La Liga

Laporta: “Esperava que Messi desse meia-volta e dissesse que jogaria de graça”

Presidente do Barcelona disse ter ficado com "certa decepção" de Messi por ele não se oferecer para jogar de graça

Joan Laporta concedeu uma longa entrevista à rádio catalã RAC1 nesta sexta-feira. E o presidente do Barcelona parece ter confundido Lionel Messi com Irmã Dulce ou alguma alma caridosa. O dirigente revelou ter ficado com “uma certa decepção” do camisa 10, quando percebeu que ele não aceitaria jogar de graça pelos blaugranas durante alguns meses. Mesmo com o craque sendo jogado aos leões por diferentes gestões do Barça, o mandatário desejava que ele permanecesse sem receber nada e acabasse recompensado só depois que as suntuosas dívidas fossem contornadas. Algo que, obviamente, o argentino não aceitou – depois de até concordar com uma redução de 50%.

Durante a entrevista, Laporta falou sobre diversos assuntos. Seguiu bancando Ronald Koeman, garantiu que o Barcelona ainda pode aceitar o contrato com o fundo CVC, comentou os planos de reformar o Camp Nou. Nem tudo parece tão crível assim, mas são posições importantes quanto aos rumos dos blaugranas. Abaixo, fizemos um resumão das declarações:

A saída de Messi

“Com Messi não fico chateado, porque gosto dele. Mas, quando vemos que ele não ficará, há uma certa decepção dos dois lados. Eu esperava que Messi desse meia-volta e dissesse que jogaria de graça. Eu teria gostado disso, seria totalmente a favor. Pelo meu entendimento, La Liga teria aceitado isso. Mas não podemos pedir a um jogador do nível de Messi que faça isso. Cogitei isso porque eu o conheço, subiu comigo para a primeira equipe, ajudei muito sua família. Ele sabia que, quando recuperássemos a parte econômica, ele seria recompensado. Sei que ele tinha um desejo enorme de ficar, mas muita pressão pela oferta que recebeu. Nunca saberemos se a oferta do PSG foi feita antes. Tudo indica que sim. Durante as negociações, todos sabiam que ele tinha uma oferta muito potente”.

A decisão de não renovar

“Em nenhum momento eu pensei em voltar atrás, penso que estou fazendo o melhor para o Barça. Ninguém pode colocar em risco a instituição. Não atenderíamos ao Fair Play. Não havia possibilidade de ter a margem necessária. Vimos os primeiros resultados da auditoria e a renovação poderia nos colocar em risco. O Barça está acima de qualquer jogador. Não havia margem”.

O fundo CVC

“La Liga nos propôs uma operação para preservar Leo, mas não era viável. Era como um doce do presidente de La Liga, para que pensássemos que poderíamos ter limite salarial para inscrever Messi. Mas o Barça não pode se comprometer numa operação se não a estudar bem. É uma boa operação para muitas equipes, mas não precisamos de mais dívidas. Não nos fechamos totalmente ao acordo. Pode ser possível no futuro, mas eles têm que reformular. Tudo foi muito rápido, foi feito sem ter o documento definitivo. Nada nos condiciona, muito menos o Real Madrid. Decidimos por nós mesmos. Esse dinheiro, se chega como dívida, não queremos”

Homenagem a Messi

“Gostaria de fazer uma homenagem a Messi. Ficaríamos encantadíssimos, no momento certo, de fazer uma homenagem como ficou faltando. Com Pau Gasol também. É impressionante o que se aprende ouvindo Pau. É extraordinário, você sempre sai motivado. A humildade e o agradecimento permanente são brutais. Ele tem uma fundação e é embaixador do Barça”.

