La Liga

O Barça afundou o Real Madrid em seu pesadelo: um atropelamento histórico por 5 a 1

Há uma velha máxima no futebol que garante: não existem favoritos em clássicos. Não importa a fase de um time, a atmosfera sempre será diferente em um jogo de grande magnitude. Era nisso que o Real Madrid se agarrava, antes da visita ao Camp Nou neste domingo. Acreditava que poderia tirar o melhor de seus craques e afastar a crise, com uma vitória para respirar. Porém, se a motivação dos merengues era acima do comum, o Barcelona respondeu no mesmo tom. Tinha a chance de ouro para afundar os rivais. E com um time muito mais organizado, muito mais consistente, muito mais completo, os blaugranas atropelaram. Aterrorizaram os pobres visitantes em primeiro tempo de manual. Os madridistas até buscaram a reação na volta do intervalo, mas não mantiveram a toada e terminaram esmagados, sob gritos de olé nas arquibancadas. Os 5 a 1 quase foram maiores. O lesionado Lionel Messi sequer fez falta, rendendo seus aplausos nas tribunas a Luis Suárez, um pesadelo aos rivais, revivendo os melhores momentos de sua carreira como implacável artilheiro. Um clássico para a história, sobretudo do Barcelona.

Ernesto Valverde não tinha Messi, mas não se via um Barcelona mais fraco por isso. Rafinha novamente foi o escolhido para formar o tridente no ataque, ao lado de Philippe Coutinho e Luis Suárez. No mais, o time-base que se saiu bem contra a Internazionale, com a presença sacramentada de Arthur no meio-campo, em seu primeiro clássico. O Real Madrid, por sua vez, também vinha com o melhor à disposição. A única ausência era a de Dani Carvajal, machucado, com Nacho ocupando a lateral direita. De resto, todas as estrelas, com o ataque formado por Isco, Karim Benzema e Gareth Bale.

Antes que a bola rolasse, o Camp Nou foi tomado por um belíssimo mosaico. E o Barcelona não demorou a mostrar quem mandava na partida. Trabalhava muito bem a posse de bola, trocando passes, acuando o fragilizado Real Madrid. Arthur jogava com uma naturalidade imensa no meio-campo, bem acompanhado por Sergio Busquets e Ivan Rakitic, conscientes de seus papéis. Assim, o primeiro gol não demorou a sair. O time rodou a bola na intermediária, até perceber o espaço e dar a estocada. Méritos a Rakitic, que lançou uma bola perfeita a Jordi Alba, partindo como um ponta esquerda. O lateral arrancou e, dentro da área, encontrou Philippe Coutinho livre. Sem problemas para que o brasileiro completasse à meta escancarada, em seu primeiro tento no clássico.

A vantagem era o que o Barcelona precisava para fazer o seu jogo de maneira ainda mais confiante. O Real Madrid parecia um time pequeno dentro do Camp Nou, contido ante os 70% de posse de bola dos catalães. E uma prova debochada da segurança veio em chute de longe dado por Marcelo, que Marc-André ter Stegen defendeu matando no peito. Arthur quase deixou o seu, em saída errada dos visitantes, forçando boa defesa de Thibaut Courtois. Já aos 27, o VAR ajudaria o Barça a ampliar. Luis Suárez foi calçado por Raphaël Varane, mas o árbitro só identificou a infração pelo vídeo. Na cobrança, o Pistolero mandou para dentro. Até parecia que os blaugranas poderiam golear logo cedo. As chances iam aparecendo, mas faltava precisão. Rafinha tirou tinta da trave pouco antes do intervalo. E em um contra-ataque no qual os anfitriões tinham maioria, Suárez quis humilhar e o chute por cobertura do meio da rua seguiu para fora. Foi uma aula de futebol, com ótima participação de Coutinho e Jordi Alba, além do trabalho excepcional do trio de meio-campistas.

Na volta para o segundo tempo, quase o Barcelona lamentou o desperdício. Afinal, o Real Madrid era um time completamente diferente. Lopetegui mandou Lucas Vázquez na vaga de Varane, deixando o ponta como lateral direito, enquanto recuou um pouco mais seus principais criadores para ajudar na posse. Mais atentos e buscando o campo de ataque, os visitantes estavam dispostos a mudar sua sorte. E a empolgação dos merengues logo daria resultado. Clément Lenglet realizou um corte providencial aos três. Um minuto depois, Marcelo descontou. A partir de um avanço de Lucas, Isco recebeu e fez o cruzamento. A defesa blaugrana se bagunçou e o brasileiro apareceu, matando no peito, antes de mandar no contrapé de Stegen.

