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Tem coisas que só acontecem com o Atlético de Madrid

No Brasil, costumamos dizer que algumas coisas só acontecem com o Botafogo. É aquele lado folclórico do futebol, que envolve muito mais a superstição do que a razão. Pois bem, na Espanha o equivalente ao time da Estrela Solitária é o Atlético de Madrid. É impressionante o azar da equipe madrilenha, e neste sábado essa mística se fez mais uma vez presente no Santiago Bernabéu.

Dérbi com o Real Madrid, casa lotada, merengues com 12 vitórias seguidas, favoritismo todo do lado blanco e os visitantes desfalcados de seu melhor jogador, Falcao García. Eis que o Atleti começa jogando demais, pressionando a saída de bola do Real e dominando a partida. Faz 1 a 0 aos 14 minutos em uma trama coletiva que termina com a finalização de Adrián. Fazia, até então, sua melhor apresentação nesta temporada, com Diego, Arda Turan e Salvio se movimentando muito e confundindo a marcação de José Mourinho. Simplesmente surpreendente, mas aí, o Sobrenatural de Almeida resolveu entrar em campo.

O Real tinha pouca força no ataque, Cristiano Ronaldo e Ángel di María faziam um jogo apenas regular e Karim Benzema estava sumido. Nem parecia o mesmo time avassalador das últimas partidas… Só que aos 20, o argentino achou o francês na grande área e Courtois o derrubou. Pênalti, expulsão e o empate madridista. Estava selada a sorte rojiblanca.

A partir daí, com um jogador a menos e sem força no meio-campo – Gregorio Manzano sacou Diego, que estava com cartão amarelo, para a entrada do goleiro reserva Asenjo – o Atlético foi facilmente dominado pelos merengues. Ainda resistiu bem na primeira etapa, segurando o empate, mas logo aos três do segundo tempo levou o segundo e desandou. Tomou de quatro e poderia ter sido de bem mais. Para piorar, os jogadores perderam a cabeça e muitos apelaram para a violência em diversas jogadas.

Com isso, o tabu de 12 anos sem vitórias rojiblancas sobre os blancos ganhará mais alguns meses. A última vez que o torcedor do Atleti teve uma noite feliz após um clássico madrilenho foi em 31 de outubro de 1999, quando Jimmy Floyd Hasselbaink (2) e José Mari garantiram o triunfo por 3 a 1 sobre o eterno rival, que contou com o gol solitário de Fernando Morientes. Esse dérbi, inclusive, foi o primeiro de Iker Casillas com o uniforme merengue.

Com isso, além da diferença técnica e financeira entre os clubes, o azar vai derrubando cada vez mais o Atlético de Madrid. Fora o histórico de Mourinho em jogos desse tipo: como mandante, o português nunca perdeu um dérbi em Portugal, Inglaterra, Itália ou Espanha, somando agora 18 vitórias e quatro empates. Pobre Atleti, o tabu terá vida longa.

Adendo: apenas como curiosidade, fiquei impressionado com a torcida existente hoje no Brasil para Real Madrid e Barcelona. Não que isso seja uma surpresa, mas a forma como as pessoas assistem aos jogos desses times, pra mim, é. Comentei na ESPN o dérbi madrilenho, e nunca fui tão xingado. “Torcedor do Barcelona”, “comentarista parcial”, “deve estar vestindo o uniforme do Barça” e por aí vai. Tudo porque, nos primeiros 20 minutos, principalmente, critiquei bastante o Real e elogiei muito o Atlético. Foi o suficiente para a torcida brasileira merengue me taxar de barcelonista. Atitude parecida ocorre por aqui quando criticamos determinado time em um clássico: o torcedor fanático deixa a razão de lado e pensa somente com a emoção. Se critico o Corinthians, é porque sou Palmeirense, e vice-versa. Barça e Real, ao menos nas transmissões televisivas, já têm o mesmo impacto de um clássico brasileiro no público.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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