Lenda do Valencia, Baraja coloca sua história à prova como novo treinador num momento caótico
Baraja vai ter sua primeira experiência na primeira divisão e traz na bagagem principalmente sua história de 10 anos como ídolo do Valencia

O roteiro está longe de ser novo. Muitos clubes à beira do abismo recorrem a antigos ídolos para tentar o milagre da salvação, contratando-os como dirigentes ou como técnicos. E o Valencia corre o risco de queimar um dos maiores nomes de sua história, na fogueira que se tornou o clube administrado por Peter Lim. Desde a demissão de Gennaro Gattuso, os valencianos estavam sem um treinador efetivo. Voro assumiu a bomba, como em outras oportunidades recentes, mas o ex-zagueiro não deu jeito na equipe que defendeu por mais de 250 partidas como profissional. Agora, a cartada é num nome ainda maior ao valencianismo. Rubén Baraja vestiu a camisa dos Ches por dez anos e esteve presente em vários momentos gloriosos. Agora, tenta evitar o descenso.
Baraja se aposentou pelo Valencia em 2010, com uma década no clube, e está entre os 15 jogadores que mais atuaram pelo time, com 362 partidas no total. Possui um simbolismo forte dentro do Mestalla, como um dos principais talentos da equipe que conquistou dois títulos de La Liga e foi vice-campeã da Champions. Entretanto, a aposta no veterano se dá muito mais por identificação e tempo de casa do que necessariamente por seus predicados na casamata. A carreira do ex-meio-campista como técnico é modesta.
Baraja passou por comissões técnicas de clubes como o Atlético de Madrid, até retornar ao Valencia em 2013. Foram dois anos de volta ao Mestalla, como treinador das categorias de base. A partir de então, o comandante rodou por times das divisões de acesso. Esteve à frente de Elche, Rayo Vallecano, Sporting de Gijón, Tenerife e Zaragoza. Todos times tradicionais, mas todos na segundona naquele momento. O melhor desempenho aconteceu com o Sporting, quando levou a equipe aos playoffs de acesso e caiu nas semifinais. Todavia, Baraja durou em média somente 27,4 jogos em cada uma de suas empreitadas na casamata.
O trabalho mais recente de Baraja foi no Zaragoza, e ele permaneceu por míseras dez partidas, demitido com um aproveitamento de 33,3% na segundona do Campeonato Espanhol 2020/21. Desde então, não conseguiu mais emprego, e se passaram mais de dois anos. Agora, o Valencia recorre ao antigo ídolo. A diretoria tenta levar um “boi de piranha” diante das massivas críticas que recebe, enquanto também conta com alguém com menos cacife para bater de frente com os desmandos internos. Gennaro Gattuso saiu por falta de resultados, mas também porque estava descontente com a falta de reforços, mesmo sendo ele mesmo levado por Jorge Mendes ao Mestalla.
A questão esportiva preocupa, claro, mas o Valencia tem condições de salvação. A equipe está a um ponto de sair da zona do rebaixamento e possui um elenco um pouco mais qualificado do que a maioria dos concorrentes. O problema é que a bagunça interna dos Ches afeta diretamente o nível de desempenho da equipe. Nas últimas 13 rodadas de La Liga, os valencianos conquistaram apenas uma vitória. Dois treinadores diferentes não deram jeito na situação. E a lesão recente de Edinson Cavani traz mais um problema, com o centroavante fora da equipe pelo próximo mês. Não será simples manejar um plantel que, em vez de salários, tem recebido notas promissórias.
O rebaixamento, mesmo depois de quase quatro décadas, não vai acabar com o Valencia. O que destrói o clube é mesmo a gestão tóxica de Peter Lim e seus asseclas. O empresário cingapuriano não realiza mais investimentos e não oferece quaisquer expectativas aos valencianos. Por isso mesmo, a oposição, que já era grande ao longo dos anos, se tornou ainda mais forte nestas semanas recentes. Neste sábado, mais de 25 mil torcedores protestaram nos arredores do Mestalla pela saída do proprietário. Querem que ele coloque o clube à venda. Ainda não há perspectivas, mesmo que a desvalorização seja óbvia, especialmente com o risco de queda.
É ver o que Baraja conseguirá fazer. O ex-meio-campista possui uma força muito grande dentro do Valencia, por sua história como jogador, e seria difícil abandonar a instituição num momento tão difícil. É nisso que a torcida confia, e ele deve servir como um elemento aglutinador. Porém, ele também precisa ter consciência de que está sendo um escudo para Peter Lim e seus sucessivos erros na presidência. Não é a permanência na elite que vai melhorar as perspectivas se a agremiação não for posta à venda. Enquanto os valencianos não enxotarem o proprietário do Mestalla, fica difícil de acreditar que a grandeza dos Ches será honrada.
COMUNICADO OFICIAL | RUBÉN BARAJA
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— Valencia CF (@valenciacf) February 14, 2023



