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Cada vez mais destaque do Atlético de Madrid, Thomas saiu de Gana sem contar aos pais

O sábado foi de vitória para o Atlético de Madrid. Fora de casa, o time venceu o Eibar por 1 a 0, com gol de Kevin Gameiro. Um dos destaques do time foi o volante Thomas Partey, de Gana, que foi titular do time. O camisa 5 jogou ao lado de Saúl Ñíguez no centro do campo e se tornou uma arma defensiva importante no meio-campo de um time que é sempre muito brigador. E a história deste jogador é algo que chama a atenção. Ele enfrentou a mudança de país, ainda muito jovem, em busca do sonho de ser jogador de futebol. Teve que se adaptar ao frio, a uma nova língua e um futebol diferente do que estava acostumado.

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Aos 24 anos, Thomas Partey vive a sua primeira temporada com mais minutos em campo. São 26 jogos até aqui, com quatro gols marcados. Já são mais jogos que a temporada passada, quando entrou em campo 24 vezes, com menos minutos. O ganês foi para a Espanha para jogar na base do Atlético, foi emprestado ao Mallorca, para jogar na segunda divisão, em 2013/14, e ao Almería, onde jogou na primeira divisão, em 2014/15. Desde então, busca seu espaço no time e começa a ganhar seu espaço.

“Eu sempre quero olhar para frente e jogar todas as partidas possíveis. Quero seguir trabalhando e melhorando em coisas que ainda não estou bem… E seguir lutando”, afirmou. O ganês queria jogar e, por isso, conversou com Simeone sobre ter mais minutos. Ele estava sendo preparado para jogar mais, o que vem acontecendo nesta temporada. “Falei com o treinador, disse a ele que queria jogar mais partidas e ele me disse que nesta temporada eu jogaria e só tinha que seguir fazendo meu trabalho como estava fazendo. Ao final, está saindo como ele me disse e tenho que seguir olhando para frente”, disse o volante.

Thomas Partey pensou em ser emprestado para jogar mais, mas foi negado. “Falei com o clube para buscar um clube onde poderia ter mais minutos, mas me disseram que como não poderiam contratar, eu tinha que ficar e ajudar o time. Fiquei e trabalhando dia a dia todo foi saindo bem”, contou.

Com a camisa 5 às costas, Thomas já foi escalado para atuar como volante, meia e até lateral, mas deixa claro a sua posição. “As pessoas sabem onde eu jogo, sou um volante, mas posso atuar em qualquer posição das que me coloquem para ajudar a equipe. Mas a posição que jogo desde pequeno é volante”, explica o jogador.

“Gosto de ter a bola e que minha equipe a tenha, chegar ao gol rival e marcar gols”. Eis algo curioso para se dizer quando você é jogador de Diego Simeone: ele é um jogador que gosta que o time tenha posse de bola, algo que não é bem a estratégia do Atleti com o técnico argentino.

A história de Thomas começa a ganhar capítulos felizes, mas nem sempre foi assim. O jogador ganês passou por algumas dificuldades para chegar ao time do Atlético de Madrid. “Foi muito difícil, porque eu não estava acostumado com as baixas temperaturas e tinha que treinar com meus companheiros. Passei muito frio, mas só pensava em trabalhar para alcançar o nível que tenho agora. Por isso, só quero aproveitar do momento e esquecer todos os momentos ruins que passei antes”, contou.

“Foi uma mudança muito, muito, muito grande: tive que me acostumar com o idioma, a jogar rápido como faziam os demais, saber pensar como eles… Não era fácil. No final, tudo se aprende, graças aos companheiros e treinadores que tive e estou feliz”, continuou Thomas.

Para ele, o mais difícil foi aprender o espanhol. Em Gana, o idioma oficial é inglês. “Aprender o idioma [foi o mais difícil]. Conhecer as pessoas não foi um problema, porque estava acostumado a viver sozinho desde pequeno. Me custou muito, foi muito difícil, mas meu empresário me ajudou muito. Me conseguiu uma professora para me ensinar alguns meses e a partir daí comecei a falar”, relatou o volante.

O início em Gana

“Meu empresário tinha gente que trabalhava com jogadores negros. O campo de futebol que jogávamos desde pequenos ficava perto de um hotel, que ele estava hospedado. Um dia estávamos jogando e, como todos nos conhecíamos, ele perguntou quem era esse jogador que diziam que era bom. Havia outro melhor que eu, um atacante que era quem fazia todos os gols, mas ele não queria ir para a Europa porque queria jogar em outro time de Gana. Assim que chegou a minha vez e me perguntou o que eu queria fazer, disse a ele que queria vencer no futebol e ajudar a minha família. Me perguntou quem era o meu pai e foi falar com ele para dizer que me levaria para a Espanha para fazer testes, mas nunca me disse em que equipe seria”, contou Thomas.

Thomas jogava em um time de Gana, mas nunca chegou a assinar contrato profissional. Só comia, dormia e treinava. “Até que chegou um dia que tive que viajar, sem saber quando, nem que horas, nem nada. Entrei em um carro, eles me levaram para a capital, me deram o passaporte e me disseram: ‘Hoje vai viajar”. Meu pai não estava em casa, ninguém da minha família sabia de nada, nem que estava indo naquele dia. Porque se eu contasse a alguém que iria, haveria muitos problemas. Então viajei e cheguei à Espanha seis ou sete meses antes de alguém descobrir que eu estava fora de Gana”, revelou o meio-campista.

“Meu pai sempre aceitou minhas decisões, porque como ele não teve ajuda nenhuma, isso custou muito a ele [o pai de Thomas também foi jogador de futebol]. Assim, ele não me disse nada. No mês seguinte, ele me enviava dinheiro para comprar chuteiras. Minha mãe sim estava preocupada, porque como ela não conhecia nada, achava que poderiam acontecer muitas coisas. As vezes eu escuto, outras não. Sempre vou onde me sinto bem e por isso tomei a decisão de viajar sem dizer nada a ninguém”, disse ainda Thomas.

Com contrato até 2022, Thomas, de 1,85 metro de altura, é também uma arma de Simeone pelo alto. Faz desarmes, sai jogando e dá opções ao time. Com Gabi, referência do time na posição, já com 34 anos, e a opção, Augusto Fernández, com 31 e sendo atrapalhado por lesões, Simeone certamente comemora que Thomas esteja mostrando estar pronto para jogar cada vez mais minutos.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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