Permanência de Ronald Koeman

“Nosso treinador é o Koeman. Estou com Koeman até o fim. E ele sabe disso. Koeman é um culé como todos nós, o Barça o adora, é uma lenda do Barcelona, ​​decidiu vir treinar numa situação de máxima dificuldade. Eu precisava saber se ele confiava nessa equipe e ele me disse que sim. Era justo dar a ele margem de confiança. Ele pediu para que recuperasse os jogadores lesionados. Ele quer continuar a todo custo e mostrar que esse time é competitivo”.

O estilo de jogo de Koeman

“Quando Koeman me explicou seu plano de jogo, eu entendi. Todos temos nosso esquema ideal. Sempre respeitei os profissionais. Aconteceu com Rijkaard e também Guardiola, quero que também aconteça com Koeman. Ousei dar a minha opinião e ele me rebateu com aspectos técnicos, que entendo. A decisão é que Koeman continua. Quando as coisas não saem do jeito que você deseja, ficamos todos desanimados. Também ele. Mas, depois de escutar pessoas da minha confiança, cheguei à conclusão que devo agir como fiz com Rijkaard. Koeman não tem Dembélé, Kun também não. Creio que é justo dar uma margem. Ele tem um contrato em vigor que deve ser respeitado”.

Renovação das promessas

“A intenção é renovar os contratos dos nossos jovens. Estamos trabalhando para renovar com todos da base. Eles estão respondendo bem e estamos num processo de renovação. Confio que posso dar boas notícias na próxima semana. Estamos muito avançados na renovação de Pedri, com Ansu também vai bem”.

A situação do clube

“O clube está nas mãos de um ótimo CEO. Temos que mudar esse balanço negativo. Isso não quer dizer que vamos gerar lucro. Esse ano o objetivo é o déficit zero. E, depois, vamos pagando a dívida. Poderemos contratar. Conseguiremos recursos, como investimento ou crédito. O que não queremos é mais dívida, queremos dinheiro fresco. E, nas necessidades que temos, sempre está o tema esportivo e a contratação de novos jogadores”.

A volta de Neymar

“Na pré-temporada, entendemos que tínhamos margem para contratar Neymar e fizemos uma tentativa. Disseram para nós que ele queria deixar o PSG, não iria continuar. Tentamos contratá-lo, mas então conseguiram convencê-lo a seguir no PSG”

A gestão anterior

“Estamos falando de uma gestão baseada no improviso, sem dinheiro para pagar contratações. Portanto, desastrosa. Começamos a estudar os resultados irregulares e depois veremos se devem ser responsabilizados. Isso quem determinará é a auditoria e o departamento jurídico. Temos que deixá-los trabalhar, não será imediato. Devemos ter a informação no fim do ano. Não quero me precipitar, há presunção de inocência, mas só o resultados da última temporada são para levar as mãos na cabeça. Eu esperava uma situação ruim, mas é pior do que esperávamos. Muito pior. Alguns valores são muito elevados. Não falo com Bartomeu faz tempo, também não falo com ninguém da antiga diretoria”.

A reforma do Camp Nou

“O antigo projeto ficou obsoleto, fizemos melhorias e ficou espetacular. Fiquei arrepiado quando me apresentaram. O estádio pode ter impacto para a cidade como aconteceu nos Jogos Olímpicos. Vamos virar uma referência mundial de lazer, entretenimento, projeto sustentável… O Goldman Sachs está muito interessado, querem nos acompanhar. O novo estádio será um gerador de receitas espetacular. Terá naming rights para render o máximo de dinheiro. Serão 110 mil lugares, com camarotes novos”.

A mudança temporária

“Usar o Estádio Johan Cruyff é a principal opção. Queremos expandir, está previsto jogar fora do Camp Nou por só um ano. A ideia é que as obras sejam simultâneas à temporada, mas fecharemos por um ano para construir a cobertura. Estamos prevendo que o Estádio Johan Cruyff tenha 50 mil lugares, os sócios terão que fazer rodízio. Mas eles entenderão perfeitamente, o Camp Nou será a joia arquitetônica do próximo século”

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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