La Liga

O Real Madrid precisa agradecer sua sorte, em duelo no qual o Valladolid merecia mais

O Estádio Santiago Bernabéu abrigava o confronto de dois clubes com dimensões bastante distintas. O poderoso Real Madrid recebia o modesto Valladolid, recém-promovido à primeira divisão do Campeonato Espanhol. A beleza do futebol, entretanto, está justamente na possibilidade de encurtar distâncias. Os merengues vinham pressionados pelo péssimo momento, precisando de uma vitória para recobrar a calma em La Liga. Os violetas, por outro lado, fazem um começo de campanha muito acima das expectativas. E no fim das contas, por mais que o “peso da camisa” tenha preponderado, os madridistas não podem reclamar da sorte. Poderiam muito bem ter visto os adversários triunfarem e só construíram a vantagem a partir de um lance sem querer de Vinícius Júnior. Vitória por 2 a 0, que garante um alívio momentâneo aos comandados de Santiago Solari, mas não agrada.

Havia uma clara pressão no Bernabéu. Durante os primeiros minutos, Sergio Ramos ouviu vaias e a torcida pediu aos jogadores para atuarem com “colhões”. O Real Madrid começou a partida de maneira mais ofensiva, mas tinha dificuldades para furar o bloqueio do Valladolid, principalmente pela boa marcação na cabeça de área. A posse de bola não tinha muita serventia, com as poucas oportunidades criadas. Em compensação, os violetas começaram a sair mais ao ataque durante os 15 minutos finais e assustaram bastante – principalmente em bola de Antoñito, que saiu de frente para Thibaut Courtois e sua tentativa de encobrir o goleiro saiu por cima. Na ida aos vestiários, vaias aos anfitriões.

No início do segundo tempo, o Real Madrid pressionava, mas também cedia espaços ao Valladolid. Se Casemiro teve duas boas chances de um lado, obrigando o goleiro Jordi Masip a boa defesa, a resposta seria ainda mais contundente do outro. Rubén Alcaraz carimbou o travessão e, logo depois, Courtois fez uma defesaça diante de Toni Villa. Como se não bastasse, o travessão ainda salvaria os merengues mais uma vez, em bomba de Villa que tinha endereço. A preocupação era evidente nas arquibancadas.

Somente na reta final do jogo, com as alterações efetuadas por Solari, é que a persistência do Real Madrid daria resultado. Vinícius Júnior saiu do banco aos 29, no lugar de Marco Asensio. Mais uma vez, dava a qualidade que não se via muito em sua equipe, buscando as jogadas individuais. E assim poderia sorrir aos 38 minutos. Seu cruzamento bateu em Kiko Olivas e tirou a bola do alcance de Masip, morrendo nas redes. O garoto celebrou como se ele tivesse marcado. Por fim, o alívio completo se deu aos 42, em pênalti sofrido por Karim Benzema que Sergio Ramos, ainda vaiado, anotou.

Por aquilo que fez no Bernabéu, o Valladolid merecia um resultado bem melhor. Jogou de igual, defendeu-se com competência, criou ótimas chances. Futebol, porém, muitas vezes é detalhes. E estes penderam ao Real Madrid. Depois de cinco rodadas sem vencer, os merengues chegam aos 17 pontos, na sexta colocação. Estão atualmente a dois pontos do G-4 e a quatro do líder Barcelona, mas as diferenças podem voltar a aumentar na sequência da rodada. Já o Valladolid interrompe a boa sequência e aparece em sétimo, um ponto atrás. Tem bons elementos para fazer uma campanha segura neste retorno à primeira divisão. Aos madridistas, com ambições bem maiores, fica claro que a sorte pode ajudar, mas nunca é suficiente.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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