La Liga

O Cádiz é mais um a aprontar no Camp Nou, ao vencer o Barcelona e romper os 15 jogos invictos por La Liga

Ledesma fechou o gol no Camp Nou e fez uma série de defesas decisivas, mas o Cádiz criou até para ampliar a diferença

O Barcelona veio de uma semana conturbada, após a eliminação na Liga Europa diante do Eintracht Frankfurt. E o reencontro da equipe com o Camp Nou nesta segunda-feira guardou outra partida amarga. A sequência de 15 partidas de invencibilidade por La Liga, incluindo sete vitórias consecutivas, se rompeu contra o ameaçado Cádiz. Os Piratas foram muito perigosos nos contra-ataques, abriram o placar no início do segundo tempo e até criaram chances para mais. Além disso, contaram com uma grande atuação do goleiro Jeremías Ledesma, que acumulou grandes defesas para frustrar o Barça e assegurar o 1 a 0 no marcador. Se o impacto da derrota não se reflete tanto na tabela aos barcelonistas, o Cádiz agradece ao escapar da zona de rebaixamento.

Após a invasão da torcida do Eintracht Frankfurt no Camp Nou, o Barcelona viveu uma partida de protestos. O setor responsável por puxar os cânticos nas arquibancadas não compareceu, para deixar clara a insatisfação contra a venda de ingressos de outros torcedores aos alemães. No fim das contas, a atmosfera do Barça como mandante se via mais prejudicada.

Num começo mais ativo do Barcelona, a primeira chance surgiu logo aos três minutos. Ousmane Dembélé invadiu a área pela direita e parou no goleiro Jeremías Ledesma, que também salvou a sobra contra Ferrán Torres. A maior parte das jogadas do Barça partia com Dembélé, com mais fome de jogo que qualquer outro companheiro. Mas não que as intenções barcelonistas tivessem tanta continuidade. Por mais que o Cádiz se limitasse a algumas estocadas, conseguia travar os adversários na marcação e fazia bom papel ao longo da primeira etapa.

Os melhores momentos do Cádiz vinham com Lucas Pérez. Durante grande parte do primeiro tempo, Marc-André ter Stegen conseguia se antecipar e evitava as finalizações. Aos 28, porém, o atacante apareceu sozinho para definir dentro da área e desperdiçou o cruzamento de Raúl Parra, mesmo com muito espaço. Por mais que o Barcelona tivesse sorte neste momento, não conseguiu responder na mesma moeda até o fim da primeira etapa. Na melhor tentativa, Dembélé mais uma vez seria repelido por Ledesma. Mesmo com ampla posse de bola, os blaugranas deixavam a desejar.

O primeiro tempo insatisfatório do Barcelona se emendou com um pesadelo no início do segundo. O Cádiz abriu o placar logo aos três minutos. Após o cruzamento, Rubén Sobrino tentou duas vezes e Ter Stegen conseguiu salvar ambas, mas Lucas Pérez cutucou para dentro na sobra. Os visitantes ficavam ainda mais confortáveis na situação. O Barça tentou uma resposta imediata em lance de Sergiño Dest, mas Dembélé acabou batendo para fora. A pressa dos blaugranas se tornava maior.

Aos 16, Pierre-Emerick Aubameyang veio no lugar de Memphis Depay, que pouco vinha ajudando. O Barcelona estava todo no campo de ataque e sitiava os arredores da área do Cádiz, mas o duelo particular ainda ficava entre Dembélé e Ledesma. Numa cobrança de falta do francês, Ledesma afastou o perigo e logo depois o goleiro também salvaria um tiro de longe. Chegaria até mesmo a domar uma bola de cabeça, após não conseguir fazer a defesa completa em testada de Luuk de Jong.

O Cádiz, todavia, não estava totalmente morto. Num contra-ataque, aos 31, Álex Fernández apareceu em ótimas condições e bateu para fora, ao lado da trave. Pouco depois, seria a vez de Sobrino chegar chutando e Ter Stegen evitar o pior com um leve desvio por cima. Mas, apesar dos sustos, o Barcelona continuava em cima. Ledesma era excepcional para impedir o empate e rebateu no susto uma batida venenosa de Eric García por baixo. Exposto, o Barça quase tomou um gol contra, em desvio de Jordi Alba que bateu na trave. A figura do jogo, ainda assim, era mesmo Ledesma.

O goleiro do Cádiz faria uma defesa ainda mais impressionante aos 45, num desvio à queima-roupa de Aubameyang. A reta final de jogo ficaria mais brigada e os Piratas também tentavam usar o relógio a seu favor, gastando um pouco mais de tempo. Os méritos dos visitantes, mesmo assim, vinham na bola. Ter Stegen barrou o segundo mais uma vez, num chute rasteiro de Iván Alejo que veio no contrapé. Com sete minutos de acréscimos, algumas faíscas saíram. Até que o apito final gerasse uma efusiva comemoração dos visitantes pelo resultadaço.

O Barcelona ainda preserva a segunda colocação, mas a situação está embolada, com 60 pontos ao lado de Sevilla e Atlético de Madrid. O Real Madrid, com 75 pontos e mais seis rodadas pela frente, espera apenas a hora de celebrar o título. Já o Cádiz leva três pontos vitais. Chega aos 31, dois a mais que Granada e Mallorca, deixando a zona de rebaixamento. Numa briga muito acirrada, o triunfo no Camp Nou vale ouro.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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