La Liga

Dez histórias para acompanhar de perto na nova temporada de La Liga

Com o início de La Liga nesta sexta, preparamos um especial com dez histórias para ficar de olho - passando pelos diferentes cantos do país e pelas duas pontas da tabela

La Liga perdeu o rótulo de “liga das estrelas” com o qual costumava se vender, ainda mais após a saída de Lionel Messi do Barcelona. Isso, porém, não parece ser totalmente ruim ao campeonato. Se não há mais os dois grandes astros que protagonizaram as disputas ao longo da última década, é possível esperar mais competitividade. E alguns craques permanecem para almejar o título, em especial no trio de ferro. Luis Suárez continua insaciável no Atlético de Madrid e Karim Benzema não se cansa de carregar o Real Madrid. Enquanto isso, resta a expectativa para ver se Memphis Depay será o novo símbolo desta transição do Barcelona.

A competição melhora como um todo. Outros concorrentes criam expectativas de evolução, sobretudo nos confrontos diretos. A lista de candidatos às copas europeias é vasta – com Sevilla e Villarreal na dianteira, mas também Real Sociedad, Athletic Bilbao e Betis pintando com força. E numa competição onde clubes menores lutam bastante em busca da permanência na elite, esta temporada guarda o retorno do Espanyol à primeira divisão, após sua breve passagem pela segundona.

Com o início de La Liga nesta sexta, preparamos um especial com dez histórias para ficar de olho – passando pelos diferentes cantos do país e pelas duas pontas da tabela. Vale lembrar que a competição é transmitida no Brasil pelos canais ESPN e Fox Sports. Confira os destaques:

Diego Simeone, técnico do Atlético, é celebrado pelos seus jogadores (Imago / OneFootball)

– Um Atlético de Madrid com sede do bicampeonato

A chance estava posta na mesa. O Atlético de Madrid encontrou uma brecha enorme para reconquistar o título de La Liga na temporada passada, com o enfraquecimento de Real Madrid e Barcelona. Tudo bem que os colchoneros já não atravessavam o período mais consistente sob as ordens de Diego Simeone, assim como buscavam a renovação em certos setores, mas podiam sonhar com a competição. O resultado correspondeu às expectativas, com o retorno do troféu ao Atleti depois de sete anos. O primeiro turno arrasador, como nos melhores tempos, possibilitou o sucesso – assim como os pontos arrancados na hora certa durante a reta final. E agora a esperança no Metropolitano é que a bonança não pare por aí.

Afinal, o cenário para um bicampeonato é bem diferente daquele encontrado pelo Atlético de Madrid em 2014/15, por exemplo. Não há o atual campeão europeu de um lado e nem trio MSN do outro. Pelo contrário, há uma impressão genuína de que, pelo menos no papel, Barça e Real se veem mais fracos até que na temporada passada. Enquanto isso, o Atleti reforçou suas bases. Diego Simeone renovou seu vínculo, numa prova de confiança à revolução que já dura uma década entre os colchoneros. O elenco também ganhou recursos com a vinda de Rodrigo de Paul, excelente contratação para o meio-campo – num mercado que não deve parar por aí, sobretudo pelas negociações para uma nova peça ao ataque.

Com Simeone, o Atlético de Madrid sabe que continuará sendo competitivo. E também reside outra certeza na permanência de Luis Suárez no comando do ataque. Dá até para discutir se o Pistolero não foi o melhor negócio da história já feito pelos rojiblancos, dada as circunstâncias da transferência. O uruguaio caiu no colo do clube e ainda enfraqueceu um dos principais rivais, que seguia pagando parte dos salários. A subida de produção do time refletiu bastante os gols adicionados por Luisito, que também foi o cara que chamou a responsabilidade na hora da decisão. Precisou de uma temporada para entrar na história.

