La Liga

Koeman, sobre intimidação na saída do Camp Nou: “É um problema social e de educação, eles não têm valores”

Koeman comentou a atitude dos torcedores, que protestaram após a derrota no clássico contra o Real Madrid

Ronald Koeman atravessa um momento delicado à frente do Barcelona, com a falta de resultados consistentes e mesmo de sinais positivos sobre a equipe. A insatisfação sobre seu trabalho é clara, o que também não justifica a atitude de alguns torcedores após o último clássico, quando o treinador saía do Camp Nou. Dezenas de pessoas cercaram o carro do holandês, travaram sua passagem e bateram no veículo, onde também estava a esposa do veterano. Koeman preferiu não generalizar e disse que a falta de educação não é exclusiva do Barça. Além disso, afirmou que muitos ali só queriam gravar vídeos para as redes sociais, e não realmente discutir a equipe.

“Não creio que haja solução. Para mim, é mais um problema social, não é uma questão que sejam culés. É um tema de educação, eles não têm valores”, afirmou o treinador. “Teve um momento em que disse que ia sair, mas ao final decidi que não. Quando você sai, há muitas câmeras, muitos telefones, muito Tik-Tok para seus seguidores. É um problema social que temos e melhor botar energia em outras coisas. O ambiente no estádio foi extraordinário, mesmo com os 0x2 no placar. Não temos que prestar muita atenção neles”.

“Parece que foi só comigo, mas muitos jogadores já passaram por isso, com suas famílias. Pode ser que comigo tenha sido mais exagerado, mas até Puyol sofreu com isso. É um problema social que todo mundo passa, não só aqui. Tenho as imagens porque havia duas pessoas atrás gravando para um documentário, com minha mulher do lado”, complementou.

Koeman também comentou a pressão que existe ao seu redor no Barcelona e afirmou que, por enquanto, segue aproveitando o ambiente do clube: “Sou velho nisso, quero desfrutar do ambiente que havia outro dia no estádio. Aceito os resultados. Eu quero curtir, seja oito anos, seja um ano, seja três meses. Se chega um dia que não desfruto, vou embora e me dedicarei a jogar golfe cinco dias por semana. Entendo que é uma decisão delicada, mas há futuro neste clube”.

“Existem coisas que, como treinador, você não gosta. Mas gosto de estar com os jogadores, preparar para as partidas, analisar e ter que decidir. No domingo fiquei encantado com a partida, não com o resultado porque era um clássico, mas com o ambiente. Depois de mais de um ano, ter esse ambiente numa partida que se decidiu por detalhes é ótimo. Tivemos méritos para outro resultado, precisamos de um pouco de sorte”, sublinhou.

Além disso, Koeman falou sobre o gesto de apoio de Carlo Ancelotti, que conversou um pouco com ele sobre a cobrança no Barcelona: “Tudo depende dos resultados e da equipe onde está. É importante conhecer a casa, ser ex-jogador do Barça e ter caráter se o vento vem contra. Sou assim e quero ver até onde vou chegar. Ancelotti me deu ânimo, ele sabe perfeitamente qual a situação, porque esteve em grandes clubes”.

O Barcelona volta a campo nesta quarta-feira, quando enfrenta o Rayo Vallecano pelo Campeonato Espanhol. A equipe ocupa o nono lugar na tabela da Liga, um ponto atrás dos franjirrojos. Os blaugranas só venceram três de seus últimos nove compromissos por todas as competições.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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