La Liga

Em ótima entrevista, Sampaoli avisa: “Lutar pela Liga não é um sonho, é uma realidade”

O segundo colocado do Campeonato Espanhol, com um ponto a menos que o líder Real Madrid (com um jogo a mais), é treinado por um argentino que durante anos pagou as contas sendo bancário. Não era um bancário muito bom: deixava seu posto de trabalho vazio para discutir futebol no bar. É, no entanto, um talentoso técnico de futebol. Jorge Sampaoli foi campeão da Copa América com o Chile, derrubou a invencibilidade de 40 jogos do Real Madrid e briga pelo título espanhol com o Sevilla, clube com menos recursos de que Real, Barcelona e Atlético de Madrid.

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A sensação de La Liga deu entrevista à rádio Onda Cero e falou sobre tudo – começo de carreira, política, ditadura, o entrevero de Sergio Ramos com torcedores do Sevilla e como esteve próximo do Chelsea – e também mandou um recado a sua torcida: a briga do Sevilla pelo título não é um sonho, é uma realidade.

Veja alguns dos melhores trechos e, se seu espanhol foi bom, assista à entrevista completa aqui.

Sobre a briga pelo título

Lutar pela Liga não é um sonho, é uma realidade. Vamos lutar, mas, se não tivermos as armas, se não tivermos capacidade, é outra coisa. Mas vamos lutar.

Sergio Ramos

Não gosto que alguém nascido no clube tenha esse confronto, porque Ramos está orgulhoso de ser sevillista, e os sevillistas orgulhos que Ramos tenha vestido a camisa do Sevilla. Ramos me disse que gosta de pessoas corajosas que enfrentam a vida como eu. Não esperava e, vindo dele, gostei.

Sobre o começo de carreira

Foi uma luta porque não tínhamos recursos econômicos e precisava trabalhar, e sem ter uma história futebolística como jogador, é quase impossível ser treinador na Argentina. Comecei a trabalhar no banco Provícia Santa Fé. Me chamavam de Maradona porque eu nunca estava no banco. Estava sempre no bar falando de futebol. Já estava casado e tinha uma filha, de quatro ou cinco anos, quando tive a oportunidade de trabalhar em uma equipe do Peru, o Juan Aurich, no norte. Resolvi deixar o banco, pedi licença por um ano.

Ditadura militar da Argentina

Falamos de 1978, ano do Mundial. Sentíamos rebeldia pelo que acontecia no país. Enfrentávamos o poder e a policia e meu pai era parte dessa polícia. Tive muitos conflitos com a polícia. Meu pai tinha que obedecer seus superiores, a ditadura militar lhe tinha dado uma missão, que era contra o que eu pensava. Minha mãe era a mediadora, sempre tentando proteger seu filho. E, no limite, meu pai acabava me protegendo também. Eu tentava lutar para mudar a realidade, e tenho sorte por poder contar isso porque muitos dos meus amigos não podem.

Sonhos

Sempre fui um sonhador e sempre fui atrás dos meus sonhos. Mas, às vezes, a realidade o coloca em seu lugar.

Chelsea

Havia muitos times interessados, mas a ligação veio de Monchi (diretor de futebol do Sevilla). E, para nós, foi muito interessante. Foi tudo muito rápido. Quando sai do avião, não sabia quem era Monchi (diretor de futebol do Sevilla). Ele veio me cumprimentar e disse: “olá, sou Monchi”. Também estávamos em negociações com o Chelsea. Nosso grupo de trabalho analisou a proposta.

Marcelo Bielsa

Eu admiro Bielsa, mas não o conheço. Só conversei com ele duas vezes por telefone.

Copa América

Ganhamos a Copa América de maneira rebelde. É o meu jeito, minha mensagem durante toda minha vida.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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