Da mesma forma, Jan Oblak é outra garantia imensa no Metropolitano. O esloveno permanece como um dos melhores goleiros do mundo, mesmo que seu cartaz não seja grande como de outros colegas de posição. Fez a diferença para o último título. No meio, Koke ergueu a taça como capitão, numa de suas melhores temporadas desde que despontou com a camisa colchonera. E o Atlético permanece bem servido de jogadores que se encaixam muito bem na ideia de jogo, rendendo acima das próprias expectativas. É o caso de Marcos Llorente, brilhante em todos os setores possíveis. Ou ainda de Ángel Correa e Yannick Ferreira Carrasco, de notáveis contribuições à taça.

Alguns jogadores ainda dão a impressão de que o Atlético de Madrid pode render mais, como José María Giménez se superar as lesões, formando uma dupla sólida com Felipe. Também se pede mais a João Félix, não apenas pelo preço que custou, mas pelo potencial claro que existe ali. A conquista na temporada passada dependeu de uma combinação de fatores, pela queda dos rojiblancos no segundo turno. Mesmo assim, repetir o feito e aproveitar a consolidação desta equipe, agora com De Paul no meio, não será uma surpresa. Simeone e Suárez permanecem para indicar o caminho das pedras.

Depay comemora com o Barcelona (Foto: Divulgação)

– Como será o Barcelona sem Messi

O Atlético de Madrid é o principal favorito em La Liga, mas não a grande história da temporada. Esse rótulo recai ao Barcelona, que pela primeira vez em duas décadas não verá mais Lionel Messi em seus corredores. A saída do camisa 10 tem um impacto tremendo no Camp Nou, de diferentes maneiras. O descontentamento dos torcedores e o prejuízo na marca do clube geram tremores além dos gramados. Ainda assim, era dentro de campo que a magia do atacante permanecia evidente. Por mais que dependesse de uma equipe moldada para si, ele ainda garantia a maior parte dos gols e dos pontos blaugranas. Será uma redescoberta da identidade.

E antes o único problema no Camp Nou fosse resolver o campo sem Messi, o que não é pequeno por si. A decisão de não renovar com o craque é o reflexo do caos que se instaurou nos bastidores. A disputa política persiste, com Joan Laporta encontrando dificuldades para segurar as rédeas nesta volta ao poder. E existe um redemoinho que suga as combalidas finanças dos blaugranas, depois de uma sequência de péssimas gestões. Mesmo com o adeus de Messi, não há certeza sequer da inscrição de todos os contratados neste mercado, por conta das limitações de gastos em La Liga.

Na melhor das hipóteses, com todos os inscritos, o Barcelona ganha um novo leque de opções para encontrar seus rumos. Memphis Depay é o mais cotado para encabeçar o ataque sem Messi e tem apresentado suas qualidades durante a pré-temporada. Possui capacidade técnica e tarimba para auxiliar os blaugranas neste sentido. Sergio Agüero é uma incógnita, pela forma que vinha no Manchester City, pela lesão recente e pela própria saída de seu amigo argentino. Mas é a defesa que parece mais robusta, com Eric García entrando na zaga depois de tomar a posição da Espanha durante a Eurocopa e ainda a vinda de Emerson Royal para ocupar a lateral, com muito potencial.

Ronald Koeman permanece como treinador. Sua primeira temporada foi agridoce. O time deu sinais positivos e conquistou a Copa do Rei, mas sucumbiu nos momentos mais importantes, tanto na Champions quanto em La Liga. Novos protagonistas acabam ascendendo. Marc-André ter Stegen era o principal coadjuvante de Messi e talvez seja mais exigido nesta reformulação, mas volta de cirurgia. Frenkie de Jong foi quem mais cresceu com Koeman, mas também se lesionou no fim da temporada. Gerard Piqué, Sergio Busquets e Jordi Alba são os medalhões das glórias de outrora, mas envelhecidos, já precisando passar o bastão.

