La Liga

O Rayo é mais um a derrubar o Barça dentro do Camp Nou, no primeiro triunfo dentro do estádio em 22 anos

O Rayo Vallecano marcou o gol logo cedo e segurou o resultado ferrenhamente na defesa, contra um Barcelona que não engrenou

O Barcelona viveu um baque contra o Eintracht Frankfurt, pela eliminação na Liga Europa e também pela invasão da torcida alemã. Desde então, os blaugranas entraram em espiral no Camp Nou. Na segunda-feira passada, a equipe de Xavi tinha sofrido a primeira derrota em casa para o Cádiz. Já neste domingo, o terceiro revés consecutivo na Catalunha permitiu a festa do Rayo Vallecano, na primeira vitória em 22 anos no estádio. Os franjirrojos atravessavam péssima fase em La Liga, mas voltaram a vencer nesta semana e aproveitaram a visita ao Barça para celebrar um triunfo raríssimo. Os madrilenos marcaram no começo e suportaram a pressão, com grande atuação defensiva para segurar o placar de 1 a 0. Mas, apesar do abafa, os blaugranas também deixaram a desejar. Aquele ápice atingido no clássico se perdeu ultimamente e o time volta a perder fôlego.

O Rayo Vallecano travou o início do Barcelona e deixou o jogo a seu favor com seis minutos, quando abriu o placar. O caminho para as redes começou com um lançamento primoroso de Isi Palazón. Álvaro García conseguiu se desmarcar, dominou com categoria e fuzilou diante de Marc-André ter Stegen. Era um baque para os barcelonistas, que de novo se viam no prejuízo dentro de casa. Os blaugranas tiveram dificuldades para responder, com posse de bola, mas poucas ideias diante da fechada marcação franjirroja.  Não existia infiltração e nem profundidade, o que mantinha a meta de Stole Dimitrievski bem protegida. A bola pipocava na área e a defesa bloqueava os arremates.

Somente depois dos 24 minutos é que o Barcelona começou a criar mais no campo de ataque. Precisava arriscar chutes de média distância e cruzamentos, já que seus atacantes se viam encaixotados. Jordi Alba teve um tiro de longe que passou perto e o lateral era um dos poucos que tentavam algo diferente. Mesmo Ousmane Dembélé não era tão efetivo dessa vez. A melhor chance viria apenas aos 41, na sequência de um escanteio. Gavi bateu colocado e acertou o travessão. Ferrán Torres anotou no rebote, mas estava impedido.

O Barcelona voltou para o segundo tempo com Clément Lenglet no lugar de Sergiño Dest, para arrumar a defesa. Porém, isso não significava uma melhora da equipe. Logo aos três minutos, quase o Rayo faz estrago numa bola cruzada. Os ataques barcelonistas não tinham muita conexão e o time errava bastante na conclusão das jogadas, diante de um adversário bem posicionado. De novo, a primeira chance viria com Jordi Alba aos 13, em batida desviada para fora. Aos 15, Xavi voltou a mexer na equipe, com as entradas de Nico e Memphis Depay. As dificuldades persistiam.

O tempo passava e o Barcelona só passou a exercer uma pressão maior a partir dos 25. Luuk de Jong e Adama Traoré seriam outras duas mexidas, incluindo a saída de Eric García para o time atuar com quatro atacantes. O Rayo se continha ao trabalho defensivo e, quando ameaçou, foi num erro de Ter Stegen que quase custou caro. Entretanto, a iniciativa era mesmo do Barça, que seguia desperdiçando, mas ao menos criava. Memphis recebeu algumas bolas, mas falhou nos arremates. Por conta dos atendimentos médicos, seriam 11 minutos de acréscimos, que concediam sobrevida aos catalães.

O Barcelona reclamaria muito de um pênalti claro não anotado sobre Gavi, embora tenha sido marcado um impedimento anterior. Não que a arbitragem fizesse bom papel, porém. A reta final seguia com uma blitz barcelonista, liderada principalmente por Adama Traoré. O atacante parava em Stole Dmitrievski, que faria uma sequência de defesas decisivas no apagar das luzes – incluindo uma bomba à queima-roupa de Traoré e outro chute no cantinho de Dembélé, no qual foi ajudado pela trave. À medida que o tempo passava, o Barça dava mais sinais de nervosismo. Quase tomou o segundo, ainda, em tiro de Ismaila Ciss que estalou a trave aos 55 minutos. Por fim, Dembélé ainda teve as últimas oportunidades. Errou um chute, mas em outro viu Alejandro Catena salvar quase em cima da linha. Parecia que não importava o quanto os barcelonistas insistissem, a bola não entraria. E não entrou mesmo, até o apito final.

O Barcelona fecha a rodada na segunda colocação de La Liga, com 63 pontos, igualado ao Sevilla. São seis pontos de vantagem dentro do G-4, ainda uma situação confortável. Já o Real Madrid precisa apenas de um empate para confirmar o título no próximo final de semana, contra o Espanyol. O Rayo Vallecano, por sua vez, respira aliviado. É a segunda vitória consecutiva, após quatro meses sem ganhar por La Liga. Os franjirrojos chegam aos 40 pontos, no 11° lugar, e se afastam dos temores de rebaixamento.

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Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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