La Liga

O Sevilla teve a vitória nas mãos até os últimos minutos, mas o Real Madrid buscou o 2×2 numa partidaça cheia de reviravoltas

O Sevilla esteve por duas vezes em vantagem, mas o Real Madrid sobreviveu no fim, em jogo cheio de discussões de arbitragem

O Campeonato Espanhol teve duas decisões paralelas neste final de semana. No sábado, o Barcelona 0x0 Atlético de Madrid deixou a desejar. O Estádio Alfredo Di Stéfano, em compensação, recebeu uma partida neste domingo com todos os elementos para ficar na memória. Tecnicamente, Real Madrid 2×2 Sevilla pode não ter sido a melhor das apresentações. Mas isso pouco importa, diante da emoção enorme e das reviravoltas ocorridas ao longo da noite. Os andaluzes pareciam capazes de voltar de vez à briga pelo título. Estiveram por duas vezes à frente no placar e seguiriam na dianteira até os acréscimos do segundo tempo. Porém, Eden Hazard viraria um “herói sem querer” aos merengues. Com um gol um tanto quanto involuntário aos 49, o belga permitiu a igualdade. O resultado não era o que os madridistas queriam, mas foi até bom, pelo sufoco que sofriam. E, mais importante a quem vê de fora, o empate mantém o cenário aberto para as três rodadas finais de La Liga.

Depois da eliminação na Champions, o Real Madrid precisava se concentrar de novo no Campeonato Espanhol. E o Sevilla inspirava cuidados redobrados na capital, ainda que a rodada parecesse favorecer os merengues, depois do empate no Camp Nou. O caminho ficaria aberto para o time de Zinédine Zidane se emparelhar com o Atlético na liderança. Faltou combinar apenas com os sevillistas, que fizeram uma partida extremamente competitiva, como vem sendo padrão desde que Julen Lopetegui chegou na temporada passada.

Os primeiros movimentos favoreciam o Sevilla. Jogando com Papu Gómez como falso 9, os andaluzes imprimiam um ritmo mais forte e se colocavam no campo ofensivo, com mais posse de bola. O Real Madrid, ainda assim, poderia ter aberto o placar aos 11. Vinícius Júnior abriu com Álvaro Odriozola, que cruzou para Karim Benzema marcar, mas o lateral estava impedido na construção da jogada. E se o começo da partida era mais estudado, os sevillistas conseguiram o gol na primeira chance clara. Numa cobrança de falta ensaiada, Ivan Rakitic ajeitou de cabeça e Fernando estava com espaço na direita. O volante deu uma finta desconcertante em Casemiro, que ficou no chão, e bateu rasteiro para tirar de Thibaut Courtois.

O tento cobrava uma resposta do Real Madrid, que sairia mais ao jogo. O Sevilla, entretanto, possui uma das defesas mais bem armadas de La Liga e concederia poucos espaços aos merengues. Mesmo Benzema não se encontrava, com o melhor lance parado por Bono, que espalmou o chute do francês para escanteio. Os madridistas tentavam também pelo alto, mas pouco finalizaram para que o empate acontecesse. Não era uma boa partida do time da casa, com dificuldades diante de um adversário melhor estruturado.

No início do segundo tempo, o Sevilla recuou ainda mais e isso permitiu que o Real Madrid arriscasse muitos chutes. Bono faria boa defesa contra Luka Modric numa dessas tentativas. Em outro lance, houve uma reclamação de pênalti por um toque no braço de Joan Jordán, mas a arbitragem avaliou que o membro estava junto ao corpo e não deu nada. Lopetegui mandou a campo Youssef En-Nesyri no lugar de Papu. E os andaluzes quase marcaram o segundo com Lucas Ocampos, não fosse Éder Militão travar o chute. Enquanto isso, os madridistas levantavam a bola na área e só não empataram aos 20 porque Vinícius Júnior perdeu uma grande chance. Depois de uma belíssima jogada construída por Modric, o ponta se enroscou com a bola e acertou a trave, mesmo livre na pequena área.

Zidane demorou para mexer, colocando Marco Asensio e Miguel Gutiérrez aos 21. Bastou um minuto para que Asensio empatasse. Após uma bola roubada por Benzema, o ponta recebeu o passe de Toni Kroos e chutou rente à trave, aproveitando o ângulo aberto de Bono. Os merengues cresceram e Valverde forçaria uma nova defesa de Bono. Já aos 29, ocorreu uma reviravolta e tanto. Numa cobrança de escanteio do Sevilla, Militão tocou com o braço na bola. O lance seguiu, o Madrid armou o contragolpe e Benzema foi derrubado por Bono do outro lado. Pênalti claro, mas era necessário revisar a jogada anterior. Como o braço de Militão estava erguido, a arbitragem avaliou o movimento antinatural e marcou a infração para os sevillistas. Os madridistas não se conformavam. Na cobrança, Rakitic retomou a vantagem aos visitantes.

Com o relógio apontando 33 minutos depois de toda a confusão, não restava ao Real Madrid outra coisa a não ser pressionar. Eden Hazard entrou no lugar de Vinícius Júnior neste momento. Contudo, os merengues não viam seu abafa dar resultado, faltando mais ideias na criação. O Sevilla se defendia com todas as forças. Com seis minutos de acréscimos, a sobrevida era maior. E foi aos 49 que saiu o empate, num lance de sorte. Kroos recebeu a bola na intermediária e, mesmo com o caminho fechado, arriscou o chute. A bola desviou no pé de Hazard, que era marcado por Diego Carlos, e enganou Bono. O esforço dos sevillistas era em vão. Nos dois minutos restantes, até pareceu que poderia rolar uma virada, mas o chute de Casemiro saiu raspando a trave. Ficou o movimentado empate.

Da chance de igualar a pontuação do Atlético de Madrid, o Real Madrid apenas se emparelha ao Barcelona. Os dois rivais ficam com 75 pontos, enquanto o Atleti soma 77. Já o Sevilla praticamente se despede da disputa, faltando apenas mais três rodadas. Com 71 pontos, os andaluzes precisavam desse triunfo, ainda mais depois da derrota contra o Athletic Bilbao na última segunda-feira. Os rojiblancos não deixaram de lutar, mas a sorte esteve do outro lado no último momento.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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