dos defensores vivem ótimas fases, Ter Stegen atravessa aquela que talvez seja a melhor temporada de sua carreira, mesmo com tantas conquistas no passado. E o goleiro seria decisivo para um triunfo dificílimo na visita a San Mamés, com o placar de 1 a 0 sobre o Athletic Bilbao garantido por Raphinha, outro em alta. O primeiro tempo foi parelho, mas o Barça conseguiu seu gol nos acréscimos. Já na metade final da segunda etapa, os Leones impuseram um bombardeio. Teve bola na trave, lances salvos em cima da linha, milagres de Ter Stegen. No fim, um gol anulado de Iñaki Williams aumentou a frustração dos bascos, numa noite em que mereciam mais.

A partida, aliás, seria marcada por protestos dos torcedores do Athletic contra o próprio Barcelona. Com o indiciamento dos blaugranas no chamado ‘Caso Negreira’, em que os catalães são suspeitos de corromperem arbitragens, as manifestações se tornam cada vez mais comuns em vários estádios espanhóis. Antes que a bola rolasse, notas falsas com a palavra “máfia” e o escudo do Barça foram lançadas nos arredores de San Mamés. Além disso, a situação desatou a fúria da torcida após a anulação do gol de Iñaki. Mesmo que a decisão da arbitragem tenha sido correta, a suspeita sobre o Barça vai levantar questionamentos sempre que possível. Os presentes chegaram a agitar panos brancos nas arquibancadas do estádio durante os minutos finais.

O Athletic Bilbao iniciou a partida com muita voracidade na marcação. Adiantava bastante seu time e tentava sufocar a saída de bola dos blaugranas. Mesmo assim, a primeira chance veio com o Barcelona, num arremate de Ferran Torres que passou perto. Os Leones, por outro lado, não conseguiam produzir muito ofensivamente, mas o incômodo que causavam era claro. Quando surgiu uma oportunidade para Álex Berenguer arrematar, ele mandou uma bicicleta para fora, aos 16. Já no minuto seguinte, Robert Lewandowski teve sua primeira brecha. Escapou em velocidade, mas demorou a definir e Julen Agirrezabala foi ótimo para abafá-lo. Havia equilíbrio.

Apesar da chance clara, o Barcelona não conseguia se impor. O Athletic recuou um pouco mais sua marcação com o tempo, mas sem dar espaço aos catalães. E os bascos podiam causar problemas. Num erro da defesa, quase Berenguer aproveitou para marcar o primeiro aos 25. Na sequência, Iñaki Williams mirou o canto e Marc-André ter Stegen desviou para fora. Já na cobrança de escanteio, aos 33, Raúl García balançou o travessão com uma cabeçada. A objetividade dos bilbaínos era maior e os barcelonistas não ficavam tão confortáveis com sua posse de bola.

Durante a reta final do primeiro tempo, o Barcelona tentava apertar o passo. Conseguia se aproximar mais da área do Athletic Bilbao e trocava passes, mesmo com problemas para encontrar uma brecha para marcar. O gol surgiu num lance esparso, nos acréscimos. Sergio Busquets abriu o passe na direita com Raphinha e o atacante soltou um tiro firme, cruzado, que Agirrezabala não alcançou. A arbitragem ainda anulou de início o tento, mas a posição do brasileiro era legal. O tento representava um alívio ao Barça e melhorava a situação para o segundo tempo.

O Barcelona voltou do intervalo com a posse. Tinha a bola no campo de ataque, mesmo sem criar ocasiões com tanta frequência. Os melhores lances do time vinham em bolas cruzadas. Numa dessas, aos seis minutos, Lewandowski cabeceou rente ao poste. O centroavante também arriscou um chute de longe por cima, enquanto Alejandro Baldé assustou num cruzamento que atravessou a área. As mudanças, no entanto, impactaram positivamente no Athletic. A equipe melhorou a partir dos 20 minutos, com as entradas de Iker Muniain e Oier Zarraga, além de Yuri Berchiche depois. Xavi, enquanto isso, trocou Ferran Torres por Franck Kessié.

A primeira grande chance de empate para o Athletic aconteceu aos 26 minutos. Berenguer escapou pelo lado esquerdo e poderia rolar para Nico Williams no meio da área. Contudo, preferiu chutar e Andreas Christensen conseguiu resvalar na bola, que ainda estalou na trave. O abafa dos Leones se mantinha, com Ter Stegen voando no canto para espalmar um chute colocado de Muniain. Na sequência, o goleiro operou um milagre ainda mais impressionante, mas havia sido anotado impedimento. Xavi fazia mais duas trocas, com as entradas de Marcos Alonso e Ansu Fati.

Neste momento, o Barcelona conseguiu ficar brevemente no ataque, mas não produzia muito. Nem mesmo Lewandowski auxiliava desta vez. E os espaços nas costas da defesa possibilitaram o contra-ataque que o Athletic Bilbao tanto gosta, aos 42. Gorka Guruzeta lançou e Iñaki Williams deixou a marcação comendo poeira, antes de mandar nas redes. Porém, na origem do lance, houve um toque de mão de Muniain. O gol foi anulado pelo VAR e o grito ficou preso na garganta. O Barça se safava. Sete minutos de acréscimos ainda permitiam aos bascos tentarem. Quase o gol saiu numa jogadaça de Iñaki, que Nico furou na tentativa de letra. A sobra ficou viva e Ter Stegen salvou o tiro de Berchiche em cima da linha, antes de Guruzeta chutar no rebote e Marcos Alonso rifar em definitivo. Não era a noite dos bilbaínos.

O Barcelona retoma a vantagem de nove pontos sobre o Real Madrid na liderança de La Liga, antes do clássico do próximo final de semana. Até por isso, essa vitória em San Mamés se torna tão importante. Já o Athletic Bilbao acumula quatro rodadas sem vencer. É o oitavo, com 33 pontos. Mas consciente de que merecia bem mais do placar neste domingo.

https://www.youtube.com/watch?v=GSkdaNEmkbM

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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