La Liga

Sinal dos tempos: Frenkie De Jong aparece como salvador em vitória suada do Barcelona contra o Alavés

Holandês tirou um gol da cartola para evitar mais um resultado ruim para os catalães em La Liga

Fora de casa, em má fase, num campo hostil e com um elenco repleto de jovens. A reconstrução no Barcelona não está sendo fácil, a eliminação na Copa do Rei não ajudou, mas neste domingo (23), a equipe de Xavi conseguiu um resultado sofrido e venceu o Alavés no País Basco por 1 a 0.

Do jeito Barcelona de ser, a equipe catalã ficou com a bola durante a primeira etapa, talvez até demais, sempre acima dos 70% de posse. No entanto, sem conseguir desenvolver seu jogo e sem referências ofensivas destacadas, o Barça ficou mesmo no zero enquanto procurava uma brecha na fortaleza montada pelo Alavés atrás de seu meio-campo.

A solução de tocar a bola à exaustão não ajuda na hora do aperto. Em entrevista à Movistar Plus após a partida, Xavi reconheceu que a atuação não foi boa: “Foi uma vitória importante. O campo frio não nos ajudou, custou muito para que pudéssemos criar chances claras, mas acreditamos até o final”, disse o comandante.

De fato, Xavi entendeu bem o problema: criar chances. Apenas na segunda etapa é que as coisas fluíram, e a sensação do treinador era de que estava faltando algo além de bons nomes. Luuk De Jong, uma figura bastante questionada nesse momento do Barça, perdeu na cara do goleiro Fernando Pacheco a chance de mudar o jogo, aos 18′.

Analisando os números do confronto, é visível que os catalães poderiam ter cuidado melhor da bola na hora das transições ofensivas. Não ter outra alternativa se não tocar para o lado não pode ser a marca de um time que se propõe a competir. E nesse quesito, o Barça merece críticas desde os tempos de Ronald Koeman. A herança de um time estéril e ainda mais esfacelado pela crise em que se encontra tem muito pouca responsabilidade de Xavi, que pelo menos conseguiu pacificar o clima de um clube no meio da turbulência.

Na hora de olhar para o elenco, o ataque de hoje realmente não era o dos sonhos: o trio ofensivo composto por Ferran Torres, Luuk de Jong e Abdessamad Ezzalzouli eram os responsáveis por dar dinamismo e gerar arremates à meta do Alavés. Desnecessário dizer que eles não obtiveram grande êxito na missão.

Para os bascos, estava tudo muito conveniente: sem a necessidade de atacar, um pontinho ficaria bom demais na noite. Ao todo, o Alavés chutou apenas seis vezes, sendo duas na meta de Marc-André ter Stegen. E afinal, você vai esperar algo diferente deles?

O empate mais modorrento da semana na Espanha estava encaminhado. Mas Frenkie de Jong, inimigo do tédio, fez sua mágica. O meia holandês foi o destaque do time ao lado de Pedri, e responsável pelo gol salvador. Trabalhando a bola pela direita, Ferran foi até o fundo e, de cara para Pacheco, preferiu o passe para trás, deixando De Jong apenas com a tarefa de bater para o gol. Algo que seu conterrâneo não havia conseguido 20 minutos antes.

O Barça está muitíssimo longe de qualquer briga pelo título e é assim que esse restante de temporada deve ser encarado. A missão, humilde como essa reconstrução pede, é o de alcançar pelo menos o Atlético de Madrid na zona de classificação para a Liga dos Campeões. E isso é o máximo que pode se esperar de um elenco carregado por meninos da base que subiram no meio de um furacão, carentes de referências que possam conduzir o Barcelona a um patamar superior do que o de um ex-campeão em frangalhos. São 15 pontos a menos do que o líder Real, mas apenas um atrás do Atlético, que pode até não viver grande momento, mas é o atual campeão espanhol.

A criatividade é a solução mais barata que o Barça pode adotar nesse momento. Veremos qual outro coelho sairá da cartola de Xavi nos próximos meses.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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