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O Rayo Vallecano foi senhor do jogo contra o Barcelona e garantiu uma vitória inquestionável

O Rayo foi superior ao Barcelona em praticamente todos os aspectos do jogo em Vallecas e bateu os líderes com autoridade, para seguir sonhando com vaga nas copas europeias

O Rayo Vallecano conta com um dos melhores técnicos de La Liga. Mesmo com um elenco limitado pelas condições financeiras do clube, Andoni Iraola consegue firmar os franjirrojos na metade superior da tabela. O time já tinha chamado atenção na última temporada e, na atual, mantém o fôlego para sonhar com uma vaga nas copas europeias. Tais credenciais foram reafirmadas com uma enorme vitória em Vallecas, com os 2 a 1 sobre o líder Barcelona. Tudo bem que o nível de motivação dos catalães atualmente é baixíssimo, mas o Rayo foi senhor da partida. Controlou melhor a posse de bola, cedeu pouquíssimo na defesa e balançou as redes com precisão, em duas ótimas investidas contra a melhor zaga do campeonato. Foi um resultado inquestionável. Vale lembrar que os rayistas já tinham empatado com o Barça e vencido o Real Madrid no primeiro turno.

Os dois times imprimiram grande intensidade sem a bola durante os primeiros minutos. A marcação alta era padrão para ambas as equipes, mas as saídas de bola mantinham a segurança e ninguém se complicava. O problema para o Barcelona é que a postura do Rayo Vallecano não dava brechas para o seu ataque. A atuação dos blaugranas era muito pobre, sem qualquer tipo de penetração. E os rayistas se aproveitaram disso para abrir o placar. Um aviso enorme surgiu aos 17, numa bola perdida por Pedri. Sergio Camello ficou de frente para o crime e chutou rasteiro, mas Marc-André ter Stegen operou um milagre. O que pouco adiantaria.

O primeiro gol do Rayo Vallecano saiu na sequência, aos 19. Numa bola esticada para Camello, o atacante ganhou na força de Gavi e abriu espaço na intermediária. Mandou o passe pelo lado esquerdo da área, com Álvaro García, que acertou uma chicotada no cantinho de Ter Stegen. O resultado era merecido. O Rayo Vallecano era mais preciso em seus momentos e também se mostrava mais competente na proteção. Letárgico, o Barcelona encontrou dificuldades para responder.

Robert Lewandowski só deu um sinal de vida aos 23, mas parou em Stole Dimitrievski no mano a mano. Depois, seria a vez de Ronald Araujo errar o alvo após escanteio. O Barcelona tentava apertar o passo, mas o Rayo Vallecano era empurrado por sua torcida e marcava com vigor. Diante da postura dos rayistas, os barcelonistas erravam muitos passes na hora de circular a bola. A única esperança veio aos 42, numa bola que Lewandowski bateu nas redes, mas estava impedido e viu o gol de empate anulado. Raphinha tinha um gás para alguns lances mais rápidos, mas era pouco.

O segundo tempo recomeçou com a mesma inoperância do Barcelona. E o Rayo Vallecano aproveitou para ampliar aos oito minutos. Uma dividida na intermediária seria chave para os madrilenos. Fran García disparou de trás e ganhou a disputa com Frenkie de Jong no meio. Então, acelerou mais e pegou a defesa desmontada, com um rombo no setor de Araujo. O lateral invadiu a área sozinho e, na saída de Ter Stegen, deu um toquezinho por baixo. A situação do Barça ficava bem pior, especialmente pela diferença de qualidade entre os dois times na noite até então.

Xavi tentou mudar o time aos 12 minutos, com Jordi Alba e Ansu Fati. Nada que gerasse muito efeito. O Rayo Vallecano fechava os espaços na defesa com perfeição e rodava os passes com calma quando recuperava a posse. Camello quase anotou o terceiro aos 19, em bola que passou perto da meta de Ter Stegen. O Barcelona parecia morto, sem muito interesse em virar o cenário. O time só teve uma finalização até os 37 minutos do segundo tempo. Quem ofereceria mais gás seriam os outros substitutos. Franck Kessié, Pablo Torre e Eric García foram novidades.

O Barcelona balançou as redes aos 38, sem merecer muito. Kessié chutou mascado e a sobra ficou viva na área, Lewandowski chegou antes da marcação e fuzilou, enfim rompendo o jejum de gols que durava há quatro partidas. Mas não que os blaugranas jogassem para tanto. Sequer o gol fez os barcelonistas acreditarem. O Rayo Vallecano podia estar desgastado, mas conseguiu evitar os riscos e permanecer um bom tempo no campo de ataque para gastar o tempo. A festa era da sua torcida.

O Barcelona continua tranquilo na liderança de La Liga. Começou a rodada com 11 pontos de vantagem e terminou com 11 pontos de vantagem, graças à derrota paralela do Real Madrid. Contudo, é mais um resultado que mostra como o time perdeu fôlego neste fim de temporada. Só conquistou uma vitória nos últimos quatro jogos do torneio. Já o Rayo Vallecano, que nem vinha tão bem mais recentemente, reforça seu sonho de pintar nas copas europeias. Recupera a nona colocação, com 43 pontos. Está a quatro pontos da zona da Conference, numa disputa bem parelha. Com sete rodadas pela frente, ainda dá tempo.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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