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Candidato à presidência do Barça, Joan Laporta fará “de tudo” para manter Messi

Quem quer que seja escolhido como novo presidente do Barcelona nas eleições de 24 de janeiro de 2021 terá um dificílimo trabalho de reestruturação à frente, com um tópico obrigatório a resolver: a permanência ou não de Lionel Messi. Joan Laporta, que já presidiu o clube entre 2003 e 2010, afirma que, de sua parte, fará tudo que for possível para manter o craque na Catalunha.

Em entrevista ao jornal Guardian, Laporta, um dos sete candidatos divulgados até agora para a presidência do Barça, falou sobre os desafios que o clube enfrenta no momento e dedicou parte significativa do papo para discutir a situação de Messi. Para o candidato, o argentino ainda não decidiu definitivamente seu futuro e deve estar aberto ao que o futuro presidente irá oferecer, afinal, seu principal problema no clube foi a relação com o ex-mandatário Josep Maria Bartomeu, que abandonou o cargo no fim de outubro após o início de um processo de impeachment.

“Não acredito que ele já tenha se decidido. Acho que ele irá pesar todas as opções. O Messi ama o Barça, acho que ele considerará a proposta que o novo presidente do Barcelona faça a ele. Vejo isso acontecendo porque o que mais chateia o Leo é que mentiram para ele. Ele me disse: ‘Você nunca mentiu para mim, você cumpriu suas promessas’. Eu pude ver que sua relação com os diretores estava piorando. Eles o fizeram carregar a responsabilidade por tudo. Ele não precisava aguentar tudo isso. Se eu me tornar presidente, falarei com ele”, assegurou.

Laporta saiu em defesa de Messi e afirmou que sua escolha é puramente esportiva e que tem sentido. Afinal, “quando o melhor jogador do mundo tem que assistir a outros clubes levantarem a Champions League, você sabe que as coisas foram feitas da maneira errada”. Apostando em seu bom relacionamento com o argentino, o candidato afirma que fará o máximo possível para manter o camisa 10 no Camp Nou.

“Ele sabe o que eu penso. Só consigo imaginá-lo com a camisa do Barcelona e farei tudo para garantir que ele continue. Conheço o Leo, e aquilo em que ele está interessado é em ganhar. Os melhores jogadores veem imediatamente se o time é competitivo. Não se trata de dinheiro, nunca se tratou; se fosse isso, ele teria tomado decisões muito diferentes ao longo de sua carreira. Temos que trabalhar duro para continuar essa linda história: Leo Messi e Barcelona.”

Laporta conduziu o Barcelona em um importante período de transição ao longo de sua presidência, primeiro com a chegada de Ronaldinho Gaúcho, que recolocou a equipe no caminha dos títulos, e depois com a renovação promovida por Pep Guardiola. Para Laporta, sua direção deixou o melhor legado possível em 2010, com uma equipe competitivo, que tinha um longo caminho pela frente e era saudável financeiramente. “Mas eles constantemente olhavam para trás, motivados por rancor, e arruinaram o projeto esportivo, não o renovando a tempo”, criticou.

“Para ser justo, eu passei por isso, então consigo entender. Eu tive um ano de complacência (2007/08). Você pensa: ‘Caramba, ganhamos tudo, não precisamos mudar, não precisamos de um novo ciclo’. Mas as coisas não correram bem. Quando percebemos, mudamos o Frank (Rijkaard) pelo Pep, o Ronaldinho pelo Messi, o Deco por Xavi e Iniesta. Convencemos o treinador a permanecer com o Eto’o”, relembrou Laporta.

O candidato vê o momento atual como similar ao que viveu em 2003, embora em escala diferente. Ainda assim, afirma que deverá ser mais difícil renovar o plantel devido aos contratos feitos pela diretoria de Bartomeu.

“O desafio é parecido com o que enfrentamos em 2003, embora não na mesma escala. Naquela época, eram € 123 milhões em receitas, € 192 milhões em despesas, uma equipe mal estruturada e um clube dividido. Renovar a equipe talvez tenha sido mais fácil naquela época do que será agora, porque, para reduzir os custos desta temporada, eles empurraram o problema dos contratos dos jogadores mais pra frente, para a diretoria seguinte consertar. Precisamos ver os números exatos, mas não é bom. Porém, não quero ser alarmista ou bancar a vítima. Tudo isso precisa ser analisado, precisamos buscar soluções.”

Qualquer que seja sua abordagem, já que seu projeto completo ainda não foi detalhado, Laporta deverá prezar pela recuperação financeira: “Envolve reduzir os custos, aumentar a receita para além dos meios tradicionais e reestruturar as dívidas. As pessoas gostam de dizer que não somos um clube vendedor, mas isso é um erro: você precisa comprar e vender bem”.

Laporta ressaltou sua relação intensa com o Barça ao longo de toda sua vida para demonstrar seu comprometimento com o clube e traçar seu objetivo final: fazer com que as pessoas se apaixonem de novo pelos culés.

“É o maior desafio da minha vida. Eu sei disso, aceito, estou pronto. Talvez isso mostre onde eu coloco um clube como o Barcelona entre as coisas que valorizo. Vou aos jogos desde que tenho cinco anos, meu pai e meu avô me tornaram membro do clube aos dez anos, e os valores do clube sempre estiveram presentes na minha vida, não só no futebol, mas em tudo o que ele representa, mais importante agora do que nunca. Queremos que as pessoas se apaixonem novamente pelo Barcelona.”

Em sua primeira passagem pela Barça, Laporta contou com nomes importantes para estabelecer uma base vencedora: o mentor Johan Cruyff, o talentoso Messi e o professor Guardiola. O neerlandês já não está mais entre nós, o técnico catalão tem seu próprio projeto a tocar, e o craque argentino talvez dê adeus ao clube. Laporta reconhece o momento difícil, mas ainda se vê apoiado por estas figuras, de uma maneira ou de outra.

“O destino parece querer que eu esteja envolvido em alguns dos momentos mais difíceis do clube, este é meu fado. Não sinto uma obrigação, apenas motivação. Ainda acho que tenho energia. O Messi, nós ainda o temos. O Johan, sempre terei Johan comigo, por tudo que aprendi, tudo que ele me ensinou. E, com o Pep, eu tenho uma linha direta.”

Laporta foi eleito presidente do Barcelona pela primeira vez em 2003, deixando o cargo em 2010. Em 2015, tentou se eleger novamente, mas foi derrotado por Josep Maria Bartomeu. Desta vez, Laporta deverá ter como principal adversário Víctor Font, que hoje é o favorito para assumir o cargo no pleito de 24 de janeiro.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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