La Liga

Mallorca de Javier Aguirre deixa armadilha e vence o Atlético pelo placar mínimo

Atuação segura dos donos da casa em foi construída nos erros colchoneros

Ganhar de 1 a 0 sem sofrer parece ser uma condição bastante comum para Diego Simeone. No entanto, neste sábado, ele experimentou do próprio veneno contra o Mallorca, fora de casa, por La Liga. A armadilha foi preparada pelo mexicano Javier Aguirre, técnico dos bermellones.

Por mais que o grande objetivo seja reverter o placar mínimo adquirido pelo Manchester City na Liga dos Campeões, no Wanda Metropolitano, o Atlético saiu devendo de campo em Maiorca. Produziu pouco, seu meio-campo inexistiu e o ataque participou pouco. A situação fica mais preocupante quando se leva em conta que, do outro lado, estava o 17o colocado, que beira a zona de descenso por apenas um ponto.

Este mesmo Mallorca que parece fadado a lutar por sua permanência na elite até a última rodada, fez uma arapuca bastante eficiente para neutralizar as principais ameaças colchoneras e ainda sair de campo com um triunfo, por meio de um gol de Vedat Muriqi, em pênalti bem cobrado. A falta que originou a penalidade foi cometida por Reinildo Mandava. Não houve muito o que relatar além desse lance, aliás. O Mallorca soube administrar bem a vantagem até o fim e vibrou bastante por derrubar o atual campeão espanhol.

Para quem não está atento, qualquer argumento contra Simeone serve para reforçar que o Atlético supostamente não está à altura dos grandes europeus. Fala-se muito sobre uma postura defensiva em excesso, com base em recortes bastante específicos, como se um jogo definisse mais de uma década em que Simeone está à frente do Atleti. Bobagem. Além do que, qualquer time grande eventualmente sofre tropeços como esses, não é a primeira e nem será a última vez que isso acontece.

A questão da derrota de hoje é muito mais relevante do que um jogo desinteressado contra o Mallorca. Até porque todas as fichas estão depositadas na Liga dos Campeões, haja vista que o Atlético está confortável na zona de classificação para a próxima edição da Champions e pode seguir com mínimo esforço na mesma colocação nas sete rodadas finais. O confronto com o Manchester City é o mais difícil em muitos anos para os colchoneros e o fato das atenções do elenco estarem todas nele não deveria causar surpresa alguma.

Hoje, sábado, vai ter muita gente dizendo que o Atlético não presta para muita coisa. Mas na quarta-feira, contra o City, o discurso pode mudar com uma atuação memorável. Isso não quer dizer que o time de Simeone não tenha problemas. A começar pela defesa, que perdeu a solidez de sempre e precisará se remontar na próxima temporada. Ou mesmo na falta de inspiração eventual de Antoine Griezmann e Luis Suárez. Mas esses dois já fizeram muita coisa no futebol e podem sempre dar uma cartada decisiva em uma partida. Jamais devem ser subestimados.

No fim das contas, o gol de Muriqi vale muito mais para a narrativa de sobrevivência do Mallorca do que para cravar qualquer coisa a respeito do futuro do contestadíssimo Atlético de Simeone, que insiste em desafiar seus detratores, ano após ano. E não, essa temporada não será a última de Cholo no Wanda Metropolitano.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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