A pressão agora será maior sobre jogadores que não renderam no Barça e permanecem no elenco. Ousmane Dembélé, Philippe Coutinho e principalmente Antoine Griezmann lidarão com as cobranças, ainda que o francês venha apresentando um pouco do bom futebol que o consagrou. Porém, a maior parte das fichas acabará mesmo depositada na garotada. Pedri, Ansu Fait, Ilaix Moriba, Ronald Araújo e Óscar Mingueza lideram a renovação na qual os blaugranas aguardam a aparição de um novo messias – em especial, os dois primeiros. A ver quais os custos que a falta de pré-temporada a alguns jogadores também gerará, com Pedri emendando Eurocopa e Olimpíadas antes de retomar seu posto como xodó no meio-campo.

Benzema e Sergio Ramos na Champions – Foto: Imago / One Football

– Um Real Madrid com novos líderes e em transição

Quando o Real Madrid conquistou La Liga há duas temporadas, tinha carências evidentes, mas bons líderes e jogadores que poderiam despontar. O que não aconteceu na última campanha, diante de todas as dificuldades dos merengues em emendarem uma sequência confiável. E a mudança é expressa dentro do Santiago Bernabéu, para onde a equipe volta depois de quase duas temporadas de ausência. Sergio Ramos deixou um claro vácuo nos merengues, pela qualidade que ainda representava na zaga e principalmente pela liderança. Como se não bastasse, próximo do fim do contrato, Raphaël Varane seguirá ao Manchester United. E Zinédine Zidane não continuará dando as cartas à beira do campo. Isso permite aos madridistas se desprenderem de algumas teimosias do comandante, mas também gera consequências naturais em qualquer transição, ainda mais pelo peso das conquistas do treinador.

Carlo Ancelotti acabou sendo escolhido para dirigir o Real Madrid, não por retrospecto recente, mas por aquilo que fez no clube exatamente antes de Zidane. A saída do italiano pareceu um tanto quanto apressada quando aconteceu e ele traz consigo uma aura respeitável por seu currículo. É um comandante muito elogiado por sua gestão de grupos e que sabe montar equipes vitoriosas. Mas que não representa exatamente uma vanguarda nos últimos tempos e nem mais se inclui na primeira prateleira dentro os melhores técnicos do mundo. Sem os preferidos à disposição, restou a Florentino Pérez confiar na história – já que, nos últimos tempos, o cartola parece mais preocupado com a Superliga do que com a gestão de seu clube.

E é à história que o Real Madrid se apega para almejar a reconquista do Campeonato Espanhol. As principais figuras do time são condecoradas por sua trajetória no clube. Karim Benzema é um deles, embora jogando mais bola do que nunca para virar o símbolo dos merengues pós-Cristiano Ronaldo. Casemiro também vem em alta, cada vez mais central em meio à potência que se desmancha. Thibaut Courtois chegou depois, mas reforçou seu nome dentro do grupo estrelado em especial na campanha do título passado. Enquanto isso, o ocaso se aponta a figuras como Toni Kroos, Luka Modric e Marcelo. Não transmitem mais a confiança sobre o poderio merengue. Podem ser suficientes às pretensões em La Liga, mas não mais dentro da Champions.

O Real Madrid se cerca de alguns “será?”, que servem mais como uma probabilidade do que como uma garantia. O maior deles é Eden Hazard, de tantos percalços e falta de sequência pelas lesões. Passa por isso também a progressão de Vinícius Júnior e Rodrygo, ou mesmo a continuidade de Luka Jovic e Martin Odegaard. Marco Asensio e Federico Valverde transmitem um pouco de certeza, embora não pareçam necessariamente os mais cotados como protagonistas. No papel, os merengues possuem um potencial evidente, mas que não se cumpre. Não é uma equipe de momentos alinhados, entre promessas em desenvolvimento e medalhões que passaram de suas melhores formas.

