La Liga

Monchi: “Quando tudo estava fechado com o Chelsea, surgiram dúvidas sobre a compra de Koundé”

Diretor esportivo do Sevilla revelou detalhes das negociações e explicou o que tirou o Chelsea da parada

Jules Koundé assinou com o Barcelona dias depois de sua venda ao Chelsea ser dada como certa. E, de fato, o Sevilla estava apalavrado com os ingleses na semana anterior. Nesta sexta-feira, Monchi explicou os trâmites do acordo com o Barça. Segundo o diretor esportivo, os Blues ficaram com dúvidas sobre o lugar do zagueiro dentro de seu elenco e suspenderam a oficialização do contrato. Com isso, os blaugranas entraram na jogada e fizeram uma oferta superior, tanto aos rojiblancos quanto ao francês. No fim das contas, o defensor de 23 anos saiu por €50 milhões, o maior negócio da história dos andaluzes.

“Tivemos mais pretendentes no início do mercado que no final, e quem ficou sobretudo foi o Chelsea, que no último mês nos manteve ocupados e negociando até o ponto em que chegamos a um acordo verbal, e também o jogador, na quinta-feira da última semana. Como isso é futebol e nunca deixa de surpreender, quando estava tudo fechado, surgiram dúvidas no Chelsea, não sobre a qualidade de Jules, mas seu lugar dentro do elenco. No fim de semana tudo ficou parado e nisso apareceu o Barcelona, que pela primeira vez, e isso é importante, entrou em contato conosco na segunda-feira. Eles nos transmitem o interesse e fazem uma oferta inferior à que tínhamos em mente, mas, depois de trabalhar com um esforço importante com o Barcelona, chegamos a um valor que se torna nossa venda mais importante, pelos números e também pelo momento. Você precisa negociar em condições difíceis, porque tinha que vender, e tínhamos a Espada de Dâmocles dos dois anos de contrato”, comentou.

“Foi uma oferta muito boa e sem pagamentos a intermediários, porque, goste ou não, o mercado marca as pautas e dita o preço. As ofertas que tivemos há dois anos do City, no ano passado do Chelsea e esse ano do City e do Barcelona foram no mesmo valor. Somos um clube que tem um modelo de negócio e não podemos negar que se baseia em vender e gerar lucros. Mas não há que vender tudo e em dois anos decidimos não vender, mas neste ano creio que vendemos com a melhor oferta possível, ao clube que apostou de verdade nele, e estou satisfeito com o que aconteceu. Creio que, em um momento difícil, tanto o Comitê de Direção quanto a Direção Esportiva entraram em acordo, num mercado muito parado, com a venda de Jules entre as cinco mais importantes da janela. Fizemos o que tínhamos que fazer para defender os interesses do clube acima de qualquer outra coisa”, finalizou o dirigente.

Monchi também sublinhou que, diferentemente do noticiado por algumas fontes, a proposta do Barça era mais vantajosa que a do Chelsea: “Na quinta à noite estava combinada a venda ao Chelsea, por um valor aceito por todos, mas por situações que às vezes surgem, houve um movimento no Chelsea que os fez duvidar se precisavam do perfil de Koundé. Esperaram um pouco e essa espera se ampliou até o ponto em que apareceu o Barcelona. Logo o Chelsea quis voltar atrás, mas a oferta do Barcelona era melhor. Quando você tem duas ofertas na mesa, lida com elas e o jogador estava satisfeito em ir para o Barcelona, com condições melhores ao nosso clube. A melhor oferta foi a do Barcelona e haverá uma junta de acionistas na qual poderá se explicar tudo com detalhes”.

O Sevilla vendeu, além de Koundé, também Diego Carlos. Segundo Monchi, as circunstâncias determinaram as negociações. O clube se desfez de uma dupla histórica na zaga por conta de limitações financeiras criadas nos últimos meses, que tornaram os negócios imprescindíveis. Os €80 milhões faturados geram um novo fôlego para as finanças dos rojiblancos.

“Temos um modelo de negócio que é o que nos fez estar onde estamos, conseguir o que conseguimos e crescer o que crescemos. Não vou voltar a explicar porque já fiz muitas vezes, mas nós, através dos lucros entre compras e vendas, mantemos um elenco muito acima de nossos custos. Investimos no elenco quase 100% dos ingressos ordinários, às vezes mais. Isso se gerencia conseguindo lucros, que nos fazem atrativos para jogadores que, em outras circunstâncias, não poderiam vir. Nos últimos anos, só fizemos esse tipo de venda com Bryan Gil, recusando ofertas por Koundé e Diego Carlos. Esse ano tínhamos um problema econômico e dizemos com normalidade. Mudar um pouco o modelo nos fez ter uma situação um pouco mais complicada, nos obrigando a vender Diego Carlos e Jules. Para mim, são vendas magníficas nas circunstâncias da negociação”, apontou.

Monchi também analisou as críticas dos torcedores que reclamaram o fato de Koundé sair para um concorrente de La Liga. O dirigente ressalta a ambição do Sevilla, mas não nega que as condições financeiras de seu clube são mais limitadas que as do Barça. A mentalidade no Nervión precisa ser de uma empresa, diante de suas condições e de seus recursos.

“Que nós sejamos rivais diretos do Barcelona pareça muito bonito, eles partem com a ideia de ganhar tudo o que jogam. Nós somos ambiciosos, com orgulho, e nunca nos escondemos de desejar o máximo, mas estamos em outro patamar. Eles podem comprar um jogador nosso e outros por muitos milhões. Eu admito que, em nosso caráter rebelde e ambicioso, podemos pensar que somos adversários dos três de cima, mas não partimos com os mesmos objetivos e, ao final, isso é uma SAD. É verdade que o Desportivo tem muita força, mas somos uma empresa e não podemos pensar em temas emocionais diante de assuntos tão importantes para a viabilidade do clube. Não somos diferentes de Villarreal, Betis, Real Sociedad… mas nos colocamos em uma posição distinta. Crescemos porque entramos três anos seguidos na Champions, com um título da Liga Europa no meio. Vamos seguir crescendo e subindo degraus um a um. Agora fica o difícil, que é investir o que pudermos do que entrou para manter o nível competitivo”, analisou.

Monchi prometeu ainda focar os esforços do Sevilla nas próximas semanas para a contratação de um zagueiro e de um lateral esquerdo. A única aquisição dos rojiblancos neste mercado foi o zagueiro Marcão, trazido do Galatasaray, mas que está lesionado e não participa da pré-temporada: “Marcão teve uma lesão nos ísquios durante o final da temporada passada, com um mês sem treinar. Ele elevou as cargas de trabalho, sentiu o músculo e não é nada grave. Como não é urgente, se tudo for normal na próxima semana ele se juntará ao grupo. É uma lesão pequena, mas não queremos cometer erros do passado”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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