La Liga

A morte de um torcedor em 1998 está criando problemas para Sociedad x Betis neste domingo

Aitor Zabaleta, morto em 1998, será homenageado pela Sociedad, que para isso vetou ida de torcedores do Betis ao estádio

A semana antes do jogo entre Real Sociedad e Betis, por La Liga, que acontecerá no próximo domingo (17) está sendo bastante conturbada. Tudo por conta de uma morte que completou 25 anos e será homenageada no dia do embate entre as equipes espanholas. A proibição de torcedores do clube de Sevilla no estádio Anoeta, onde será o jogo, revoltou dirigentes do Betis, e tudo ficou ainda pior com declarações dadas por Jokin Aperribay, presidente da Sociedad.

Vamos, antes das declarações, aos fatos. Há 25 anos morria Aitor Zabaleta, torcedor da Real Sociedad. Ele viajava com sua namorada para Madrid, onde assistiria no antigo Vicente Calderón entre um jogo da La Reale e do Atlético de Madrid. Não conseguiu fazê-lo, pois antes de entrar no estádio foi assassinado brutalmente por um grupo de ultras de extrema-direita do Atleti. A morte marcou o futebol espanhol e Zabaleta virou um símbolo para a Real Sociedad.

E como a morte de Zabaleta afeta um jogo em 2023?

Bem, passados 25 anos da morte de Zabaleta, a Real Sociedad vai homenagear o torcedor morto com uma festa na partida deste domingo. Acontece que, para evitar quaisquer incidentes, simplesmente proibiu a entrada de torcedores do Betis no estádio, o que por si só já criou im imbróglio entre as equipes.

Mas a situação é muito pior do que apenas um veto a torcedores visitantes. Há um longo histórico sócio-político envolvido e que, segundo a Sociedad, foi o grande motivo para que a proibição viesse a acontecer. No ano passado (veja foto abaixo), ultras do Betis convidaram um grupo de ultras de extrema-direita do Atlético para estarem junto deles em Anoeta, quando Sociedad e Betis se enfrentaram. A atitude, é claro, foi bastante mal recebida por torcedores e diretores de La Reale, que desde a morte de Zabaleta nutrem péssima relação com os madrilenhos.

Ultras do Atlético de Madrid foram convidados por ultras do Betis para ver o jogo contra a Sociedad, em Bilbao, na última temporada

Acontece que Jokin Aperribay, presidente da Sociedad, não soube usar tão bem as palavras e acabou sendo bastante chulo ao falar da proibição: ‘Qualquer torcedor do Betis que venha nos encher o saco não entrará na Anoeta’, disse ele. A reação do outro lado foi imediata e o Betis, é claro, defendeu sua torcida e emitiu nota oficial (leia abaixo) na qual condenou a fala e afirmou que o presidente rival está ‘incitando a violência’.

A nota oficial do Betis:

“O Real Betis Balompié expressa sua total rejeição às declarações feitas ontem pelo presidente da Real Sociedad de Fútbol, Jokin Aperribay Bedialauneta, durante a sua assembleia geral de acionistas.

A única vontade dos torcedores do Betis era ir ao jogo do próximo domingo para apoiar sua equipe, da mesma forma como fazem em todos os estádios espanhóis e europeus. Essas declarações são inadequadas para alguém com tal responsabilidade e estão muito distantes das maneiras como o futebol é conduzido em nosso tempo.

O Real Betis encaminhará essas declarações do presidente da Real Sociedad à Comissão Estatal contra a Violência, o Racismo, a Xenofobia e a Intolerância no Esporte, pois são claramente incitadoras à violência.

O clube verde e branco reitera que teria sido perfeitamente viável controlar o acesso de 300 pessoas verificando a identidade dos sócios do Betis por meio do documento de identidade (DNI), evitando que torcedores não afiliados ao corpo social do Real Betis pudessem entrar.

Dessa forma, os representantes institucionais do clube não assistirão ao camarote presidencial no estádio de Anoeta no próximo domingo.

O Real Betis fornecerá orientação jurídica aos torcedores que já tenham contratado viagens e hotéis e tenham sido prejudicados pela decisão insólita da Real Sociedad.”

Real Sociedad também emite nota, tenta colocar panos quentes e diz ‘amar Sevilla’

Logo após a nota emitida, a Sociedad fez a mesma coisa e tentou apaziguar a situação, dizendo, inclusive, que ‘ama a cidade de Sevilla’, onde está situado o Betis. Reiterou, no entanto, que manterá a ausência de visitantes e que o faz ‘pelo respeito à memória de Zabaleta’.

— A decisão que tomamos tem apenas o objetivo de preservar a memória de Aitor. Sentimos o máximo respeito pelo Real Betis e por toda a sua torcida. Reiteramos nossas desculpas a todos os torcedores do Betis de boa índole. Sevilla é uma cidade que amamos! Este domingo é muito especial. 25 anos sem ele. O Reale Arena viverá um dia de recordação emocionada a Aitor Zabaleta. E não vamos tolerar nem arriscar que ninguém suje a sua memória em nossa própria casa — afirmou a Sociedad por meio das redes sociais.

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Lucas de Souza é jornalista formado pela Universidade São Judas em São Paulo. Possui especialização em Marketing Digital pela Digital House, e passagens pelos sites Futebol na Veia e Futebol Interior.
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