La Liga

Betis e Sevilla empataram num clássico trepidante, de três expulsões e doses cavalares de emoção

O Betis era melhor e ficou com um jogador a mais, mas perdeu dois jogadores e tomou pressão do Sevilla rumo ao empate

Betis e Sevilla protagonizam uma das rivalidades mais ferrenhas de La Liga. E os ânimos andam aflorados nos últimos tempos, vide a confusão do dérbi da Copa do Rei de 2021/22. O pedaço de pau atirado contra Joan Jordán na ocasião virou motivo até de provocação dos beticos neste domingo, num bandeirão exibido no Estádio Benito Villamarín. Já em campo, o que se viu foi um clássico borbulhante, pela violência e também pela emoção. A arbitragem mostrou três cartões vermelhos, dois deles aos verdiblancos e um aos rojiblancos. O Betis era melhor no primeiro tempo, ficou com um a mais e abriu o placar, mas depois perdeu os rumos com suas duas expulsões. Foi quando o Sevilla cresceu e buscou o empate por 1 a 1, ensaiando ainda uma virada. Nemanja Gudelj anotou um golaço para deixar tudo igual e quase fez outro, em pancada que bateu no travessão.

O Betis teve um lance inacreditável aos oito minutos. Numa cobrança de falta fechada de Nabil Fekir, a bola bateu na trave duas vezes em sequência. Rafa Mir tentaria responder do outro lado, enquanto Fekir também mandaria na lateral da rede. E num momento em que o gol dos verdiblancos parecia mais maduro, aos 21 minutos, uma jogadaça entre Sergio Canales e Borja Iglesias deixou Aitor Ruibal a ponto de marcar, mas Gonzalo Montiel fez um desvio crucial dentro da área. Nemanja Gudelj frustrou Borja Iglesias com outro bloqueio pouco depois. Já do outro lado, num erro dos beticos na saída, Edgar Martínez salvou quase em cima da linha uma batida de Rafa Mir. Era impressionante como o placar se mantinha zerado.

Neste momento, o clássico já era pegado e tinha entradas mais duras. Aos 38 minutos, começou o festival de expulsões. A primeira seria do Sevilla, de Gonzalo Montiel. O lateral chegou com as travas altas no carrinho contra Álex Moreno e até recebeu o amarelo primeiro, mas o árbitro José María Sánchez Martínez optou pelo vermelho depois da revisão. Jesús Navas entrou de imediato no lugar de Rafa Mir. Frio, o veterano acabou marcando um gol contra aos 43, num lance de pura infelicidade. Gudelj tentava tirar, o chute ricocheteou em Navas e pegou Bono desprevenido – embora o goleiro pudesse ter feito melhor.

O problema do Betis é que o time não soube lidar com a partida nas mãos. Antes do intervalo, Fekir recebeu o vermelho. O meia deixou o braço no rosto de Papu Gómez e o lance também foi revisado por Sánchez Martínez, mudando a cor do cartão. Nos acréscimos, Bono ainda evitou o segundo dos beticos em tentativa de Borja Iglesias. O goleiro reapareceu no início do segundo tempo, ao barrar Álex Moreno. E quando o jogo de 10 contra 10 ainda parecia favorecer os verdiblancos, seria a vez de Borja Iglesias exagerar na força. O atacante deu um pisão involuntário em Joan Jordán, mas a violência do lance fez Sánchez Martínez mudar o amarelo para vermelho. Agora, o Betis ficava com um a menos, e com as perdas de dois de seus melhores jogadores.

O jogo virou do avesso depois disso e o Sevilla partiu para a pressão. Logo de cara, Edgar salvou mais uma na risca, diante de Papu Gómez. Os rojiblancos insistiam e ficavam no quase, também com Ivan Rakitic e Erik Lamela. Restava ao Betis se fechar na defesa, em grande atuação de Edgar, que safaria seu time também contra Youssef En-Nesyri. Todavia, uma hora a insistência dos sevillistas deu resultado. Foi aos 36, num golaço de Gudelj. O sérvio arriscou o chute de muito longe e mandou na gaveta de Claudio Bravo. A partir de então, se ensaiou uma virada. Gudelj quase marcou outro gol incrível, em que dominou e bateu sem deixar a bola cair, mas o petardo bateu no travessão já aos 44. Nos acréscimos, o Sevilla investia nos cruzamentos. Bravo operou um milagre, de novo quando Gudelj tentou resolver.

O resultado não é o melhor para o Betis, mas a equipe continua no G-4. Os verdiblancos somam 24 pontos, numa rodada em que o Osasuna encostou. Ao menos, a maioria dos concorrentes tropeçou no final de semana. Já o Sevilla deixou a zona de rebaixamento, mas está no limite. A equipe soma 11 pontos, a mesma pontuação de Celta e Cádiz, que aparecem no Z-3. Há sinais positivos com Jorge Sampaoli, mas não ainda uma sequência de bons resultados.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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