O momento era do Real Madrid e a persistência se seguia. Sergio Ramos errou uma boa cabeçada e, aos dez, Luka Modric só não empatou porque seu arremate caprichosamente bateu na trave. Além dos lamentos merengues, o lance serviu para que o Barcelona finalmente despertasse na segunda etapa. Ainda tomava pressão, mas passou a se defender melhor e a buscar os espaços. Tanto é que, cinco minutos depois, Sergi Roberto cruzou para Luis Suárez emendar uma acrobacia, mas também esbarrar no arco. Mesmo assim, persistiam os riscos, como em cabeçada perigosa de Benzema que passou por cima do travessão.

Valverde usou suas alterações a partir dos 24 minutos. Tirou Rafinha e Coutinho para as entradas de Nelson Semedo e Ousmane Dembélé. Renovou as energias, algo importante aliviar a insistência do Real Madrid, e matar o jogo. O terceiro gol foi o que realmente enterrou o ímpeto dos madridistas, aos 29 minutos. Em contra-ataque, Semedo conectou com Sergi Roberto, adiantado para o meio. O espanhol cruzou e Luis Suárez estava longe, na entrada da área, mas emendou de cabeça e tirou do alcance de Courtois. Os contragolpes destroçavam um Real totalmente aberto, com as entradas de Mariano Díaz e Marco Asensio nas vagas de Marcelo e Gareth Bale. Assim, o show terminou de acontecer nos dez minutos finais, com um baile dos catalães.

Suárez completou sua tripleta aos 38 minutos. Sergio Ramos entregou o ouro no campo de defesa, a Sergi Roberto. Em grande partida, o coringa entregou ao Pistoleiro, que deu uma cavadinha na saída de Courtois. Os gritos de olé ecoavam, quando uma ótima trama coletiva rendeu o quinto, aos 42. Dembélé recebeu na esquerda, passou como quis por Nacho e cruzou na pequena área. Arturo Vidal, que acabara de substituir Arthur, cumprimentou de cabeça. E o sexto poderia muito bem ter acontecido. Suárez obrigou um milagre de Courtois, em finalização à queima-roupa. Semedo teria outro bom lance, mas foi flagrado em impedimento. Já no fim, quase Benzema descontou novamente, mandando a centímetros da trave. De qualquer forma, não era suficiente para apagar o vexame.

Este é daqueles jogos que poderiam ter rumos diferentes por uma bola, diante da reação do Real Madrid no segundo tempo. De qualquer forma, nem isso faz acreditar que o Barcelona não venceria com autoridade. Foram ao menos 60 minutos amplamente superiores dos blaugranas, e imprimindo estilos diferentes, do domínio no primeiro tempo à voracidade na reta final do segundo. Individualmente, Luis Suárez arrebentou. A quem não vinha sendo tão efetivo nos últimos tempos, mostrou-se o centroavante letal e incansável, de seus melhores momentos. Um cara de jogo grande, como um clássico histórico como esse.

Esta é a terceira maior goleada do Barcelona sobre o Real Madrid no Camp Nou, abaixo apenas dos 5 a 0 em 1994 e em 2010. A liderança do Espanhol retorna aos blaugranas, somando agora 21 pontos, dois a mais que o Atlético de Madrid. Já o Real Madrid ocupa um vexatório nono lugar, a sete pontos dos líderes e a seis da zona de rebaixamento. Nada indica que Lopetegui resistirá a este resultado, não apenas pelas decisões equivocadas, como também por irritar a diretoria ao sequer deixar Vinícius Júnior no banco – depois que o clube se esforçou para anular sua suspensão do jovem nos tribunais. O treinador tomou uma decisão ousada ao assinar com o clube em junho, às vésperas da Copa do Mundo. Uma escolha que arruinou a Roja e o Real, mas ainda mais sua carreira em alto nível. Melhor aos catalães, que sacramentaram sua humilhação.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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