La Liga

Escorraçado do Phoenix Suns por comportamento racista e misógino, Robert Sarver também deixa o Mallorca

Sarver era proprietário do Mallorca desde 2016 e vendeu o clube a Andy Kohlberg, seu antigo parceiro de negócios e atual presidente dos maiorquinos

Robert Sarver deixou a NBA e a WNBA pela porta dos fundos. A partir de 2021, reportagens da imprensa americana passaram a denunciar o comportamento inaceitável do proprietário do Phoenix Suns e do Phoenix Mercury. Numa reportagem que entrevistou mais de 70 funcionários, a ESPN relatou a maneira como Sarver tinha atitudes racistas e sexistas nos escritórios da franquia. A própria NBA realizou uma investigação interna, que comprovou os fatos, incluindo o uso de termos racistas para tratar funcionários e conduta sexista com mulheres. Em setembro de 2022, o empresário recebeu da liga a pena máxima de US$10 milhões de multa e um ano de suspensão, o que ainda assim não satisfez a todos. Estrelas da liga passaram a pressionar pela expulsão de Sarver, incluindo Chris Paul, então craque dos Suns, e mesmo patrocinadores ameaçavam deixar a equipe. Como resultado, Sarver botou à venda seus times, em processo concluído em fevereiro de 2023. Já nesta quarta-feira, Sarver encerrou de vez seus negócios no esporte, ao vender suas ações no Mallorca.

A saída de Robert Sarver do Mallorca, no entanto, não significa uma mudança drástica na direção do clube. O novo acionista majoritário dos bermellones é Andy Kohlberg, parceiro de negócios de Sarver. O ex-tenista profissional chegou a ser acionista minoritário do próprio Phoenix Suns e também vice-presidente da franquia da NBA. Além disso, ele já possuía uma parcela do Mallorca. Durante os últimos anos, Kohlberg ocupava a cadeira principal dos maiorquinos como presidente do clube. A partir de agora, ele possui uma influência ainda maior nas decisões da agremiação – que teve relativo sucesso sob as suas ordens.

Conforme a nota oficial do Mallorca, Kohlberg realiza uma reorganização no Mallorca. O empresário se torna o acionista majoritário ao comprar as ações de Robert Sarver e também de outros proprietários minoritários. Apesar disso, o presidente dos maiorquinos não realizará mudanças drásticas na estrutura interna. Quem ainda continua como um dos acionistas minoritários é Steve Nash. O ex-armador dos Suns é um notório apaixonado por futebol e se envolveu diretamente na empreitada de adquirir o Mallorca. O canadense participa periodicamente dos bastidores do clube e frequenta o estádio em algumas partidas.

Obviamente, em seu comunicado, o Mallorca não aponta se a saída de Sarver está diretamente ligada com o episódio na NBA e na WNBA. De qualquer maneira, sua conduta deplorável nos Estados Unidos também respinga em seu trabalho na Espanha. Vale lembrar que o Mallorca é um dos clubes que teve registrados episódios de racismo contra Vinícius Júnior em La Liga e que não tomou ações tão contundentes para punir os agressores. Em sua despedida, Sarver agradeceu pelo período e pela relação com os torcedores.

Kohlberg, por sua vez, não mencionou diretamente Sarver em suas primeiras declarações após a compra – nem citou uma possível colaboração futura do parceiro de negócios, o que é imaginável pela proximidade entre ambos. “O Mallorca possui um imenso potencial. Nosso objetivo é seguir melhorando as experiências dos torcedores através de um estádio de última geração integrado à cidade e de uma equipe altamente competitiva. Estendo meu agradecimento aos nossos fiéis seguidores por seu constante apoio”, declarou o presidente.

Sarver se tornou acionista majoritário do Mallorca em 2016. Na época, o clube estava na segunda divisão espanhola, com severos problemas financeiros, e caiu para a terceira divisão. Apesar disso, os americanos reiteraram seu compromisso e conquistaram dois acessos consecutivos, de volta à elite de La Liga. Os maiorquinos caíram novamente para a segundona em 2019/20, mas voltaram de imediato e emendarão sua terceira temporada na elite espanhola. Apesar do dinheiro por trás, o Mallorca não chegou a fazer contratações megalomaníacas nos últimos anos e investiu em estrutura. Mas não é a boa gestão de Kohlberg que diminui o fato de Sarver ser comprovadamente um ser abjeto. Ao menos, deixa também o futebol.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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