La Liga

Prova de sua recuperação, o Barça trucidou um perdido Real Madrid e provocou 90 minutos de pesadelo ao Bernabéu

Bem treinado e com muita fome de bola, o Barcelona goleou um Real Madrid irreconhecível por 4 a 0, num placar ainda menor que a diferença entre os times no clássico

Os últimos clássicos foram duros para o Barcelona. Em meio à crise do clube, os blaugranas perderam os cinco duelos anteriores contra o Real Madrid. E o favoritismo parecia permanecer com os merengues neste domingo, para o encontro no Estádio Santiago Bernabéu, por La Liga. Contudo, o Barça tinha esperança de que a partida servisse como um ponto de virada em meio aos acertos realizados por Xavi nos últimos tempos. O que se viu, então, excedeu as expectativas: os catalães tiveram uma das atuações mais arrasadoras da história do confronto, lembrando o auge de outrora. O Barcelona simplesmente trucidou os merengues, numa vitória em que o placar de 4 a 0 poderia ser maior. A ausência de Benzema e os sucessivos erros da defesa, muitos deles provocados pelas péssimas escolhas táticas de Carlo Ancelotti, tiveram seu peso. O que não diminui os méritos do barcelonistas por arreganharem os dentes e explorarem tamanhas debilidades com tanto vigor. Noite inesquecível ao tridente de ataque composto por Dembélé, Aubameyang e Ferran Torres.

Sem Karim Benzema, Carlo Ancelotti deixou Vinícius Júnior e Rodrygo mais abertos à frente, soltando Luka Modric e Federico Valverde na aproximação. Toni Kroos e Casemiro fechavam o meio. Enquanto isso, Nacho Fernández era o escolhido para o lugar de Ferland Mendy na lateral esquerda. Xavi vinha com um ataque muito rápido composto por Ousmane Dembélé, Pierre-Emerick Aubameyang e Ferran Torres. Pedri e Frenkie de Jong eram os escolhidos no meio, ao lado de Sergio Busquets. Já Ronald Araújo ocupava a lateral direita, com Daniel Alves no banco.

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O Barcelona não parecia se importar com o fato de que o jogo acontecia no Bernabéu. Os blaugranas adiantavam sua equipe em campo, pressionando alto e dominando as ações de início. O Real Madrid respondia com a velocidade de seus homens de frente. Rodrygo teria a primeira finalização aos cinco minutos, depois de um passe de Valverde, mas mandou pelo lado de fora da rede. Já aos sete, Vinícius Júnior pôde arrancar pela esquerda, mas demorou a ter alguém para servir. Quando Valverde chegou, bateu rasteiro, mas Marc-André ter Stegen realizou uma senhora defesa. O começo da partida era aberto e o Barça levava muito perigo pelos lados. Naturalmente, as chances da equipe também chegariam. Aos 12, Ferran Torres conectou com Aubameyang, que chutou firme e exigiu também uma intervenção difícil de Thibaut Courtois. Na sobra, o belga salvou de novo no alto contra Dembélé.

Com o passar dos minutos, o domínio do Barcelona se tornou mais claro. O Real Madrid não conseguia mais conectar seu ataque e tinha muitas dificuldades para sair jogando diante da pressão exercida pelos blaugranas. Existiam espaços imensos no meio-campo, que deixavam claros os problemas na formação de Ancelotti. Outro aviso do Barça surgiu aos 18, quando Ferran arriscou com espaço e mandou ao lado. As debilidades dos merengues se amplificavam e o time se via bastante exposto. Casemiro daria um carrinho salvador no mano a mano com Ferran na área, após um passe esplendoroso de Pedri. Do outro lado, não existia qualquer escape com o ataque madridista.

Aos 29 minutos, o tão anunciado gol do Barcelona saiu. Teria um baile de Dembélé para cima de Nacho, com o ponta abrindo espaço e cruzando na medida. Aubameyang se antecipou a Eder Militão para completar de cabeça. Auba quase anotou o segundo na sequência, mas esbarrou em Courtois, que evitava o pior. E o Real Madrid perdeu uma chance imensa do empate aos 36, num contra-ataque em que a equipe se beneficiou da lei da vantagem. Vinícius Júnior ficou de frente com Ter Stegen. Entre driblar o goleiro ou fuzilar, ele preferiu se jogar para cavar o pênalti. Claramente não foi nada e decisão do ponta foi inclassificável. Até porque o Barça ampliou logo na sequência.

