La Liga

O Celta aterrorizou até o último suspiro, mas o Barça segurou na unha o magro triunfo antes do clássico

Ter Stegen salvou o Barcelona num segundo tempo de martírio e garantiu o time em pé de igualdade com o Real Madrid para a visita ao Bernabéu

Marc-André ter Stegen fez algumas temporadas pelo Barcelona em que só não era mais importante que Lionel Messi para o clube. Seu protagonismo diminuiu com a queda de desempenho da equipe nos últimos anos, mas ele permanece como um goleiro capaz de garantir pontos fundamentais. E num momento em que o Barça já não encanta tanto nesse início de La Liga, o alemão fez toda a diferença no Camp Nou. Os blaugranas sofreram para derrotar o Celta por 1 a 0. Foram muito melhores no primeiro tempo e também pararam em Marchesín, mas o segundo tempo se tornou um martírio e Ter Stegen salvou o pior diante de Iago Aspas. É um resultado importante ainda mais pensando na próxima rodada, com a visita ao Real Madrid no Bernabéu. Os catalães chegarão com a liderança no saldo.

O desfalcado Barcelona vinha com vários improvisos na zaga. Alejandro Balde era o lateral direito, com Gerard Piqué e Marcos Alonso na zaga, além de Jordi Alba na esquerda. Apesar disso, os blaugranas se mostravam dispostos a resolver rápido. Pressionaram bastante de início e esbarraram em Agustín Marchesín. O goleiro fez uma defesa sensacional em pancada rasteira de Raphinha aos dez e logo depois salvou seu time de novo, diante de Ferrán Torres. A posse de bola superava os 80% e o gol seria inescapável aos 17. Num cruzamento de Gavi que Unai Núñez não afastou, Pedri apareceu sozinho para concluir nas redes.

Jordi Alba acertou a lateral da rede em busca do segundo, mas o Barcelona diminuiu o ritmo na sequência do primeiro tempo. O Celta incomodaria mais nos 15 minutos finais, depois de permanecer muito recuado no início da partida. Marc-André ter Stegen foi providencial numa saída contra Franco Cervi, lançado por Iago Aspas. Os galegos tinham um pouco mais de escape, mas não complicavam realmente os blaugranas. Pelo menos evitavam um risco maior. Antes do intervalo, o Barça pediu um pênalti sobre Raphinha que a arbitragem não assinalou.

O segundo tempo apresentou um Celta bem mais corajoso. E um aviso do risco para o Barcelona aconteceu aos três minutos, quando Iago Aspas acionou Óscar Rodríguez, que desperdiçou a oportunidade e bateu para fora. Ter Stegen sentiu as costas e virou uma preocupação, mas seguiu em campo. E quando os blaugranas chegaram na frente, Marchesín fez uma defesa surreal num arremate à queima-roupa do apagado Robert Lewandowski, em lance anulado por impedimento. De qualquer maneira, o jogo ficava pendendo aos galegos. Ter Stegen e Marcos Alonso salvaram o time nessa sequência, ao travarem duas batidas na área.

O Barcelona mandou a campo Ansu Fati, Frenkie de Jong e Ousmane Dembélé aos 19, com as saídas de Ferran Torres, Pedri e Raphinha. Nada que tenha melhorado o time. O Celta abafava bastante. Teria um gol anulado aos 25, por impedimento, e a defesa barcelonista se segurava como podia. O volume de jogo dos celestes era enorme. Os blaugranas tinham uma escapada ou outra com Dembélé, enquanto o bombardeio era galego. Ter Stegen fez um milagre com o pé aos 39, quando Aspas estava a ponto de empatar. Era impressionante como o time não se rendia, o que continuou nos acréscimos. Seriam mais algumas chegadas perigosíssimas, incluindo uma batida de Gonçalo Paciência na trave em lance impedido. O apito final foi um alívio ao Barça.

O Barcelona soma 22 pontos em La Liga e volta a se emparelhar ao Real Madrid. A vantagem atual dos blaugranas para ficar na primeira colocação está no saldo, mas vale lembrar que o confronto direto é o principal critério de desempate na competição. Será assunto para os rivais resolverem no próximo final de semana, dentro do Bernabéu. O Celta é o 11° colocado, com 10 pontos. Fez uma atuação que mostra potencial, depois de ter vencido o Betis na volta da Data Fifa.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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