A única contratação galáctica do Real Madrid até o momento é David Alaba. O defensor chegou sem custos, ao não renovar com o Bayern de Munique, e parece ter sede por provar sua história vencedora num novo ambiente. Acaba se tornando ainda mais vital, diante das saídas de Sergio Ramos e Varane. O austríaco até indicou de início que desejava atuar como meio-campista, mas o rombo na zaga o coloca no setor, onde se saiu bem na conquista recente da tríplice coroa na Baviera. Será interessante a parceria com Éder Militão, o jogador que mais evoluiu no elenco merengue durante a última temporada e que parece receber bastante respaldo da diretoria. De resto, ficam os rumores sobre Kylian Mbappé, o que não parece pronto a acontecer nesta temporada.

Unai Emery, técnico do Villarreal (Foto: Kiko Huesca/Imago/One Football)

– O Villarreal volta em alta

O Villarreal não fez uma campanha tão forte na edição passada de La Liga, caindo de rendimento depois de um bom início, mas a temporada terminou de maneira histórica no Estádio de La Cerámica. O Submarino Amarelo conquistou a Liga Europa, o primeiro título de sua história, e não sofreu muitas perdas significativas para seguir em boa forma. O calendário será mais exigente, com a presença da equipe na Champions League – e isso já trouxe problemas num passado recente. Mas os créditos sobre o trabalho de Unai Emery são evidentes e uma prova disso veio no jogo duro contra o Chelsea pela Supercopa Europeia.

Um dos méritos do Villarreal é contar com um elenco bem equilibrado. Há bons jogadores em todos os setores. Sergio Asenjo, Pau Torres, Raúl Albiol, Dani Parejo e Gerard Moreno formaram o alicerce da equipe campeã. A lesão sofrida por Samuel Chukwueze pode atrapalhar um pouco o Submarino Amarelo, assim como Pau Torres volta desgastado depois de emendar Eurocopa e Olimpíadas – o que não o impediu de disputar os 120 minutos da Supercopa nesta quarta. Mas, independentemente desses poréns, o grupo parece qualificado para lutar pelo G-4 de maneira mais constante.

E o mercado do Villarreal também é muito bom. Juan Foyth chegou em definitivo, depois de agradar em seu empréstimo recente. A zaga também Aïssa Mandi, que chegou de graça do Betis. No meio, Manu Morlanes é a aposta vinda do Almería. E a empolgação é razoável com Boulaye Dia, atacante contratado junto ao Stade de Reims e que não se inibiu na hora de apresentar seu cartão de visitas durante a Supercopa. As condições de trabalho para Unai Emery são boas e, com o treinador revitalizado depois da última temporada, o Submarino Amarelo pode elevar suas ambições.

O Sevilla de Julen Lopetegui faz uma boa temporada (Foto: Getty Images)

– Olho no que pode acontecer no Sevilla

O Sevilla acabou não sustentando seu fôlego na reta final do último Campeonato Espanhol. Apesar disso, os andaluzes fizeram uma campanha excelente e chegaram a almejar o título. Com o trabalho consolidado de Julen Lopetegui, em sua terceira temporada no Ramón Sánchez-Pizjuán, não dá nem para falar que os rojiblancos serão uma surpresa se repetirem a linearidade nesta edição da liga. O que seria um salto, de qualquer maneira, é a possibilidade de lutar verdadeiramente por um título mesmo contando com elenco menos badalado que o dos principais concorrentes. E o mercado ainda pode ajudar os sevillistas a incorporarem novos recursos, diante de algumas especulações recentes.

O Sevilla não é time para dar espetáculo, mas conta com um estilo de jogo seguro e bem claro sob as ordens de Lopetegui. A defesa é a base do time, com a manutenção de Jules Koundé e Diego Carlos sendo bastante importante às pretensões. Bono permanece como goleiro titular, mas Marko Dmitrovic chega para fazer sombra. Outro reforço interessante anunciado nesta sexta é Gonzalo Montiel, trazido do River Plate. E vale exaltar a importância de Jesús Navas como um símbolo do clube. No meio, Fernando Reges vem de meses excepcionais, enquanto Ivan Rakitic ainda é a referência técnica. Não são jogadores no auge, mas eles possibilitaram a estabilidade recente dos rojiblancos.

