La Liga

Presidente da liga espanhola: “Falta regulação para que o futebol não seja destruído”

Javier Tebas é um personagem polêmico. O presidente de La Liga, o Campeonato Espanhol, fez críticas duras ao que chamou de clubes que têm países como donos e pediu mais regulação financeira. Tebas já tinha feito duras críticas depois do Paris Saint-Germain surpreender ao pagar a multa rescisória de Neymar, € 222 milhões, em agosto. Em entrevista à Sky Sports, o dirigente foi questionado também sobre a competitividade do Campeonato Espanhol, com Real Madrid e Barcelona dominando os títulos e ficando muito à frente dos rivais.

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“Nós olhamos por cerca de 12 meses a situação no Manchester City, e estamos realmente preocupados com a estabilidade do futebol europeu, não apenas La Liga”, afirmou o dirigente. “A indústria do futebol não é a mesma que há 10 anos. É uma situação que falta regulação para que o futebol não seja destruído em muitos países”.

“A aparição de clubes de futebol com países como donos é realmente preocupante, os números estão aí. O fato que o PSG e o Manchester City terem feito os maiores investimentos em jogadores nos últimos quatro anos, cerca de 30% mais que os outros maiores investidores, diz tudo”, analisou Tebas. “Ou eles são gênios nos mundos de marketing e direitos comerciais, ou eles ganharam na loteria”.

Questionado sobre a competitividade da liga da própria Espanha, com Barcelona e Real Madrid ultrapassando a marca de 90 pontos nas últimas três temporadas, o dirigente admite preocupação. “Há muitas decisões sendo tomadas no futebol europeu que estão afetando a competitividade dos times”, disse.

“Eu não me preocupo se Barcelona ou Real Madrid irão ganhar a liga, mas me preocupa que eles vençam fazendo 100 pontos”, continuou. “Em uma liga de 20 times como nós ou a Premier League, nós temos que lutar para que as ligas sejam vencidas com um total de até 80-85 pontos e não importa quem vença”, declarou ainda Tebas.

Há um problema de falta de regulação no futebol europeu há muito tempo e, de fato, pouco foi feito em relação a isso ao longo dos anos. Até porque era conveniente não se fazer nada à medida que se formaram supertimes – notadamente Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique – que passaram a dominar o futebol europeu. A falta de regulação gerou essa força desproporcional dos três times na Europa, mas também gerou frutos como os times que possuem donos bilionários que injetaram dinheiro por anos sem regulação alguma.

A questão sobre a regulação precisa começar com o Fair Play Financeiro sendo mais efetivo, colocando de fato as finanças dos times sob a lupa. Todos os clubes, mesmo os mais tradicionais, acabam tendo muitas injeções de dinheiro que são suspeitas. Manchester City e Paris Saint-Germain são de fato casos que chamam a atenção atualmente, mas estão longe de serem os únicos que precisam ser investigados. Há times de vários tamanhos que precisam ser regulados. Enquanto o Fair Play Financeiro punir apenas marginalmente os times e excluir apenas times médios ou pequenos ou grandes de ligas periféricas, como a Turca, será insuficiente.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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