Simeone ganha solidez na defesa e um novo líder: Azpilicueta chega após marcar a história do Chelsea
Azpilicueta marcou seu nome em 11 temporadas no Chelsea, seis como capitão, e encorpa a defesa do Atlético de Madrid, ao lado de Söyüncü e Javi Galán
O Atlético de Madrid terminou a temporada em ascensão, diante do excelente segundo turno que fez em La Liga. No entanto, as oscilações dos colchoneros nos últimos dois anos sugeriam que o clube precisava fazer mais no mercado de transferências rumo a 2023/24. Diego Simeone ganha novos reforços. E a defesa se torna robusta com os acertos oficializados ao longo dos últimos dias. César Azpilicueta retorna à Espanha depois de 13 anos fora do país. O lateral/zagueiro permaneceu no Chelsea por 11 temporadas e, mesmo sem ser exatamente um astro, virou um símbolo de anos vitoriosos para os Blues por sua liderança até como capitão. O veterano, que fará 34 anos em agosto, assina por uma temporada com o Atleti. Não tem custos adicionais, ao chegar ao final de seu contrato.
A idade de Azpilicueta o torna um reforço de curto e médio prazo para o Atlético de Madrid. Talvez sequer se torne titular absoluto, diante da minutagem cada vez menor nos tempos de Chelsea. Entretanto, Diego Simeone ganha uma referência para o seu sistema defensivo. O navarro possui uma caminhada respeitabilíssima em alto nível e será um medalhão importante para garantir mais capacidade à linha de zaga dos colchoneros. Além disso, é um curinga e pode entrar em diferentes posições na defesa, assim como possibilitar variações – o que também se torna útil, diante dos problemas de lesão que os rojiblancos enfrentaram recentemente. Junta-se a Çaglar Söyüncü e Javi Galán, outras novidades do Atleti nesta semana.
O Chelsea abriu horizontes para Azpilicueta se consagrar
Azpilicueta não atuou por muito tempo em La Liga, mas chegou a se aproximar das 100 partidas pela competição. O lateral surgiu muito cedo no Osasuna. Nascido na cidade de Pamplona, fez sua trajetória nas categorias de base dos Rojillos e sempre foi visto com muita expectativa no clube, até pela forma como despontava nas seleções de base. Foram três temporadas como titular, antes de ser vendido ao Olympique de Marseille por €6 milhões. A partir de então, Azpi se juntou a um clube que tinha acabado de ser campeão francês e se firmou entre os melhores de sua posição na Ligue 1. Nem uma séria lesão ligamentar o atrapalhou.
O Chelsea pagou €8,8 milhões por Azpilicueta em agosto de 2012. Aos 23 anos, o defensor apresentava seu potencial e se sugeria como um bom acréscimo dos Blues, mesmo sem ser tão badalado quanto outros reforços costumeiros do clube. Porém, mesmo que muita gente apostasse que o espanhol poderia dar certo em Stamford Bridge, seu desempenho saiu muito melhor do que a encomenda. Azpilicueta se tornou uma certeza dos londrinos, independentemente de desembarcar num clube que acabava de se tornar vencedor da Champions League em 2011/12. Depois de anos com Paulo Ferreira, José Bosingwa e Branislav Ivanovic na lateral direita, o jovem estabeleceu um novo patamar ao clube.
A regularidade é um dos traços mais marcantes de Azpilicueta. Nestas 11 temporadas pelo Chelsea, em todas elas o defensor esteve em campo por pelo menos 25 partidas na Premier League. Nunca teve lesões tão custosas ou períodos de queda técnica. Exceção feita à última temporada, em todas as outras esteve em campo por mais de 2 mil minutos e bateu a marca de 3 mil minutos em cinco edições da liga. Atuou mais na lateral direita, mas chegou a fazer temporadas completas na esquerda e, a partir de Antonio Conte, também foi aproveitado como zagueiro no sistema com três homens atrás. Seu respaldo construiu através do trabalho. Foi um escape importante ao ataque, especialmente pelo bom passe, mas deu ainda mais garantias por sua solidez na defesa.
Azpilicueta se despede do Chelsea com 508 partidas, incluindo 17 gols e 56 assistências. É o sexto jogador com mais aparições na história dos Blues. Na “era moderna” do clube, só fica abaixo de John Terry e Frank Lampard. Sua grandeza se mede ainda pelas seis temporadas com a braçadeira de capitão e, claro, pelos muitos títulos. O ápice aconteceu na Champions de 2020/21, na qual Azpi se manteve como titular absoluto e teve o gosto de receber o troféu. A lista de condecorações ainda inclui duas Premier League, duas Liga Europa, uma Copa da Inglaterra, duas Copa da Liga, uma Supercopa Europeia e um Mundial de Clubes. Faturou tudo de mais importante que poderia, numa era vitoriosa dos londrinos.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
A despedida mais emotiva em meio ao desmanche do Chelsea

Azpilicueta amplia um pouco mais o desmanche do Chelsea. Até pelo inchaço do elenco nos últimos meses, estava claro como o clube precisava se desfazer de jogadores em seu processo de reformulação. Os Blues já embolsaram €220 milhões em vendas. Entretanto, mesmo saindo de graça, Azpilicueta é certamente o adeus mais emotivo. Figuras como N’Golo Kanté e Mateo Kovacic foram muito queridas, assim como Édouard Mendy e Kai Havertz tiveram seus ápices na conquista da Champions. Nada que se equipare à identificação que o espanhol criou em Stamford Bridge.