Por fim, se o ataque perdeu Bryan Gil, não é que pareça mais fraco. Erik Lamela chegou de graça do Tottenham e deve ter mais protagonismo, enquanto Papu Gómez fará sua primeira temporada completa na Andaluzia. Suso é outra peça importante, assim como Lucas Ocampos, o ponto focal da habilidade nos últimos anos. E se Luuk de Jong não emplaca, Youssef En-Nesyri se valorizou na campanha anterior. É ver se Lopetegui consegue garantir um pouco mais de recursos ofensivos, talvez o grande ponto de questionamento nesta passagem que já rendeu título de Liga Europa (mais um) aos sevillistas.

Pepe Bordalás (Foto: Getty Images)

– A inversão de papéis na Comunidade Valenciana

Como raras vezes na história de uma rivalidade tão desigual, o Levante teve momentos em que ofuscou o Valencia na temporada passada. E numa equipe que teve bom desempenho também por seus méritos, não só pela crise nos vizinhos, as boas atuações podem se repetir. O resultado final não seria tão bom quanto o imaginado, com um jejum de vitórias que fez os Granotas despencarem na tabela de classificação durante as últimas rodadas. Mas não é isso que tira os méritos de Paco López, no comando desde 2018. Destaques como José Luis Morales, Rúben Vezo, Roger Martí e Enis Bardhi podem auxiliar o clube a cumprir um bom desempenho. E existe a expectativa sobre aquilo que fará o veterano Roberto Soldado, trazido do Granada após guardar seus gols entre os andaluzes.

Se qualquer colocação acima do meio da tabela é superar as expectativas para o Levante, no Valencia há a pressão de sair da draga que a própria diretoria colocou o clube. Os Ches se acostumaram com os desmandos de Peter Lim, demitindo treinadores e dispensando jogadores por vaidade. A crise econômica ampliou um pouco mais o caos e a fraca campanha na temporada anterior refletiu a bagunça interna. Para melhorar as perspectivas, Pepe Bordalás chegou depois de seu fantástico trabalho à frente do Getafe, mas o caminho pela frente talvez seja mais longo.

O único reforço do Valencia foi o zagueiro Omar Alderete, emprestado pelo Hertha Berlim. Por outro lado, saíram nomes experientes como Kévin Gameiro e Eliaquim Mangala. O elenco ainda pode fazer melhor do que se viu nos últimos meses, pensando nas opções de Jasper Cillessen, Gabriel Paulista, José Gayà, Carlos Soler, Gonçalo Guedes e Maxi Gómez – muitos deles com idade para decolar mais na carreira. Porém, o ambiente no Mestalla não permite que esses bons jogadores possam cumprir o esperado. É ver como Bordalás conseguirá blindar o grupo para recolocar os Ches pelo menos na briga pela Conference e Liga Europa.

A Real Sociedad campeã da Copa do Rei (Foto: Imago / One Football)

– A expectativa e a ansiedade no País Basco

O futebol do País Basco viveu o mais importante jogo de sua história na temporada passada, com quase um ano de atraso, após a realização da final da Copa do Rei entre Athletic Bilbao e Real Sociedad. Os dois gigantes alternaram momentos ao longo dos últimos meses, entre aquilo que se prometia e o que não necessariamente se cumpriu. A Real rondou as primeiras posições de La Liga, mas acabou apenas na zona da Liga Europa, embora o troféu da Copa do Rei tenha sido uma recompensa e tanto. Já o Athletic era visto como um time bem mais copeiro e levou a Supercopa, mas ficou somente na vontade com duas finais da Copa do Rei pela frente. Diante disso, os olhares se tornam mais constantes para aquilo que poderão realmente concretizar em 2021/22.

