O lanterna bateu o líder: Leganés deixa Barça aos seus pés e encerra a invencibilidade blaugrana

A rodada de La Liga guardava um duelo de extremos. O Barcelona aparecia soberano no topo da tabela, apesar do tropeço contra o Girona no final de semana. Enquanto isso, o Leganés jogava diante de sua torcida e tentava escapar da incômoda situação na última posição, com quatro derrotas e um empate nas cinco primeiras rodadas. O Estádio Municipal de Butarque até poderia se preparar ao pior. No entanto, terminou vendo uma vitória histórica dos pepineros. De virada e com dois gols-relâmpago, os anfitriões encerraram a invencibilidade do Barça e triunfaram por 2 a 1. Foram muito mais intensos na partida, em fraca atuação dos catalães. Méritos também ao goleiro Pichu Cuéllar, fundamental para segurar o resultado, com uma sequência de defesas inacreditável para evitar o empate.
Ernesto Valverde poupava parte de seus titulares na visita ao Leganés. O trio de ataque teve Lionel Messi acompanhado por Ousmane Dembélé e Munir El Haddadi. Já na lateral esquerda, um descanso a Jordi Alba, com Thomas Vermaelen caindo por ali. Enquanto isso, o Leganés vinha com uma formação contida, apostando em duas linhas de marcação com nove homens, sendo cinco na defesa. Nada que significasse, porém, uma retranca dos anfitriões.
Não demorou para que o Barcelona abrisse o placar. O primeiro gol saiu aos 11 minutos, em lance de extrema beleza protagonizado por Philippe Coutinho. O meio-campista acertou um belíssimo chute sem deixar a bola cair e conseguiu superar o goleiro Pichu Cuéllar. Até parecia uma ocasião tranquila aos blaugranas, com Lionel Messi carimbando a trave pouco depois. Todavia, logo o Leganés começou a sair para o jogo. A partir dos 25 minutos, os pepineros se soltaram mais, botando velocidade em suas saídas ao ataque e apostando nas ligações diretas. Não conseguiram marcar apenas porque Marc-André ter Stegen estava inspirado, realizando duas boas defesas para manter a vantagem dos blaugranas.
A história do jogo mudaria definitivamente a partir do segundo tempo. Aos seis minutos, o Leganés arrancou o empate. Se as principais criações no primeiro tempo nasciam nas laterais, foi por lá que os pepineros encontraram o caminho do gol. Após ótimo lançamento, Jonathan Silva cruzou e Nabil El Zhar cabeceou com firmeza. E a virada seria praticamente instantânea, a partir de uma bobeira de Gerard Piqué. Logo depois da saída de bola, os anfitriões recuperaram a posse e lançaram ao ataque. O zagueiro blaugrana tinha o domínio do lance, mas tentou dar um passe espetado e entregou o presente a Óscar Rodríguez. Sozinho na área, o meia bateu de primeira e mandou para as redes.
Não demoraria para Valverde queimar suas três substituições. Em apenas dez minutos, antes dos 25, realizou todas as alterações. Mandou a campo Luis Suárez, Jordi Alba e Malcom. No entanto, o Leganés fazia muito bem seu trabalho na marcação. Não se continha apenas a se retrancar, dificultando bastante a construção de jogo dos catalães. Assim, as chances de gol foram relativamente raras, a quem precisava buscar o empate contra um adversário teoricamente inferior. O lance mais claro aconteceu aos 34 minutos. E contou com duas defesas espetaculares do goleiro Cuéllar para segurar o placar. Primeiro, espalmou um chute forte de Coutinho. Pois, mesmo caído, conseguiria se recuperar para rebater o arremate à queima-roupa de Ivan Rakitic. Milagres que valeram os três pontos. Por mais que o Barcelona tenha ficado devendo bastante, a postura ativa do Leganés foi fundamental ao resultado. No final, ainda dava para ter saído o terceiro gol, em um contragolpe não aproveitado pelos alviazuis.
A derrota pode tirar o Barcelona da liderança, mas esse parece o menor dos custos. Muito pior é a fraca atuação do time de Ernesto Valverde, criando pouquíssimo. Sem que Messi estivesse bem na partida, os visitantes dependeram basicamente das chegadas dos meias para buscar suas raras oportunidades. Pouco, a uma equipe que precisa de alternativas de jogo, um problema que não vem de hoje. Além disso, a solidez defensiva, uma das marcas na conquista da última Liga, vai para o ralo. Por outro lado, o Leganés pode se levantar. A temporada não será fácil, após diversas mudanças no clube. A surpresa contra os blaugranas, ao menos, demonstra que dá para evitar o pessimismo e seguir em frente na primeira divisão. O que ocorreu nesta quarta, em Butarque, é exemplar.



