Osasuna inverte a lógica e coloca o Barcelona contra a parede durante empate em Pamplona
Pressão no final quase resultou em vitória histórica dos rojillos diante de um desfalcado Barça
Para quem está em crise, meio a zero é motivo para se comemorar. Para o Barcelona, sob o comando de Xavi, até mesmo sair de campo sem ser derrotado pode ser um avanço. Neste domingo, o Osasuna foi mais um detrator inesperado à tradição blaugrana, e do jeito que as coisas andam, o empate em 2 a 2 ainda ficou barato para os catalães, pode acreditar.
Todos querem uma casquinha do gigante
Os 15 primeiros minutos foram bastante animados no estádio El Sadar. O Barça, embora desfalcado, deu as cartas, mas não era um jogo de um time só. Mesmo se aproximando mais da área, a superioridade de posse de bola foi estéril para os visitantes. A dificuldade de criar chances, no entanto, não impediu que Gavi achasse Nico González completamente livre no meio da área. Foi um dos únicos momentos em que sobrou espaço na defesa dos mandantes, e o Barça soube aproveitar muito bem.
Empurrado pela sua torcida, o Osasuna foi pra cima e fez parecer como se fosse um jogo ordinário. Nesse contexto, o Barcelona tem sentido na pele o desprestígio pela fase que vive: todos acreditam que podem vencer os blaugrana, independente do cenário que a partida apresenta. Esse dano é difícil de reverter. O fato do Barça não ser mais temido é um grandíssimo atestado dos erros de gestão que culminaram neste momento, que curiosamente parece pior após a partida de Lionel Messi.
O Osasuna empatou. Bola parada, levantada na área, e ninguém de violeta para afastar. Jon Moncayola ergueu e o capitão David García testou para vencer Marco ter Stegen com alguma facilidade. Menos de dois minutos após o gol de Nico González, o placar estava igual novamente. E pelo que o Barça estava fazendo em campo, nada indicava que seria uma vitória fácil.
No abafa, a resposta do Barça só veio na segunda etapa. Pouco após a volta do intervalo, surgiu a oportunidade de mais um gol. A bola pipocou na área vinda da direita, a zaga do Osasuna afastou mal e Abdessamad Ezzalzouli pegou na veia para balançar as redes, aos quatro minutos da etapa final. Xavi, do banco, comemorava a boa aposta feita no jovem. Sem Memphis Depay, Ansu Fati e Pedri, o técnico precisou confiar em outros nomes para tentar vencer em Pamplona. Ezzalzouli fez bem mais do que lhe cabia e até os minutos finais, ostentava um certo heroísmo.
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Osasuna sem medo de ser feliz
Mas não era para ser o dia em que o mundo conheceu o talento Ezzalzouli. O Osasuna pareceu bem mais perigoso nos 30 minutos finais e acabou alcançando o resultado que merecia, ofuscando o grande momento da promessa blaugrana. E foi com requintes de crueldade: aos 41 minutos, Chimy Ávila pegou a sobra de um bate-rebate na frente da área e puniu o Barça com um chute rasteiro no canto, indefensável. O terceiro gol do Osasuna, a partir disso, parecia questão de tempo. Mas faltou pontaria.
O Barça se limitou a ficar na defesa para não levar a virada e contou os minutos para o apito final. Quem assistia ao jogo neste domingo, se tivesse ficado muito tempo sem acompanhar La Liga, poderia pensar: o Osasuna era o time de violeta e o Barça, o de vermelho. A postura dos dois times em campo destoou bastante do abismo de tradição e relevância que os separa.
Um simples ponto acaba sendo motivo de comemoração para Xavi. Na semana em que o clube, após duas décadas, foi relegado a disputar a Liga Europa, o som que mais se ouve nas ruas de Barcelona é o de questionamento. Onde está o estilo que fez este time gerar calafrios onde quer que pise? Onde estão os jogadores que alavancaram a história de um gigante local rumo ao domínio continental?
Xavi muito provavelmente sonhava em estar nessa posição, mas não poderia haver um momento pior para que ele estivesse ali. Logo o ex-meia, um dos notórios representantes da fase áurea dos blaugrana, receberá um caminhão de dúvidas a respeito da capacidade do elenco que tem em mãos. A situação está posta e não é animadora: o Barcelona ocupa apenas a oitava posição e vê o Rayo Vallecano ocupar a última vaga europeia do campeonato.
O que fazer quando o time não rende e você não tem como propor grandes contratações? De qualquer forma, o calvário dos culé está longe do fim. O episódio de hoje, um dramático empate com o Osasuna, fora de casa, pode nem ser um dos maiores pesadelos possíveis. Com essa bola e sem os principais jogadores capazes de alterar uma situação controversa, o Barcelona só tem a perder.