O Athletic Bilbao precisa de mais regularidade para competir em La Liga. Desperdiçou pontos custosos ao longo da última campanha e isso não permitiu que brigasse pelas copas europeias. Um motivo para acreditar na evolução é a primeira temporada completa de Marcelino García Toral, indubitavelmente um dos melhores treinadores do país. O comandante precisará obter o rendimento de um elenco que basicamente só acrescentou jovens vindos da base. Entre estes, aparece Nico Williams, que poderá acompanhar o irmão Iñaki como uma das estrelas do ataque. Outro jogador que receberá atenção especial em San Mamés será Unai Simón, figura da Espanha na Eurocopa e nas Olimpíadas, mesmo sem ser unanimidade além de Bilbao.

Já a Real Sociedad ainda confia em Imanol Alguacil no banco, um treinador que conhece como poucos o clube. Por potencial, o elenco dos txuri-urdin é melhor do que os rivais, mas precisa se livrar dos desfalques que foram tão penosos no último ano. David Silva permanece como craque da companhia, num meio-campo bem servido com Asier Illarramendi, Mikel Merino, Martín Zubimendi e Igor Zubeldía. Já o ataque vê Alexander Isak entrar na mira de clubes de peso, enquanto Mikel Oyarzabal é outro a liderar a Espanha em sua jornada dupla com a seleção. O desgaste do camisa 10 poderá ajudar no espaço a outros jogadores, em especial Ander Barrenetxea. Entre os reforços, Mat Ryan entra na disputa com Álex Remiro pela titularidade na meta.

O time do Espanyol ( Juan Manuel Serrano Arce/Getty Images/OneFootball)

– Espanyol e a volta dos que não foram

Os três clubes que conquistaram o acesso em La Liga participaram da elite não faz muito tempo. Ainda assim, o Espanyol gera interesse nessa sua volta. Os Pericos disputaram a Liga Europa na mesma campanha em que caíram, não necessariamente por problemas de gestão, mas por uma série de fatores que não contribuíram dentro de campo. O rebaixamento não necessitou exatamente de uma reviravolta e, preservando boa parte do elenco, os blanquiazules retornaram com sobras. Vicente Moreno foi o treinador responsável pelo feito, dando continuidade à sua boa passagem pelo Mallorca. Dentro de campo ainda aparecem nomes como Diego López, Leandro Cabrera, David López, Sergi Darder, Adrián Embarba e Javi Puado. Raúl de Tomás, em especial, fez a diferença na segundona e pode provar de novo seu faro de gol na elite.

O Mallorca também preferiu não tratar como desastre seu descenso, até pela reorganização na gestão, e se deu bem. Luis García foi o treinador do novo acesso. Os bermellones tem se mexido um pouco mais em busca de reforços, com destaque à volta de Takefusa Kubo. Pablo Maffeo, Jaume Costa, Rodrigo Battaglia e Ángel Rodríguez também engrossam o plantel. Salva Sevilla e Dani Rodríguez são os veteranos que reiteraram a importância na segundona. Já o Rayo Vallecano chega depois de um acesso até surpreendente, considerando o favoritismo de outros concorrentes nos playoffs. Quem chama mais atenção em Vallecas é o técnico Andoni Iraola, que dá sequência a uma carreira muito promissora à beira do campo. O antigo ídolo do Athletic Bilbao está apenas em seu segundo trabalho, mas já é conhecido pelo futebol destemido que consegue extrair. E a diretoria tem agido bem no mercado, encorpando o plantel.