O segundo gol do Barcelona, aos 38, veio numa cobrança de escanteio. Dembélé cobrou com extrema qualidade e Ronald Araújo saltou no meio dos dois zagueiros do Real Madrid, conseguindo executar a cabeçada nas redes. Ancelotti até tentou mexer no time. Valverde passou a fechar o lado direito e Casemiro se soltou para pressionar o domínio do Barcelona. Nada que resolvesse a bagunça. Aubameyang por pouco não cabeceou um cruzamento para marcar de novo. O placar era até magro, entre um time totalmente consciente de seu jogo e outro perdido em campo, entregue à sua sorte.

O Real Madrid precisava de mudanças para o segundo tempo. Ancelotti apostou em Eduardo Camavinga e Mariano Díaz, nos lugares de Dani Carvajal e Toni Kroos. Casemiro recuou à zaga. Pois as trocas geraram um caos ainda maior, em minutos desastrosos aos merengues. Ninguém entendeu a formação, nem mesmo os atletas. Logo no primeiro lance da segunda etapa, Ferran Torres saiu completamente livre diante do gol e perdeu uma chance incrível. Para sua sorte, o erro adversário se repetiria logo depois, para o terceiro gol do Barça aos dois minutos. Numa bola recuperada no meio, De Jong tabelou e passou por elevação a Aubameyang. O atacante ajeitou com um lindo passe de letra e Ferran se redimiu com uma definição de chapa, diante do atônito Courtois.

O Real Madrid sequer conseguia esboçar qualquer sinal de vida, porque os golpes se sucediam. Aos seis minutos, já surgiu o quarto gol. Gerard Piqué deu um grande lançamento. Ferran Torres fez a bola dormir no domínio e rolou para Auba. O atacante apareceu sozinho com Courtois e deu um toque leve por cima do goleiro. O lance foi anulado inicialmente por impedimento, mas o VAR validou. Com tanta confusão, os merengues já não sabiam o que fazer. E o Barça se aproveitava, com Aubameyang triscando num cruzamento que poderia render o quinto.

Um leve respiro ao Real Madrid aconteceu a partir dos 15 minutos. A equipe passou a ficar mais com a bola e até tinha uma finalização ou outra, mas sem causar problemas a Ter Stegen. Marco Asensio e Lucas Vázquez eram outras apostas. O ponto é que cada chegada do Barcelona gerava desespero e ranger de dentes na fragilizada defesa madridista. Courtois evitava o pior, espalmando uma pancada de Ferran Torres aos 19. Isso até que os blaugranas passassem a valorizar mais os passes e a diminuir o ritmo. As primeiras trocas de Xavi viriam aos 26, com Memphis Depay e Gavi, nos lugares de Aubameyang e Gavi.

Que o Barcelona não precisasse acelerar mais, o quinto parecia mais provável que o gol de honra do Real Madrid. Qualquer mano a mano causava pesadelos e, assim, Dembélé levou muito perigo numa batida ao lado da trave aos 30. Pouco depois, seria a vez de Memphis chutar firme e Courtois de novo pegar. Do outro lado, Vinícius Júnior sequer era um trunfo, muito bem marcado por Araújo. Alaba voltaria a fazer Ter Stegen trabalhar num chute forte, mas não passaria disso. Adama Traoré seria outra mudança do Barça aos 35, no lugar de Dembélé, num descanso merecido por sua ótima atuação. A reta final se alternaria entre tiros tortos do Real, a calmaria do Barça e alguns cartões amarelos. O apito final garantiu uma explosão aos barcelonistas e o ponto final de uma noite torturante aos madridistas.

O Real Madrid mantém a liderança do Campeonato Espanhol, com 66 pontos, nove à frente do Sevilla. Essa derrota, porém, é um grande golpe à confiança dos merengues no momento decisivo da temporada. O Barcelona chega aos 54 pontos, na terceira colocação. Está seguro na zona de classificação à Champions, com uma vantagem de quatro pontos. Mais importante é a certeza que esse time reformado por Xavi pode ambicionar grandes feitos, depois de um clássico tão dominante em pleno Bernabéu. Noite de alma lavada para os barcelonistas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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