Muitas derrotas, contratações que não funcionaram e presidente ausente: as razões que levaram ao rebaixamento do Valladolid
Com Ronaldo como dono e Paulo Pezzolano como técnico, o Valladolid cometeu muitos erros e é rebaixado um ano após conseguir o acesso
O Real Valladolid durou apenas um ano em La Liga. Um ano e uma semana depois do acesso, o Pucela está de volta à segunda divisão espanhola, em um clube que tem Ronaldo Fenômeno como dono e Paulo Pezzolano. Foi uma temporada terrível do Valladolid, que ficou vivo até a última rodada, mas acaba rebaixado merecidamente.
Um dos motivos do rebaixamento é o desequilíbrio entre gols marcados e sofridos. Foram 33 gols marcados e 63 sofridos, o que gera um saldo negativo de 30 gols. Mais do que o número de gols sofridos (média de 1,65 por partida), é o número de gols feitos que pesou muito negativamente (0,86 por jogo). No total, foram 20 derrotas em 38 rodadas. Pesa demais.
O elenco do Valladolid também era um dos mais fracos de La Liga. O time que subiu da segunda divisão em 2021/22 permaneceu como base, mas em um nível de exigência muito mais alto. Faltaram bons reforços para tornar a equipe mais forte, com mais opções. Os reforços que chegaram no começo da temporada não conseguiram entregar o que se esperava. Conseguiu se reforçar melhor no mercado de inverno, com as chegadas de Selim Amallah e Cyle Larin, mas não foi o bastante para permanecer na primeira divisão.
O time teve alguns problemas com lesões ao longo da temporada, incluindo do goleiro Jordi Masip, Darwin Machís e Selim Amallah pesaram negativamente neste segundo turno, até porque os dois últimos chegaram no mercado de inverno. Este é um ponto que também atrapalhou o clube.
Um dos pontos destacados pela imprensa espanhola é que Ronaldo Nazário não está muito presente no clube. Nesta temporada, o ex-jogador brasileiro esteve ainda menos presente que nas anteriores, até porque passou a ser dono também do Cruzeiro, no Brasil, que exigiu muita atenção. Até por isso, foi especulado que Ronaldo poderia vender o clube – algo que ele negou após o rebaixamento. “Não pensei na venda. Obviamente, o mercado está bastante quente, mas não deixarei o Valladolid até que deixe o legado que quero deixar”, afirmou Ronaldo.
Um dos problemas apontados por Ronaldo é que as reformas do Centro de Treinamento e do estádio estão paradas por causa de questões políticas da cidade. Ele fez cobranças públicas, e duras, para que sejam aprovadas as mudanças e, assim, possa se fazer o investimento e melhora. Ele citou nominalmente Oscar Puente, prefeito da cidade, que não gostou de ser colocado na conversa logo após o rebaixamento do clube e disse, sem citar Ronaldo, “que estavam citando o nome dele para fugir da sua própria responsabilidade”. Uma disputa que parece que continuará.
Ronaldo, porém, garantiu a permanência de Paulo Pezzolano, assim como Fran Sánchez, diretor esportivo do clube. “Fran Sánchez e Pezzolano vão continuar. São pilares muito importantes e temos total confiança neles. Nosso projeto é de voltar à primeira divisão com eles”, disse Ronaldo na coletiva de imprensa. “Obviamente, cometemos erros, vamos avaliá-los e, logo de cara na próxima temporada, faremos o melhor possível para voltar à primeira divisão o quanto antes”.
No diagnóstico de Ronaldo, há alguns pontos que pesaram: as 20 derrotas, que é o mais óbvio para o brasileiro, a falta de experiência para conseguir um empate e não perder pontos nos minutos finais, os muitos erros de arbitragem e também erros de planejamento, que inclui, claro, ele mesmo.
Ao menos Pezzolano já tem experiência de segunda divisão, porque foi com ele que Ronaldo subiu com o Cruzeiro para a primeira divisão brasileira. Tentará repetir o feito agora na Espanha.