Joaquín comemora – Foto: Imago / One Football

– A continuidade de trabalhos que podem evoluir

Um clube de La Liga que naturalmente deve ser mais visado no Brasil é o Celta de Vigo, sob as ordens de Eduardo Coudet. O argentino livrou os galegos dos riscos de rebaixamento na primeira temporada e até rondou as copas europeias. No mínimo, deve afastar os celestes dos sustos desnecessários dos últimos anos. Para seguir em frente, Chacho ganha alguns reforços interessantes, como o goleiro Matías Dituro, o lateral Javi Galán e o ponta Franco Cervi. Os protagonistas em Balaídos são velhos conhecidos, com Iago Aspas sendo uma das ausências injustas da última Eurocopa. Nomes como Brais Méndez, Denis Suárez e Santi Mina elevam a capacidade ofensiva do Celta.

Do lado verde da Andaluzia, o Betis vai para o segundo ano com Manuel Pellegrini. Os verdiblancos nem sempre correspondem em campo as expectativas que criam, mas fizeram uma temporada positiva que rendeu a sexta colocação e a vaga na Liga Europa. Sob as ordens do veterano, parecem apresentar um futebol mais condizente ao talento à disposição. O time conta com bom recursos principalmente no setor ofensivo. Nabil Fekir, Sergio Canales, Andrés Guardado e Borja Iglesias são nomes de destaque, enquanto se aguarda a evolução de Diego Lainez. E o interminável Joaquín segue elevando o time, com mais uma renovação de contrato mesmo aos 40 anos. Também vale mencionar Rui Silva, de ótimos momentos na meta do Granada, que deve chegar para ser o goleiro titular.

Alguns clubes da metade inferior da tabela também preferiram a continuidade, após escaparem do rebaixamento. Um deles é o Cádiz, de retorno muito positivo à elite. Álvaro Cervera completou cinco anos no comando e segue firme. Nesta janela, o clube se voltou ao mercado sul-americano e contratou dois jogadores presentes na Copa América: o uruguaio Santiago Arzamendia e o chileno Tomás Alarcón. Álvaro Negredo permanece no plantel. O Osasuna, outro a exceder os prognósticos, segurou Jagoba Arrasate na direção. A compra em definitivo de Ante Budimir é a principal notícia do mercado, num time que manteve destaques. Fran Escribá continua no Elche depois da milagrosa salvação. Iván Marcone e Lucas Boyé foram comprados em definitivo, apesar da aposentadoria do lendário Nino no ataque. Já o Alavés continua com Javi Calleja, depois de transformar o destino dos bascos na reta final. Joselu foi o principal herói em campo, num ataque que ainda possui Lucas Pérez e John Guidetti entre as opções.

– Os novos treinadores que tentam repetir os feitos de seus antecessores

Dois clubes de presença recente nas copas europeias mudaram de comando e deixam mais interrogações, apesar de escolhas inteligentes na reposição. O Granada se despediu de Diego Martínez, responsável por colocar os andaluzes no mapa da Liga Europa. Veio Robert Moreno, antigo assistente de Luis Enrique na seleção, que decepcionou quando ganhou uma chance no Monaco. A lista de perdas é grande, encabeçada por Roberto Soldado e Rui Silva, mas vários jogadores que encerraram seus empréstimos farão falta – como Yangel Herrera e Kenedy. Carlos Bacca é o reforço mais renomado, mas não parece suficiente. Domingos Duarte e Darwin Machís devem ficar sobrecarregados nesta reformulação.

Já o Getafe perdeu Pepe Bordalás e recorreu a Míchel, que dirigiu o clube com sucesso na virada da década passada. O mercado movimentado no Coliseum Alfonso Pérez inclui Vitolo, José Macías, Sandro Ramírez e Carles Aleñá – este, após um período emprestado aos Azulones. Em contrapartida, a saída de Ángel Rodríguez rumo ao Mallorca tem seu peso, considerando os bons momentos do atacante no clube. É ver como será o próprio estilo de jogo, levando em conta a maneira como Bordalás tinha enraizado suas ideias. Marc Cucurella, Mauro Arambarri, Djené, Nemanja Maksimovic e David Soria são algumas das figuras de destaque que ficam, assim como o veterano Jaime Mata

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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