La Liga

Rafa Benítez volta ao futebol espanhol após sete anos e treinará o Celta na temporada do centenário do clube

Sem o mesmo cartaz de outros tempos, Rafa Benítez aceitou um desafio mais modesto e assinou com o Celta por três anos

O Celta de Vigo completará 100 anos de sua fundação no próximo mês de agosto. E os galegos resolveram trazer um treinador renomado para o seu centenário – mesmo que o novo comandante não atravesse mais seus melhores momentos faz tempo. Nesta sexta-feira, os celestes anunciaram um princípio de acordo com Rafa Benítez, em assinatura prometida para julho, quando se iniciar a pré-temporada. O madrileno assina com o Celta por três anos, naquele que será seu primeiro trabalho na Espanha desde a malfadada passagem pelo Real Madrid. No país, ainda pesa sua história à frente do Valencia, com o qual foi duas vezes campeão de La Liga e uma da Copa da Uefa. Questões familiares também facilitam sua escolha, já que sua esposa nasceu na Galícia.

“A temporada do centenário, acontecimento inesquecível e irrepetível para o celticismo, aponta para a chegada de um líder formidável ao banco de reservas: o Real Club Celta chegou a um princípio de acordo com Rafa Benítez para que o treinador madrileno possa comandar a equipe neste ano tão especial e por outras duas campanhas mais. Rafa Benítez é um dos treinadores mais premiados da história de nosso país e dirigiu equipes de primeira ordem nas principais ligas europeias. O treinador tem uma dilatada experiência nos bancos, com uma trajetória dificilmente igualável. Acumula um total de 1099 partidas no mais alto nível, com 549 vitórias e conquistas realmente invejáveis”, declarou o Celta, em seu empolgado anúncio.

A grande questão é aquilo que Rafa Benítez poderá oferecer. O treinador iniciou sua carreira na base do Real Madrid, antes de dirigir equipes como o Valladolid, o Osasuna, o Extremadura e o Tenerife – com o qual faturou o acesso na segundona. Credenciou-se para assumir o Valencia vice da Champions League e projetou ainda mais os resultados, especialmente pelos dois títulos em La Liga, em 2001/02 e 2003/04. A partir de então, Benítez passou a figurar na primeira prateleira de técnicos do futebol mundial. Era visto como alguém de vanguarda, especialmente pela maneira como seu 4-2-3-1 se tornou padrão na época. Seriam seis anos à frente do Liverpool, com o ápice na Champions 2004/05, apesar do desgaste no ano final.

A partir de então, Rafa Benítez teve mais dificuldades para se encontrar. O técnico foi mal na Internazionale, ao substituir José Mourinho em 2010. Permaneceu alguns meses de maneira interina no Chelsea, onde conquistou a Liga Europa 2012/13, mas sem se efetivar. Perdendo moral, ainda teve uma passagem razoável no Napoli, campeão da Copa da Itália em 2013/14. Entretanto, a prova definitiva de que tinha deixado o topo veio no Real Madrid. Contestado como sucessor de Carlo Ancelotti, Benítez durou um semestre no cargo em 2015/16 e viu Zinédine Zidane iniciar uma dinastia a partir de então, com o tricampeonato da Champions.

Mais recentemente, Rafa Benítez ainda fez um bom papel no Newcastle. Levou o time de volta à Premier League e o manteve na elite, bastante querido pela torcida, apesar da falta de apoio da diretoria. Após deixar os Magpies, o veterano passou um ano e meio no futebol chinês, à frente do Dalian Professional. Já o retorno recente ao Everton foi desastroso, com apenas seis meses no cargo e o risco de rebaixamento na Premier League 2021/22. Claramente não havia química com os Toffees, após fazer história com os maiores rivais. Seus recursos do passado também se perdiam.

Rafa Benítez passou mais de um ano sem clube. Mais recentemente, o nome do espanhol surgiu com força diante da falta de um sucessor para Luciano Spalletti no Napoli. Entretanto, não se sugeria uma boa escolha para os celestes. O Celta de Vigo parece mais condizente ao momento do veterano, num passo para trás que poderá ser benéfico até mesmo à sua carreira. De volta ao seu país e num clube sem tantas expectativas, poderá melhorar as campanhas recentes, mesmo que o ano do centenário gere também pressões.

O Celta vem de uma sequência de apostas entre seus treinadores que não vingaram. Nomes como Carlos Carvalhal, Eduardo Coudet e Turco Mohamed não conseguiram grandes resultados no clube. O último grande trabalho foi comandado por Eduardo Berizzo, que substituiu Luis Enrique e conseguiu levar o time à Liga Europa. Os galegos possuem uma história respeitável de aparições em competições continentais, sobretudo nos tempos do chamado “EuroCelta”. Seria um sonho se Benítez alcançasse esse patamar novamente.

O Celta vem de uma campanha em que correu riscos de rebaixamento até a reta final em La Liga. Iago Aspas continua como a grande liderança da equipe, mesmo aos 35 anos, num elenco que perdeu alguns de seus principais jogadores nos últimos anos – como Denis Suárez e Brais Méndez. Já a grande esperança é o meia Gabri Veiga, revelação da temporada aos 21 anos e vice-artilheiro da equipe. Nos bastidores, o nome forte é o de Luis Campos, que atua como assessor externo dos galegos enquanto concilia cargo no Paris Saint-Germain – uma situação no mínimo estranha. É ver se, junto com Benítez, chegam também reforços para potencializar os celestes. Sozinho, não dá para colocar na conta do treinador.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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