La Liga

O bom e velho placar mentiroso: Barcelona derrota o Valencia em tarde frenética

Aubameyang marcou três, mas o Barça não jogou tanto assim para justificar o placar

O Barcelona está tentando se reencontrar com o bom futebol sob o comando de Xavi Hernández, e ao menos por alguns minutos neste domingo, o sonho se realizou. Um time tão grande e tão imerso em crises internas como o Barça quer mais, independente da fase. O placar de 4 a 1 contra o Valencia, no Camp Nou, foi uma amostra do que a organização pode fazer com adversários, ao menos nos 45 minutos iniciais.

O jogo era grande e o Barça sabia disso. Receber o Valencia, que não objetiva grandes coisas na temporada, era uma chance de afirmação. Nesse contexto, os comandados de Xavi fizeram o que lhes cabia, que era transformar a posse de bola em pressão na área dos Che. Lentamente explorando espaços para fazer suas infiltrações, o Barça achou a mina de ouro depois dos 20 minutos.

E quando encontrou o caminho, seguiu por ele até consolidar a vitória. Foi assim que Jordi Alba lançou um bolão para Pierre-Emerick Aubameyang entrar na área e escolher o canto para bater o goleirão Georgi Mamardashvili, abrindo o placar. De repente, a porteira do Valencia estava escancarada para o resto da boiada passar. Carregando a bola até o canto da área, Ousmane Dembelé teve frieza para parar a corrida e jogar no meio da área para Frenkie De Jong completar. Foi uma boa triangulação de passes que acabou em gol, aos 32 minutos.

Na marca dos 38, mesmo roteiro: passes rápidos, mudança de direção, bola em Gavi e cruzamento à meia-altura na área. Aubameyang só empurrou, com ainda mais facilidade do que havia encontrado no lance do primeiro gol. Era um banho de futebol do Barça, que conseguiu o que queria, resolveu o jogo e baixou a pressão para poder se preservar. O problema é que o Valencia de Pepe Bordalás também sabe machucar um adversário.

Os Che, que já haviam marcado antes, com José Gayà, mas a arbitragem anulou por impedimento. Graças ao bandeira, o goleirão Marc-André ter Stegen escapou de levar um frangaço. Valentes, os visitantes empurraram demais até que um novo lance resultou em bola na rede. Aos 43, o meia Carles Soler pegou um rebote de voleio e explodiu as redes do Barça, mas na revisão do lance, foi detectado que a bola saiu pela lateral na origem do lance, anulando mais uma vez o gol valenciano.

Soler teve sua vingança na segunda etapa, marcando o único gol visitante, aos seis minutos. O cruzamento na medida de Bryan Gil achou a cabeça do camisa 10 valenciano e Stegen teve de se contentar em tirar a bola do fundo do gol. Mas foi pouco. O arqueiro alemão fez quatro defesas importantes para barrar ímpeto do Valencia na segunda etapa, evitando uma reação que teria alterado a dinâmica da partida. Se dependesse da defesa blaugrana, poderia ter sido um placar bem diferente.

No pouco que atacou na segunda etapa, o Barça teve sorte. Como no lance em que o mar se abriu para Pedri. O meia estava no lugar certo para receber um passe e calcular a força e a precisão de um chutaço que acertou no alto da meta de Mamardashvili. Um golaço da prata da casa que deu números finais ao confronto.

O Barcelona sai do confronto com bons pontos de melhora. A presença de Aubameyang agregou bastante em termos de finalização e agilidade, o que se viu nos gols do gabonês. Com Dembelé interessado em jogar, Xavi também ganha um reforço que pode quebrar linhas e trazer muitos dribles em áreas cruciais, abrindo espaço ou oportunidade para passes e chutes a gol. O cenário que o técnico encontra nesse momento da temporada é muito melhor do que o que foi encontrado quando substituiu Ronald Koeman no comando técnico, incluindo a quarta posição na tabela, à frente de Villarreal e Atlético.

Ao Valencia de Bordalás, que fez mais uma boa partida contra um grande, o placar não condiz com o que foi mostrado em campo. Mas a tendência do time alvinegro a simplesmente se desligar da partida (basta lembrar a virada sofrida contra o Atlético) e tomar gols com facilidade precisa ser resolvida se Bordalás quiser chegar empregado ao fim da temporada, ou com possibilidade de brigar por uma vaga europeia. Por agora, até isso parece um sonho distante para o interessante treinador.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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