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Atleti faz um bom negócio ao levar Gelson e aumentar as possibilidades do seu elenco

A situação insalubre vivida no Sporting trouxe grandes prejuízos ao clube. Em compensação, rendeu achados às agremiações que conseguiram negociar com os jogadores que se recusaram a continuar no Estádio José Alvalade, após serem agredidos por torcedores, e ficaram livres ao rescindirem unilateralmente os seus contratos. Nesta quarta, aproveitando-se dos erros do presidente Bruno de Carvalho, o Atlético de Madrid anunciou um excelente reforço para a próxima temporada. Os colchoneros acertam, sem custos, a chegada de Gelson Martins, um ponta jovem e de muita qualidade, que traz características particulares ao elenco de Diego Simeone.

Aos 23 anos, Gelson assinou com o Atleti pelas próximas cinco temporadas. Nascido em Cabo Verde, o ponta é cria da base do Sporting e passou a se firmar no time principal a partir de 2015/16. Vinha em alta principalmente nos dois últimos anos, contribuindo com seus gols e suas assistências para as campanhas dos lisboetas. Em 92 partidas pelo Campeonato Português, acumulou 18 tentos e 23 passes decisivos, uma marca bem digna para quem apenas despontava como profissional. Chega a Madri como uma realidade.

Gelson, além do mais, chega valorizado pelo trabalho com a seleção portuguesa. O ponta passou a ser convocado após a Euro 2016 e virou uma alternativa interessante nas Eliminatórias, assim como durante a última Copa das Confederações. Chamado à Copa do Mundo, poderia ter sido mais utilizado, acumulando apenas meia hora em campo – saindo do banco contra o Marrocos. De qualquer forma, tem capacidade para seguir figurando nas listas da Seleção das Quinas ao longo dos próximos anos.

Atuando geralmente como ponta direita, mas também utilizado por vezes como segundo atacante, Gelson Martins é um jogador incisivo, que atua verticalmente e confia bastante em sua velocidade. Além disso, tem boa capacidade na criação de jogadas para os companheiros. Tende a se encaixar bem naquilo que Simeone pede à sua equipe, potencializando o estilo direto dos colchoneros. É uma alternativa a Ángel Correa, usado aberto na direita principalmente na reta final da temporada.

Simeone, inclusive, indica que a chegada de Gelson pode ajudá-lo a realizar variações táticas na equipe: “É um garoto em crescimento contínuo. A gente viu ele jogando na última temporada, suas características podem nos ajudar. Ele nos dará competência pela direita ou ofensivamente, se jogarmos com três no ataque. Preencherá o campo, nos dará velocidade”.

O mais importante é notar a maneira como o elenco do Atlético ganha profundidade rumo à próxima temporada. Até pelo embargo no mercado de transferências, a falta de opções foi custosa durante o primeiro semestre, algo sanado com as chegadas de Diego Costa e Vitolo. Durante as últimas semanas, os colchoneros perderam jogadores importantes na rotação principalmente por seu simbolismo, Gabi e Fernando Torres. Em contrapartida, já contam com Rodri para ocupar a lacuna na faixa central; Antonio Adán para ser reserva de Jan Oblak; além de Thomas Lemar e Gelson Martins para reforçar as pontas. Considerando a renovação de Antoine Griezmann e a boa forma de Diego Costa, os rojiblancos referendam a candidatura para brigar por títulos nos próximos meses.

O Atlético de Madrid ainda corre o risco de ver a contratação de Gelson Martins ser embargada na justiça. O Sporting tenta recorrer das quebras de contrato e deseja receber €40 milhões pelo jovem. Segundo o Marca, os colchoneros chegaram a oferecer €15 milhões por metade dos direitos do ponta, visando um acordo amistoso com os leoninos, com quem mantêm boas relações. Os espanhóis também buscaram incluir os empréstimos de Luciano Vietto e do goleiro André Moreira na transação. Não houve acordo. Antes de oficializar o negócio, contudo, a diretoria realizou uma consulta à Fifa. Ao que tudo indica, o prejuízo maior deve ser mesmo dos sportinguistas, já que a própria federação portuguesa forneceu a liberação do atleta. Melhor ao Atleti, ainda mais fortalecido.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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