La Liga

Tebas: “O PSG tem um título, que é o de campeão em desperdiçar dinheiro”

Tebas alfinetou os gastos desenfreados sem resultados do PSG, mas não demonstrou a devida autocrítica para avaliar os problemas de La Liga

O modelo de gestão do Paris Saint-Germain é comumente criticado na Europa. Os gastos desenfreados sustentados pela monarquia catariana são muitas vezes vistos como prejudiciais à sustentabilidade econômica do esporte, sobretudo pela inflação que geram e pela deslealdade na competição. Assim, os insucessos do clube muitas vezes são comemorados, inclusive por dirigentes – os mesmos que fazem pouco para um cerco maior da Uefa no controle de gastos, porém. Presidente de La Liga, Javier Tebas não perdeu a chance de atacar publicamente os parisienses, em palestra no chamado Festival dello Sport.

Tebas, todavia, também não mostrou autocrítica. Tratou La Liga como ambiente perfeito, quando há claros sinais de retração das finanças dos clubes espanhóis. No último mercado de transferências, La Liga foi apenas a sexta competição nacional que mais gastou em reforços, sem passar dos €440 milhões. Ficou atrás de Premier League, Pro League Saudita, Ligue 1, Serie A e Bundesliga. Sauditas, franceses e italianos gastaram praticamente o dobro dos times espanhóis, enquanto o investimento na Premier League foi mais de seis vezes maior.

“O PSG perdeu €605 milhões nas últimas três temporadas. Sem seus truques nos balancetes, seriam perdas ainda maiores. Eles têm o título de campeão em desperdiçar dinheiro. O Chelsea e o Manchester United também têm muitas dívidas, o Bayern com Kane…”, afirmou Tebas, como se o problema fosse generalizado também além da Espanha. A citação ao Bayern de Munique, sobretudo, chama atenção quando a gestão do clube é conhecida por não exagerar nos reforços em prol da austeridade financeira. Harry Kane foi exatamente uma exceção.

Tebas também falou sobre a maneira como a Premier League possui gastos massivamente maiores que La Liga. O dirigente espanhol colocou em xeque a sustentabilidade do futebol inglês em longo prazo. Por outro lado, justifica o modelo espanhol com os títulos continentais de seus clubes – muito embora a gastança antes fosse bem mais alta, especialmente de Real Madrid e Barcelona.

“Os gastos da Premier League são tremendos e é complicado manter esse ritmo. A Arábia Saudita não considero uma ameaça ainda. Ganhamos 34 títulos continentais desde 2000 e isso demonstra que dá para ser sustentável também olhando para as contas. Há equipes cada vez mais competitivas, como o Atlético, o Betis, o Sevilla, o Villarreal…”, analisou o cartola, sem considerar os mercados magros destes clubes citados, bem como as crises recentes de Sevilla e Villarreal mesmo após conquistas na Liga Europa.

A sustentabilidade em La Liga

Sobre o Fair Play Financeiro de La Liga, Tebas defendeu o sistema atualmente praticado na competição. Há críticas sobre a maneira como as restrições limitaram a atividade dos clubes no mercado de transferências. Basicamente só o Real Madrid consegue manter um volume alto de investimentos, com o Barcelona atrapalhado pela má gestão e os médios / pequenos estrangulados por suas contas. Mesmo assim, o dirigente citou o Barcelona como modelo de recuperação, após suas inúmeras alavancas financeiras para se estabilizar.

“O Barcelona só gastou €3 milhões, por isso pôde contratar neste verão. Há normas que obrigam a vender antes de contratar: a cada €100 que você guarda, pode gastar €40. O Barcelona não pode perder sua competitividade e deve se mover entre estas normas para poder incorporar jogadores. Somos um torneio sustentável, apesar das dificuldades depois da covid. Garantimos essa sustentabilidade sempre, está em jogo o futuro do futebol”, analisou.

Outro tema abordado por Tebas foi a perda de estrelas em La Liga. Para ele, as saídas de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi não configuram um problema, embora a própria roupagem do campeonato tenha mudado desde então: “O planeta inteiro se moveu, as saídas de Cristiano Ronaldo e Messi não foram um problema. Nossos números seguem sendo fantástico. Há oito anos, trabalhamos com uma estratégia de crescimento da marca, das equipes e do torneio. Somos uma liga competitiva, em parte pelo bom desempenho de nossas equipes na Europa”.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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