“É difícil expressar com palavras o que sinto. Foi incrível. Obrigado a todos, porque não teria acontecido sem a ajuda de tanta gente. Foi uma baita jornada. Essa é minha casa e espero ver todo mundo aqui quando voltar um dia. O amor que me deram todas as vezes é algo que tenho muito orgulho, e espero que possamos manter esse relacionamento para sempre. Estou deixando o Chelsea depois de 11 anos. Não consigo me imaginar aqui hoje, mas, vocês sabem, obrigado por tudo. Tenho muito orgulho de defender esse escudo dentro e fora de campo. Tem sido a minha vida”, declarou Azpilicueta, em vídeo de despedida.
“Em campo, todos os momentos que compartilhamos com os companheiros, funcionários e treinadores foram incríveis. Quando revejo minha primeira vez aqui em Stamford Bridge e a apresentação à torcida, até os últimos jogos, foi uma jornada e tanto. Não me imaginava capitão desse clube. Sinto que dei tudo. Amo isso”.
“Quando cheguei, vinha para o time campeão da Champions. Os vestiários estavam repletos de lendas do clube, lendas do futebol. Sabia que tinha que trabalhar pelo meu lugar. Para mim, é muito importante sair numa boa com o clube, com os novos donos. Sou grato a eles, por terem uma conversa honesta comigo e mostrarem respeito. O Chelsea é minha casa e sempre será. Espero voltar para uma despedida condizente de todos vocês. Continuem apoiando o time, o clube que vocês amam. Vocês são a alma do Chelsea. Continuem. Amo todos vocês”.
Quem saiu do Chelsea até o momento nesta janela:
- Kai Havertz, vendido ao Arsenal por €70 milhões
- Mason Mount, vendido ao Manchester United por €64,2 milhões
- Mateo Kovacic, vendido ao Manchester City por €29,1 milhões
- Kalidou Koulibaly, vendido ao Al-Hilal por €23 milhões
- Édouard Mendy, vendido ao Al-Ahli por €18,5 milhões
- Ruben Loftus-Cheek vendido ao Milan por €16 milhões
- N’Golo Kanté, saiu ao fim do contrato para o Al-Ittihad
- César Azpilicueta, saiu ao fim do contrato para o Atlético de Madrid
- Tiemoué Bakayoko, saiu ao final do contrato e segue sem clube
- João Félix, voltou de empréstimo ao Atlético de Madrid
- Denis Zakaria, voltou de empréstimo à Juventus
O Atleti pode ampliar o reconhecimento de Azpilicueta na Espanha
Pela estatura que Azpilicueta possui no Chelsea, dá para dizer que seu peso na seleção da Espanha nem é tão grande como deveria. O lateral levou títulos nas categorias de base, campeão do Europeu Sub-19 e do Europeu Sub-21. Entretanto, sua estreia em 2013 aconteceu depois do momento mais imponente do time de Vicente del Bosque. Disputou a Copa do Mundo em 2014, 2018 e 2022, assim como esteve presente na Euro 2016 e 2020. Apesar disso, não é um nome tão forte para os espanhóis quanto é para os ingleses. Uma percepção que pode mudar a partir de agora, no Atlético de Madrid.
A reta final da temporada passada foi importante para Diego Simeone renovar seus ares no Metropolitano. Depois de um período duro, em que se discutia inclusive a possibilidade de sua saída, o treinador voltou a recuperar o moral. O Atleti mostrou que pode competir por títulos, pelo futebol que apresentou nos últimos meses, mas a adição de reforços ainda é bastante importante. A permanência de Antoine Griezmann já tinha sido uma excelente notícia, especialmente pelo futebol mágico exibido pelo francês na última temporada. A defesa mais encorpada auxilia nas perspectivas dos colchoneros.
Azpilicueta não foi o único reforço para a defesa oficializado nesta semana. O Atlético de Madrid também apresentou Çaglar Söyüncü. O turco chegou de graça, ao final de seu contrato com o Leicester. A queda do defensor nos últimos meses é preocupante e ele esquentou o banco do time rebaixado. Entretanto, aos 27 anos, possui tempo para tentar recuperar o futebol que o colocou entre os melhores de sua posição na Inglaterra há algumas temporadas. Já na lateral esquerda, Javi Galán veio do Celta por €5 milhões. Apesar do momento do clube galego, o espanhol de 28 anos foi uma certeza nas duas últimas temporadas e pode auxiliar os rojiblancos. Outras novidades serão necessárias para elevar as perspectivas do Atleti. Mesmo assim, o saldo por enquanto é positivo.
🆕 ¡@CesarAzpi es nuevo jugador rojiblanco! 🔴⚪
🖊 El internacional español ha firmado por una temporada con nuestra entidad!
👋 ¡#BienvenidoAzpilicueta! 🤗 pic.twitter.com/JSYvQCEf3j
— Atlético de Madrid (@Atleti) July 6, 2023



